Terça-feira, 15 de Abril de 2014

Curtes alpista ?

 

Às vezes, em processos perto da demência, do "deixa-te andar" em direcção do vórtice da loucura, dou por mim, em poses pouco próprias, a vociferar guinchos e outros sons que por aproximação penso serem de proveniência animal, nomeadamente e em concreto, de pássaros.

 

Nunca gostei de pássaros, pois libertam odores, uma mescla odorífera agoniante de penas e sementes decompostas em matéria fecal, mas sempre admirei a sua loucura...

 

a loucura do pássaro louco,

do pássaro louco que canta e esvoaça

que cai em desgraça sem pena de si

 

Como posso eu reagir perante tal facto, ignorar ? Fingir que não se passou ? Rir compulsivamente, como uma criança que no seu intimo se satisfaz com maldades inocentes?

 

Talvez o melhor seja esquecer, esquecer tudo, partir para outra, crescer, evoluir, findar em mim próprio esses processos, quiçá, demoníacos! Jurar a mim mesmo que jamais o farei de novo, porque a idade assim não o permite, é isso que dizem nos livros e eu já me devia ter deixado de abismar com infantilidades!!

 

Pássaros loucos, pffff, há com cada um!!! Qualquer dia isto é só malucos na rua, só maluquinhos, só birutas a desgastar a calçada portuguesa, imitando pássaros e dizendo baboseiras, é nisto que nos vamos tornar, em imitadores de pássaros bamboleantes, a piar, tímidos, por essa calçada fora.

 

Vamos lá ver se a sociedade não nos dá mas é uma gaiola gigante, para piarmos com mais em conforto, com bebedouro e dispensador de sementes, e um poleiro, nunca esquecer que um bom pássaro não passa sem um bom poleiro, é posição si ne qua non.

 

 

Enfim, as respostas são apenas perguntas ao contrário e por isso, vou piar mais um pouco, para espairecer...

 

PIIIIIIIIIIIIIIIIIU PIUUUUUUUUUUUUUUUU PIU

 


Mr Anger às 09:29
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Sábado, 28 de Setembro de 2013

A cultura é gourmet



Quino


Para o ano o acesso à cultura (museus, monumentos & outros) ficará mais cara e as "borlas" de domingo certamente também irão cair por terra.

Em Portugal o que é bom e bonito é pagar impostos (estupidamente altos e socialmente injustos) sem esperar (leia-se "ter") qualquer tipo de regalias sociais (incluindo o acesso à cultura), mas apenas com o simples propósito - ao jeito de punição por mau comportamento - de pagar as dívidas do estado e de quem vive à sua custa.

Alguns (incluindo funcionários dessas instituições e outros iluminados) dirão, indignadíssimos, de dentes afiados como um cão que se sente ameaçado de ficar sem osso para roer:

 - "que se lixem esses pobretanas que não querem pagar pela cultura, quando vão às discotecas também não pagam?! Quando vão ao cinema também não pagam?! Então se querem ir a um museu paguem e não bufem que isto não é o da Joana e lá fora também se paga e muito mais!!! (pois não, não são da Joana, são património nacional, são herança histórica, são de quem cá vive, são dos contribuintes, são do povo que todos os dias paga impostos, para entre outras rubricas do Orçamento de Estado, os manter abertos, e não podemos ter comparações com "lá fora", nem em termos de qualidade ou quantidade de espólio, nem de preservação, nem de nível de vida/dinheiro nas carteiras)"

Outro dirão, de ombros encolhidos, de sorriso semi-desdentado e coçando a cabeça com o polegar (como um símio a tentar perceber como um cubo cabe num buraco em forma de triângulo):

 - "Valham-nos os piqueniques grátis da cadeia de hipermercados em associação ao cantor pimba que isso é que é cultura!! Ah, claro, e também o futebol!!!"

Eu infelizmente, direi, sem qualquer tipo de orgulho: "valha-nos o British Museum (and god save the queen!)"


Mr Anger às 14:00
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Quarta-feira, 11 de Setembro de 2013

A selva humana

 

A jovem adolescente era sem duvida apetecível, roçaria a legalidade efectiva dos 18, mas no mundo dos homens já mandava cartas e virava cabeças. O jovem inseguro e de olhar de quem sofre de patologias mentais não ficou indiferente às suas formas e pele cor de canela. Sentou-se a seu lado e fixou-lhe o olhar, tal leão faminto para a graciosa gazela. O homem comum, sentado de frente, observava tudo e não dava grande importância enquanto lia Saramago. O jovem inseguro, de olhar vazio de alma humana mas voraz sede animal passou ao ataque, e tentava agora, discretamente com as pontas dos pérfidos dedos, tocar  e sentir o calor dos glúteos e das coxas da rapariga, que devido a sua tenra idade, e por pudor, negava estar a ser molestada em público por um anormal. O homem comum, conseguiu conter-se por 1 paragem e meia, depois, pragmaticamente levantou-se, olhou profundamente nos olhos do jovem esquisito e telepaticamente disse-lhe:

 

- "continuas com essa atitude animalesca idiota e humanizo-te!"

 

Nunca saberemos se foi verdade ou se a telepatia existe, mas nesse dia a humanidade ganhou...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

WELCOME TO THE JUNGLE - "Appetite for Destruction"
Axl Rose, Slash, Izzy Stradlin, Duff McKagan, Steven Adler

 

Welcome to the jungle we've got fun and games
We got everything you want honey, we know the names
We are the people that can find whatever you may need
If you got the money honey we got your disease

In the jungle, welcome to the jungle
Watch it bring you to your knnn knne knees, knees
I want to watch you bleed

Welcome to the jungle we take it day by day
If you want it you're gonna bleed but it's the price to pay
And you're a very sexy girl that's very hard to please
You can taste the bright lights but you won't get there for free
In the jungle welcome to the jungle
Feel my, my, my serpentine
Ooh, I want to hear you scream

Welcome to the jungle it gets worse here every day
Ya learn to live like an animal in the jungle where we play
If you hunger for what you see you'll take it eventually
You can have everything you want but you better not take it from me

And when you're high you never ever want to come down
So down, so down, so down, yeah

You know where you are?
You're down in the jungle baby, you're gonna dieee
In the jungle welcome to the jungle
Watch it bring you to your knees, knees
In the jungle welcome to the jungle
Feel my, my, my serpentine
In the jungle welcome to the jungle
Watch it bring you to your knees, knees
In the jungle welcome to the jungle
Watch it bring you to you
Its gonna bring you down, ha!

 

 

 

 


Mr Anger às 09:45
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Quarta-feira, 31 de Julho de 2013

The head bone's connected to the foot bones

 

 Já não corro para apanhar autocarros! Não por inépcia física ou fundamentalismos, não o faço, desisti de o fazer, ou melhor, deixei-me disso!

 

A experiência diz-me que acaba sempre por vir outro a seguir e muitas das vezes com lugar perto da porta de saída e sem velha com cheiro a mijo de gato ao nosso lado!


Mr Anger às 09:35
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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013

A vida é bela

 

Um homem sorri estupidamente e fica assim de cremalheira à mostra, estático, por não menos que 15 segundos, sem som, num transporte público, uma pêga pedante de comportamento adolescente cheia de moralismos e estrangeirismos inusitados publica na Internet mais uma cronica fútil sobre qualquer merda que comprou ou viu numa montra da cidade - e que acabará por publicar num agregado de matéria fecal consumista a que orgulhosamente chamará de livro. Uma celebridade qualquer de quinta categoria, vendedor sabujo de saloiada, figura de proa de programas de estupidificação de massas, reality shows ou paquiderme da decadente jet7 volta à ribalta porque removeu um caroço numa clínica privada e fazem uma reportagem no lançamento do seu livro de baixa percentagem comissional: "sobrevivi a um cancro".

 

Um homem comum e absurdo embebeda-se mais um dia e cai desamparado na berma da estrada, afogado na lama, as contingências da sorte ou do azar não o levam ao atropelamento por parte de um sedan de 5estrelas ncap comprado em regime ALD conduzido por um homem de família afogado em dividas e desolado por mais um aumento das taxas ao consumo. Em casa uma mulher espera que o marido chegue, com a esperança que um dia ele nunca mais venha, ou volte renovado, porque por agora, entre promoções de detergentes, telenovelas e tábuas de engomar, está presa a um projecto de vida decadente e a um filho que se revela cada vez mais um idiota, triste resultado de uma gravidez não desejada, da ejaculação precoce, e da excitação alcoólica de dois ou três copos de vinho tinto barato a mais. O sol desce/lua sobe, a lua desce/sol sobe.

 


Mr Anger às 10:00
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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013

Lucky strike


O destino alicerçado em crenças pessoais, ornamentado de raras estrelas que nos ofuscam de brilho, a tempos, ou de cavalos brancos alados que passam sem sela na nossa frente, são seguros.

Acreditar em nós funciona sempre, mas por direito adquirido, sem espaço para a osmose ou para as teorias espíritas de linhas telefónicas de valor acrescentado. Não existe sorte por sorte, ou arvores de fruto sem origem na semente.


Mr Anger às 09:30
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Terça-feira, 19 de Março de 2013

Objectivamente delirante


"Foi ali, naquele preciso momento, entre o refogado de frango e a massa a cozer na água borbulhante que eu percebi, como uma criança que desvenda um segredo que só devia perceber em adulto, que tudo isto não passa de uma enorme palhaçada sem tenda, que é tudo uma grandessíssima falácia, uma enorme e maquiavélica teoria de manipulação esquizofrénica, isto se eu quiser ser bonzinho e deixar os bois órfãos de nome, porque se eu começasse praqui a cavar rumo à verdade, ui, meu amigo, furava um buraco de um lado ao outro do mundo, desenrolava um infinito novelo que daria pano para mangas, costas e frentes de muitas camisolas de lã! Não controlamos nada, nada! E os jornais? Telejornais? Telenovelas? Reality shows? Redes sociais? Artes? Tudo ao serviço da grande máquina, tudo rodas dentadas da grande debulhadora de vidas e sonhos que nos persegue e sufoca, aqui não há lugar para os fracos, mas mesmo que sejamos fortes e lutemos, no fim, acabamos todos por ser ceifados!"

E que pode um homem convergente com o conceito de normalidade fazer perante tal cenário? Como agir ou o que dizer perante tais argumentos?

Aplaudir e dar uma palmadinha nas costas?  Enxotar e mostrar repudio? Sugerir uma consulta num psiquiatra amigo com falta de clientes? Lançar para o ar uma frase feita ambígua e aproveitar para ingerir a cerveja enquanto esta não está em modo moribundo?


"Infelizmente o parquímetro ficou-me com os trocos todos, mas sempre ouvi dizer que salvação é ali com o senhor que mora na casa de estranha arquitectura!"


Mr Anger às 09:45
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Sexta-feira, 15 de Março de 2013

Girino


Então e agora, segues para onde, qual é o caminho afinal? Será o norte magnético ou o vagar desnorteado? Juntas-te ao enorme rebanho ou voltas ao oásis isolado? Que escolhes tu, encarar o mundo de frente ou voltar-lhe as costas? Viver afogado na realidade palpável e avassaladora (sem fugas) ou anestesiado no que acreditas, pedaços de ilusão comprados a retalho com e sem factura, que livremente induzes no teu corpo viciado em paisagens inexistentes? Então, e agora, segues os ponteiros do relógio ditador, vendes-te?! Ou escolhes a falsa liberdade castradora das horas amorfas perdidas em ti?

Então e agora, que os sonhos já não podem ser devolvidos, arriscas ou jogas pelo seguro? Assistes à corrida ou entras nela?

(no fim, a escolha/vida será/é sempre a tua)


























CAVALOS DE CORRIDA
- "Cavalos de Corrida (Single)"
António Manuel Ribeiro - Renato Gomes

Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem, a violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis
Agora é que els passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida, eh

Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh


Mr Anger às 13:00
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Burros (de carga) pensantes


No dia em que todos os burros se recusarem a puxar a carroça (seja qual for o motivo, justiça, cansaço, teimosia...), outros terão que a puxar por eles (consequência), ou então esta ficará parada - eternamente - no mesmo sítio (facto).

É tudo uma questão de percepção: quem somos, o que queremos, o que podemos fazer!

(o impossível cessa ao realizar-se)


Mr Anger às 10:30
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012

As flores no teu cabelo - sonhador - cheiram a plástico barato


Mais uma semana que começa com sol e passarinhos nos beirais, contentes de estarem vivos, entoando odes chilreantes entre o silêncio sepulcral do n°11 da Calçada da Ajuda e a cacafonia, ao fundo, dos demagogos em amenas ou acirradas cavaqueiras de carrocel, insurgidas a espaços apenas pelas sombras de um qualquer teatral dedo inquisidor bem levantado aos céus e um tom de voz mais colocado, destemido, triunfal, épico... mas estéril e inconsequente (como fica bem!).

As pernas andarilhas, as vozes enrouquecidas e as solas de sapato desgastadas durante o fim-de-semana já nem se notam entre aqueles que chegam agora ao trabalho, mudos e adormecidos, ou entre aqueles que agora de chinelos enviam gritos de ajuda em forma de esperançosos currículos electrónicos matutinos, ensonados, ou os que ainda descalços preferiram ficar abraçados à almofada, fugindo dos sonhos partidos... onde a esperança vive com ordem de despejo!

Esperavas algo de novo? (Nada, só um treze no Totobola)

 



















DREAMER - "Crime of the Century"
Supertramp - Rick Davies, Roger Hodgson

Dreamer, you know you are a dreamer
Well can you put your hands in your head, oh no!
I said dreamer, you're nothing but a dreamer
Well can you put your hands in your head, oh no!
I said "Far out, - What a day, a year, a laugh it is!"
You know, - Well you know you had it comin' to you,
Now there's not a lot I can do

Dreamer, you stupid little dreamer;
So now you put your head in your hands, oh no!
I said "Far out, - What a day, a year, a laugh it is!"
You know, - Well you know you had it comin' to you,
Now there's not a lot I can do.

Well work it out someday

If I could see something
You can see anything you want boy
If I could be someone-
You can be anyone, celebrate boy.
If I could do something-
Well you can do something,
If I could do anything-
Well can you do something out of this world?

Take a dream on a Sunday
Take a life, take a holiday
Take a lie, take a dreamer
dream, dream, dream, dream, dream along...

Dreamer, you know you are a dreamer
Well can you put your hands in your head, oh no!
I said dreamer, you're nothing but a dreamer
Well can you put your hands in your head, oh no!
OH NO!



Mr Anger às 10:30
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012

A moda dos cintos apertados


O "nosso" PM vai falar hoje ao País, e em particular aos contribuintes (os principais interessados). Tal monólogo ditado será lido ao final da tarde pelas 19:15 (antes da dose semanal de futebol).

Vamos estar então de ouvidos bem abertos (estendendo tal gesto a outras partes do corpo, obviamente) para recebermos de forma passiva as novas tendências de austeridade para o próximo OUTONO/INVERNO, e que aparentemente, segundos rumores de bastidores, a grande novidade passa por usar os cintos ainda mais apertados!!

Dizem que depois de tal desfile de novas medidas, fica bem rematarmos indignados com algum comentário de resignação como por exemplo:

- "É a crise, o que é que se pode fazer..."


A minha opinião - bastarda - é que Portugal precisa urgentemente de uma mãe para lhe dizer, como qualquer mãe digna de o ser:

- "Meu filho, cuidado com as companhias, não devias andar metido com agiotas e vigaristas!!"







 
























PORTUGAL, PORTUGAL
- "Acto Contínuo"
Jorge Palma

Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar


Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar


Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar



Mr Anger às 15:45
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2012

Os contribuintes (ou os bois chamados pelos nomes)

Pouco sentido fará a contestação, a tentativa de mudança e a revolta, porque nos dizem que hoje em dia já não existem ideais. E pouco sentido fará a justiça, porque nos dizem que disso nunca houve. Pouco sentido fará o amor, porque afinal de contas dizem-nos que isso é coisa mal-inventada para explicar o inexplicável, os saltos acrobáticos de hormonas animalescas não visíveis a olho nu e que sobretudo as relações hoje em dia já não funcionam, que são obsoletas, antiquadas, fora de moda. Pouco sentido farão também as palavras, porque nos dizem que afinal de contas já foi tudo dito e/ou feito, e que a novidade – se surgir! - será sempre uma réplica barata do original. Pouco sentido fará sonhar, porque nos dizem que isso é bonito, mas principalmente tolo, infantil e ingénuo. Pouco sentido fará tentar ser feliz, ou mesmo ser feliz, porque nos dizem que já o somos, e que a vida é "mesmo assim". Pouco sentido fará ter filhos, porque nos dizem que o mundo se tornou demasiado perigoso, caro e que eles são um empecilho, estranguladores das nossas preciosas vidas singulares e atarefadas. Pouco sentido fará exijir que as Artes sejam sinónimo de qualidade ou tragam dentro de si alguma mensagem, porque nos dizem que elas são apenas um negócio, e que as pessoas já não gostam de cinema, só de filmes, já não gostam de música, só de batida, já não gostam de teatro, só de novelas, já não gostam de livros, só de vampiros e demais títulos sugestivos, e que por isso qualquer coisa serve para entreter. Não faz sentido tentar fazer algo de útil, ou tentar ser reconhecido apenas pelo nosso talento e trabalho, porque nos dizem que basta apenas aparecemos num reality show insípido, no caça-talentos da moda, na internet a fazer/dizer parvoíces. Não faz sentido querer vestir uma camisa aos quadrados ou uma t-shirt às riscas, porque nos dizem que a moda de hoje é vestir camisa às riscas e t-shirt aos quadrados. Não faz sentido querer ter um bom emprego, querer ter um horário, ou esperar um contracto de trabalho, uma habitação a preço justo, porque nos dizem que isso era no antigamente, no tempo das "vacas gordas". Não faz sentido exigir um serviço nacional de saúde universal, um acesso livre e igualitário ao ensino, um estado social, uma reforma, porque nos dizem que isso é uma utopia, que é a crise e que nós somos os culpados. Não faz sentido sermos honestos, verdadeiros ou querermos mudar o mundo, porque nos dizem que ele sempre foi assim, perverso, onde uns quantos poderosos mandam e subjugam, e uns quantos milhões obedecem, resignados, e vivem no limbo dos desafortunados, a matarem-se entre si, de costas voltadas, desunidos, fraticídas.

Sejamos então esse povo bom, o bom povo que temos de ser, ordeiros, e vamos contentar-nos com isso uma vida inteira, sobrevivendo, dando graças aos tempos modernos onde "uma sardinha felizmente já não tem de ser dívidida por 4 e onde já toda a gente tem televisão", e vamos continuar assim, entretidos pela inveja ao carro em 2ª mão do nosso vizinho a proporcionar a boa vida que outros nos reclamam e exigem pelo suor do nosso esforço, vamos contribuir e calar, acompanhar a novela da 4 e o talk show da 3, e seguir a dieta da revista para mulheres, e a fofoca na revista com nome de mulher, e comentar a mulher boa que vinha nas paginas centrais da revista para homens, na conversa inflamada entre homens por causa de golos com bolas que não entraram e foras-de-jogo mal assinalados comprovados mais tarde em grafismo vectorial por tasqueiros doutorados que aparecem em programas para lá dos 90 minutos de jogo, e continuemos assim, a desfazermo-nos do nosso ouro à mixórdia agiota propangandada pelo sorriso mentiroso de uma qualquer cara conhecida, a pagar o nosso dízimo constitucional sem exijir ou esperar direitos, vivendo no medo, e cantarolando o melhor mega-hit de sempre (dos próximos 2 meses) que as rádios vomitam em playlist, autênticos peões kamikaze no xadrez da vida, com as cabeças inundadas de confusão, vazio, pressão e de bolsos cheios de aplicativos informáticos que nos transformam em automátos de ultimo grito (e obviamente, socialmente bem aceites).

E no fim, porque somos seres humanos e contribuintes, e as aparências da liberdade forçosamente precisam de existir, de tempos a tempos empenhamos o nosso cartão de cidadão com veemência, e de olhos rasgados de esperança assinamos em cruz - entre direitas e esquerdas de forma alternada - o nosso destino, o nosso triste fado.

Para alguns isto continua a fazer todo o sentido... (pudera!)



Mr Anger às 12:30
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

Isto é um fato...

 

 

 

 

...e cá estamos nós, como sempre, subservientes desta realidade, a procura de um eterno sonho libertador, ou no mínimo, de um sono castrador que venha depressa, embalados pela mesma cantilena tristonha com cheiro a mofo, de sorriso forçado escondendo as carências, num processo evolutivo estagnado onde os anos passam mas não andamos, continuamos imóveis neste passadiço de cadência controlada, com um qualquer Tony (que não é António) a enfadar-nos os headphones, mais uns quantos "por amor de Deus" lançados ao vento com perdigotos em meia dúzia de frases feitas temerárias e de jornal desportivo debaixo do braço, porque no fim, nada muda, ou mudou, o que interessa mesmo é que o clube vermelho ganhe ao das riscas azuis e brancas, ou verdes e brancas, o que seja, em cavazada se possível, para ser menos dolorosa a ingestão do tinto, ou do branco, ou do fumo, ou do comprimido que me torna num cidadão mais bem comportado, e continuamos assim, curvados sobre nós mesmo, cheios de independências e verdades só nossas (que isso é que é ser livre!!), alegres da silva, como sempre, vamos a jogo sem trunfo apenas porque nos dizem que a lotaria só sai a quem joga, e fazemos magia sem coelhos na cartola, damos o corpo às balas sem acreditarmos em defensores ou nobres, nem em chicos-espertos que nos livrem, nem em fumos brancos, que neles já perdemos a esperança, e de palavras ocas já emprenhamos pelos ouvidos, mais que as vezes necessárias, temos o útero inchado e lasso de tanto sapo parir, e o sexo dorido, de tanto sermos fornicados... ou como se diz nesta língua bífida de Camões e Pessoa: transados... ou como se diz na minha terra: fodidos!!

 

 

 

 

 

 

QUANDO FALA UM PORTUGUÊS - "Anjo da guarda"

António Variações

 

Quando fala um português
Falam dois ou três
e o seu número a aumentar.
São outros tantos a falar

Ai! São tantos a falar
Quando fala um português
Falam dois ou três
Todos se querem escutar

Ninguém espera a sua vez
Ah! ninguém se quer calar
Pois tem direito a respeitar
Mas a conversa está a aquecer

Ai já estão a desconversar
Já ninguém se está a entender
Ai! Já estão todos a gritar
Ai! Que o insulto é de corar

A ameaça está no ar
E o punho está-se a fechar
Com tendência a piorar
E eu não paro de atiçar...

 


Mr Anger às 12:00
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Terça-feira, 15 de Junho de 2010

Amor em formol

 

Uma vez, por uma vez, escrevi-te um poema, coisa singela e pequena, confesso, já fiz, possivelmente, bem melhor ou mais pomposo, mas por vezes são momentos, e sabes bem que nunca tenho por adquirida essa razão injusta de quantidade ser qualidade (nunca me fez o género), as palavras podem ser parcas mas ricas de sentimentos, de alma, como se junto delas pudesse não ir só a razão de as escrever, mas também um pouco de mim, um pouco mais do que apenas dedos a premir teclas com intuito de soarem bem quando lidas em voz alta ou naquela discreta voz muda, apenas mordiscada suavemente pelos lábios, num escritório pouco dado a emoções ou num quarto abafado de memórias de vida curta, com música semi-alta a tocar no fundo (apenas porque sabe bem extravasar as emoções e gritar alto: "estou viva").

 

Nesse dia pensei em ti, e nesse dia pensei em nós, e hoje, aqui, olhei para trás e vi que no teu lugar estava outra...

 

 

(... mas o poema permaneceu teu) 

 

 

 

   

 
 
LOVE ME TWO TIMES - "Strange Days"

The Doors - Robby Krieger

 

 

Love me two times, baby
Love me twice today
Love me two times, girl
I'm goin' away
Love me two times, girl
One for tomorrow
One just for today
Love me two times
I'm goin' away

Love me one time
I could not speak
Love me one time
Yeah, my knees got weak
But love me two times, girl
Last me all through the week
Love me two times
I'm goin' away
Love me two times
I'm goin' away 
All right, yeah! 

Love me one time
I could not speak
Love me one time, baby
Yeah, my knees got weak
But love me two times, girl
Last me all through the week
Love me two times
I'm goin' away

Love me two times, babe
Love me twice today
Love me two times, babe
'Cause I'm goin' away
Love me two time, girl
One for tomorrow
One just for today
Love me two times
I'm goin' away
Love me two times
I'm goin' away
Love me two times
I'm goin' away

 

 


Mr Anger às 19:00
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

Introdução à Economia: "Valor de Mercado"

 

Quando tratamos todos como meras pedras da calçada, nunca percebemos que existem diamantes... quando tratamos todos como diamantes, estes perdem o seu valor e transformam-se em pedras da calçada... pois os diamantes dependem da sua quantidade mínima (escassez) para serem especiais.

 

Sejam justos (tenho dito)!

 

 


Mr Anger às 14:30
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Domingo, 7 de Março de 2010

Pensamento à janela... (de cotovelos em pedra fria)*

 

 

 

 

 ...certas questões morrem solteiras (preguiça, amor, ódio, saudade e vingança), porém, se tudo se soubesse não se faziam perguntas, não se procurariam respostas, dentro e fora do que somos. Em certos dias, falta-me o ar, fisicamente, de “prensa no peito” e tudo a que tenho legitimamente direito, mesmo com tanto espaço, sufoco de liberdade, na ânsia de ter de regressar a essa prisão, que afinal apenas reside em mim, cárcere construído de raiz, tijolo por tijolo pelas minhas próprias mãos (culpa), cela de aparência modesta e populada de incertezas, de bibelôs de medo nas prateleiras, lençóis por desmanchar.

 

Suspiro “ais” ao vento e recordo também "suspiros", os bolos de elevadas calorias que tantas vezes comi em miúdo, e que me despertam para o corriqueiro pensamento de como o tempo passa depressa - e de como facilmente se perde tempo - se avançam ponteiros e se arrancam folhas do calendário, 10 anos foram ontem, 20 anos a semana passada, e o que fica guardado ? Pouco e mesmo assim vago. Resumo (e reduz-se) tudo a um pequeno novelo, condensado, (como uma gaveta cheia de quinquilharia, onde se guarda de tudo) de fotografias e filmes de pessoas, objectos, situações e sítios, mas que parecem sempre poucos, que parecem sempre não conseguir fazer jus a uma vida plena de emoções, como se mais se pudesse ter feito, como se mais pudesse ter sido possível de fazer, como se mais nada se pudesse acrescentar (de novo), como se o inverno tivesse vindo para ficar, frio e ameaçador, e eu de edredon por meter na cama mas já a sofrer de antecipação por o não ter posto e que, nesse medo, me perco e acabo por não pôr, sofrendo efectivamente do frio que tinha medo de sofrer.

 

Tenho tudo, sempre consegui tudo, mas abertamente falando, que tenho eu? Meia dúzia de conformismos burgueses, meia dúzia de manias revolucionárias, frases feitas, arrogância, desdém, algo a que chamo amor quando quero ser amado, pouco mais, nunca houve muito mais que isto, certamente...

 

Recordações, sempre elas, mas porquê guardar na memória, acontecimentos tão simples e aleatórios como encontrar um "pé de pato" da Churchill Makapuu  nos seus tons originais, azul de ponta amarela, num passeio estival no principio da década de 90 perto da praia da Almagreira? Não faz sentido, era só um, ainda por cima um gigantesco "L" e nem sequer fiquei com ele... isso ou recordar com exactidão historias de outros, contadas ou vistas, melhor que os próprios. Nada disso é aparentemente útil ou utilizável, mas ironicamente, também sei coisas que nunca ouvi, vi ou conheci, mas sei o que contam, o que são, o que me querem dizer, tal como desconhecidos que sabemos serem fruta podre, confirmados na primeira trinca gulosa, cuspida de seguida, mostrando o verme que a devora.

 

Saudades, eternas saudades, saudades de "tio patinhas" e pipocas com açúcar debaixo de um alpendre de um quintal que já não existe, na companhia de um cão que já morreu, tenho saudades de pescarias hoje em dia impossíveis, de caminhadas pela praia cada vez mais improváveis...


(tive isso tudo um dia na palma da mão aberta, mas agora de mão fechada, tenho medo de a voltar a abrir, e não encontrar... nada)

 

 

* Sara também pensa assim, mas só nos dias em que a chuva vem e bate na janela virada para o rio (Douro)...
 

 


Mr Anger às 14:00
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Just a little pin prick (palavras sem fotografia)

 

Pensava eu que o mundo acabaria – mais tarde ou mais cedo – por ceder simpatias, coisas dispersas e avulsas (raras), de cheiro a mofo de não usar, descontinuadas, mas felizes. Não passou tudo de mera expectativa, da pior ilusão, enganei-me no espelho (olha para ti, sou eu) um acumular de contínuos “Dons Sebastiões” em espera que a meteorologia lhes desse uma manhã de nevoeiro cerrado e esperançoso, que tardou sempre em chegar, e onde após debelar a negação, se descobre que mesmo o mais cerrado de todos não encobre nada, é fumo de um fogo comum, apenas um ligeiro camuflado, pequena brisa suja, manto de tecido leve, que distorce mas não esconde ou trás nada que não estejamos à espera, eterno embrulho de presente que pelo toque sabemos sempre serem meias de desporto contrafeitas, e que, por suposição, experiência, mas nunca sorte, quase que adivinhamos a cor branca, eterna frustração de quem sabe sempre o que lhe espera, hoje, amanhã e depois, Tigre amansado que vive num habitat controlado, genérico, pouco expressivo, desgastante, forçado, definido, pois tudo é-lhe "explicitamente numas/aparentemente noutras" dado, nada obtido por esforço real ou vontade própria, tudo em troca de uma falácia, de uma ilusão, de um gesto maquinal de fera, uns quantos abrires de boca de tédio (bocejos) e revolta (rosnares)…

 

 

O Tigre não faz ron ron
O Tigre só quer caçar
O Tigre nunca foi bom
É fera que quer matar

 

 

Não quero mais comer dessa carne, oferecida em mão, talhada de seu nervo, de ossos escolhidos a dedo, de níveis medidos, analisados, não quero beber mais água límpida, filtrada, aditivada, quero o que calha, o que me calha, o que mereço, parem, por favor parem!! Libertem as amarras invisíveis, mordaças mentais, eu estou a rosnar, enfurecido, não é felicidade, não quero os vossos sorrisos, não me tirem fotos, estas árvores não são daqui, foram aqui plantadas, estas pedras fazem parte dos sonhos de uma Arquitecta, de um Biólogo, de alguém, não foi a natureza que as escolheu… eu não sou daqui… eu não pertenço aqui… eu não sou livre, não sou o que estão a ver… metam uma ponte no fosso e eu juro que passo, eu juro que trinco, mordo e mato… julgam-me mal… não simpatizo com as vossas simpatias… preservar dizem vocês… amor dizem sentir… amor por vocês sim, mas não me façam de joguete, marioneta do vosso egoísmo, demanda de em tudo mandar, de tudo subjugar, estou cansado dos vossos gostos, regras e vontades… quero morder o braço frágil e quebradiço de uma criança, não me conhecem, quero matar 2 ou 3 antes de ser sedado, quero sentir o sangue quente de uma jugular a escorrer-me pela garganta, quero lamber as minhas patas pastosas de sangue coagulado, quero ser odiado, quero que alguém se arrependa de me ter pensado bonito e dócil, não sou peluche, não sou producto de prateleira de hipermercado nem personagem ternurenta de filme domingueiro de animação, quero ser abatido se for preciso, morrer a tentar viver …

 

Deixem-me mostrar o que sou, o que realmente sou, pois até agora não sabem ou conhecem nada…nada!!!!

 

 

O Tigre não está mansinho
O Tigre não está quebrado
O Tigre não quer um destino
De outros para ele traçado


 

E uma besta fechou os olhos, seguiu a viagem do livre arbítrio, nesse caminho pintado a negro, breves segundos espaçados de um flash, invadidos depois de cor, das coisas que queria e quer, de lugares onde nunca esteve mas sonha, de coração acelerado que pára, mas que numa eternidade indefinida e secreta…ecoa…

 


Mr Anger às 16:45
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Não me apetece jantar - (ad I)

 

Na parte imaterial do ser humano encontrei isto:
 
"...Lembro-me bem - quase tanto como do teu sorriso, da ternura do teu toque e do cheiro da tua pele - dos jantares perfeitos, de mesa composta, pratos, copos e talheres, de bases de pratos e de tachos, preservando a mesa da cozinha ou sala, e dos guardanapos que toscamente colocava nos copos, como se a moldura tivesse de ser perfeita. Cozinhávamos amor em lume brando, eu e tu, revezados consoante o tempo, a vontade, tudo de sabor intenso. Recordo receitas de peixe, carne, sobremesas, doces e abraços enquanto se mexia o arroz.
 
Não passa um dia que não recorde, por mais que pareça impossível, e dá um certo reconforto saber que é assim, embora doa, porque quando é verdade não se esquece, não se apaga, não se substitui ou mata, se fosse fácil, ilusão ou deslumbramento atirava-se para trás das costas ao primeiro beijo alheio, mas não, todos os dias lá estás tu, de novo, e em silencio digo: amo-te... e penso que amor assim deveria estar exposto no Louvre, para todos verem, admirarem e sentirem.
 
Não passa um mês que não recorde datas - faça contas - ou um sitio/situação que não sinta a tua falta, ou algo novo, qualquer situação que não tenhamos vivido em que não pense como seria contigo, como gostaria de ser chato e explicar-te o motivo, a razão e funcionamento. A partilha será eterna, porque os almas são peças perdidas de um grande puzzle, e duas peças iguais não se juntam, mas as nossas diferentes encaixavam na perfeição, tais como os corpos, um ao lado do outro, perfeitos.
 
Parece e soará sempre a loucura, exagero, eloquência, mas sinceramente, e convicto das minhas totais capacidade mentais - por si só uma falácia - Isso importa ? Isso impede que seja verdade ? A minha verdade é só uma e confesso que é amor, foi e será sempre amor...
 
... e quando é amor damos tudo, e quando damos tudo, resta-nos nada, e é com esse nada que temos de continuar..."
 
 
 
O amor, os sentimentos, são incêndios descontrolados com que as pessoas gostam de brincar, reduzidos á dimensão de fósforos...
 
(e depois...)
 

 

 
 
JOÃO E MARIA  – (sem álbum de estúdio)
Chico Buarque – Sivuca, Chico Buarque

 

 

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinés

 

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

 

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido

 

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
 

 


Mr Anger às 22:30
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Entre coisas

 

Nunca culpes (condenes) quem te enterra, o coveiro, mas quem vai dentro do caixão... tu!

 


Mr Anger às 00:08
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Artigo descontinuado (ruptura de stock)

 

Not For Sale / Não Se Vende

 

 

"Estimados Clientes,
 
Devido á elevada procura do artigo ("My Love/O Meu Amor") vimos por este meio informar que o artigo em causa encontra-se actualmente em ruptura de stock por ter sido descontinuado por parte do fabricante, e que segundo o próprio se deveu ao facto do mesmo se encontrar obsoleto e inadequado  às actuais exigências do mercado, não nos tendo sido fornecida qualquer informação adicional sobre a previsão de chegada de novas encomendas, ou mesmo de nova produção (ou substituição).
 
Aproveitamos este comunicado para também desmentir os constantes rumores que as últimas unidades do artigo viriam a estar disponíveis para venda num futuro próximo a preço reduzido, em campanhas de "leve 2 pague 1" ou com desconto em período de saldos.
 
Não obstante este facto, pelo qual somos totalmente alheios, pedimos desculpa pelo incómodo causado e aconselhamos V.Exas. a passarem pela secção de novidades, onde poderão encontrar alternativas mais recentes, actualizadas e já em conformidade com as leis vigentes e que servirão as mesmas necessidades (possivelmente até de forma mais eficiente).
 


Gratos pela atenção dispensada,
 
 
Com os nossos melhores cumprimentos
 
 
  
 

A Gerência"

 


Mr Anger às 19:28
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