Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Just a little pin prick (palavras sem fotografia)

 

Pensava eu que o mundo acabaria – mais tarde ou mais cedo – por ceder simpatias, coisas dispersas e avulsas (raras), de cheiro a mofo de não usar, descontinuadas, mas felizes. Não passou tudo de mera expectativa, da pior ilusão, enganei-me no espelho (olha para ti, sou eu) um acumular de contínuos “Dons Sebastiões” em espera que a meteorologia lhes desse uma manhã de nevoeiro cerrado e esperançoso, que tardou sempre em chegar, e onde após debelar a negação, se descobre que mesmo o mais cerrado de todos não encobre nada, é fumo de um fogo comum, apenas um ligeiro camuflado, pequena brisa suja, manto de tecido leve, que distorce mas não esconde ou trás nada que não estejamos à espera, eterno embrulho de presente que pelo toque sabemos sempre serem meias de desporto contrafeitas, e que, por suposição, experiência, mas nunca sorte, quase que adivinhamos a cor branca, eterna frustração de quem sabe sempre o que lhe espera, hoje, amanhã e depois, Tigre amansado que vive num habitat controlado, genérico, pouco expressivo, desgastante, forçado, definido, pois tudo é-lhe "explicitamente numas/aparentemente noutras" dado, nada obtido por esforço real ou vontade própria, tudo em troca de uma falácia, de uma ilusão, de um gesto maquinal de fera, uns quantos abrires de boca de tédio (bocejos) e revolta (rosnares)…

 

 

O Tigre não faz ron ron
O Tigre só quer caçar
O Tigre nunca foi bom
É fera que quer matar

 

 

Não quero mais comer dessa carne, oferecida em mão, talhada de seu nervo, de ossos escolhidos a dedo, de níveis medidos, analisados, não quero beber mais água límpida, filtrada, aditivada, quero o que calha, o que me calha, o que mereço, parem, por favor parem!! Libertem as amarras invisíveis, mordaças mentais, eu estou a rosnar, enfurecido, não é felicidade, não quero os vossos sorrisos, não me tirem fotos, estas árvores não são daqui, foram aqui plantadas, estas pedras fazem parte dos sonhos de uma Arquitecta, de um Biólogo, de alguém, não foi a natureza que as escolheu… eu não sou daqui… eu não pertenço aqui… eu não sou livre, não sou o que estão a ver… metam uma ponte no fosso e eu juro que passo, eu juro que trinco, mordo e mato… julgam-me mal… não simpatizo com as vossas simpatias… preservar dizem vocês… amor dizem sentir… amor por vocês sim, mas não me façam de joguete, marioneta do vosso egoísmo, demanda de em tudo mandar, de tudo subjugar, estou cansado dos vossos gostos, regras e vontades… quero morder o braço frágil e quebradiço de uma criança, não me conhecem, quero matar 2 ou 3 antes de ser sedado, quero sentir o sangue quente de uma jugular a escorrer-me pela garganta, quero lamber as minhas patas pastosas de sangue coagulado, quero ser odiado, quero que alguém se arrependa de me ter pensado bonito e dócil, não sou peluche, não sou producto de prateleira de hipermercado nem personagem ternurenta de filme domingueiro de animação, quero ser abatido se for preciso, morrer a tentar viver …

 

Deixem-me mostrar o que sou, o que realmente sou, pois até agora não sabem ou conhecem nada…nada!!!!

 

 

O Tigre não está mansinho
O Tigre não está quebrado
O Tigre não quer um destino
De outros para ele traçado


 

E uma besta fechou os olhos, seguiu a viagem do livre arbítrio, nesse caminho pintado a negro, breves segundos espaçados de um flash, invadidos depois de cor, das coisas que queria e quer, de lugares onde nunca esteve mas sonha, de coração acelerado que pára, mas que numa eternidade indefinida e secreta…ecoa…

 


Mr Anger às 16:45
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45 comentários:
De Ironia a 8 de Dezembro de 2009 às 01:24
Então?
O Tigre adormeceu??
:-I)


De anomada a 8 de Dezembro de 2009 às 02:03
Mais uma vez, um lindo texto. Parabéns.


De Ironia a 14 de Janeiro de 2010 às 01:25
Olha, o valentão do tigre hibernou mesmo!! Deu à sola, que é como quem diz, deu às 4 patas...
:-)


De Cartanaoenviada a 21 de Janeiro de 2010 às 15:19
O dono deste blog evaporou?esperava mais de si do que acobardar se.Volte!


De Mr Anger a 21 de Janeiro de 2010 às 22:42
Caro(a) Cartanaoenviada (nome que suscita pensamentos de coragem:))

Um pouco do (grande) Ary para animar o serão:

"Serei tudo o que disserem
Por inveja ou negação:
Cabeçudo dromedário
Fogueira de exibição
Teorema corolário
Poema de mão em mão
Lãzudo publicitário
Malabarista cabrão.
Serei tudo o que quiserem:
Poeta castrado, não!

Os que entendem como eu
As linhas com que me escrevo
Reconhecem o que é meu
Em tudo quanto lhes devo:
Ternura como já disse
Sempre que faço um poema;
Saudade que se partisse
Me alagaria de pena;
E também uma alegria
Uma coragem serena
Em renegar a poesia
Quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
A força que tem um verso
Reconhecem o que é seu
Quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
-É tão vulgar que nos cansa-
Mas que dizer de uma bala
Num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
-a morte é branda e letal-
Mas que dizer da memória
De uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
O poema dia a dia?
-Um bisturi a crescer
Nas coxas de uma judia;
Um filho que vai nascer
Parido por asfixia?!
-Ah não me venham dizer
Que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
Por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
Falso médico ladrão
Prostituta proxeneta
Espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!"

"Poeta castrado, não"
Ary dos santos - Resumo


Mr Anger (soy un ratón... a bateria:))


De Cartanaoenviada a 22 de Janeiro de 2010 às 10:47
Parece-me bem que seja a bateria,os a pilhas são muito dispendiosos :D É preciso mais coragem para não enviar uma carta do que para envia la ...Gosto de Ary...mas mais de Si.Não cite,incite!Escreva!


(Cara,sou uma -A, do genero muito feminino singular)


De Ironia a 22 de Janeiro de 2010 às 13:21
Caro Mr . Anger ,
Esteve bem nesta sua resposta à carta não enviada. Usou ironia q.b. :-)

Vim aqui para responder à carta não enviada.
Desta vez e, quiçá, só desta vez, vinha "armada" em sua defensora... vi a sua resposta e gostei:-

Já agora aproveito, mesmo, para fazer a sua e a minha defesa...
Fugir, de uma sociedade podre - recursarmo-nos a adaptarmo-nos a injustiças - não é cobardia nenhuma.
Na minha perspectiva, fugir pode ser uma atitude muito lúcida, uma busca de sobrevivência, um caminho de emancipação.
Só foge em direcção ao desconhecido, quem sabe estar entregue a si próprio, uma espécie de órfão social.
Ao fugir, o/a fugitivo/a enfrenta riscos e perigos até então ignorados, sabendo de antemão que está por sua conta e risco... Não depende de ninguém que lhe dê a mão, a troco de cobranças. Tem a coragem de se opor ao resto do mundo, que caminha de mãos dadas acriticamente... lixando a vida aos mais frágeis... isso, é o que vejo nos "adaptados" sociais, engolem tudo... não questionam referências... repetem padrões... não questionam nada, nadinha... só perpetuam o: "que se lixem os mais fracos"...

Há alturas em que é preciso dizer "Basta!", saber dar um rotundo "Não!".
Não vou por caminho já trilhado e nauseabundo, quem trilha o meu caminho, sou eu.

(Só não gostei - repito - do tigre que se vinga na criancinha indefesa... No fim e ao cabo, não passa de repetir um padrão de violência social... acho eu "de que"...).

Não mando, nem peço ao Mr . Anger que volte. O Mr . Anger voltará se e quando lhe apetecer... Se foi para a selva desbravar mato e apanhar ar, acho que fez muito bem. Revela boa sanidade mental.
Se/Quando lhe apetecer regressar a casa, cá estaremos para lhe dar as Boas-vindas, ou não... :-)

Que cada tenha a coragem de fugir, de ir desbravar mato, sempre que não se identicar com uma sociedade apática, abúlica e perversa.
Ora, só tenho a desejar ao Mr . Anger : Uma boa viagem e que ao perder-se do mundo, se reencontre a si próprio... Boa Viagem, Mister!


De AUFDERMAUR a 26 de Janeiro de 2010 às 02:05
Cara Ironia

Não obstante eu concordar com tudo aquilo que você escreveu acerca dos "adaptados" sociais, há alturas em que percebemos que "it takes blood and guts to be this cool but I'm still just a cliche"...

Mel


De Ironia a 27 de Janeiro de 2010 às 10:22
Caríssima AUFDERMAUR,
I didn't get it!
Why are you still just a cliche? What makes you a cliche? Don't you have anu other options??
Could you explain?
Ah, e já agora... também sinto curiosidade acerca do seu nick. Por que razão AUFDERMAUR? (se não for segredo, claro!)
Cumprimentos,
Ironia


De AUFDERMAUR a 27 de Janeiro de 2010 às 21:58
Cara Ironia:

O meu nick não tem nada de secreto:D Roubei e adaptei o apelido da Melissa Auf Der Maur. Pura e simplesmente porque sou fanática pela Courtney Love. Em tempos ela escreveu que era "the centre of the universe"... e do meu universo é mesmo. Ora, dado que eu nunca usaria o nome dela como meu, escolhi o da Melissa porque ela já teve o lugar na vida da Courtney que eu gostava de ter (num mundo ideal, claro). E sempre me posso orgulhar da Courtney já ter visitado o meu Hi5:D

Quanto a ter outras opções, todos nós temos quanto mais não seja entre a espada e a parede, entre a nossa vida e a nossa felicidade e a dos outros. Temos é que estar preparados para as consequências dos nossos actos. Não costumo tomar muitas decisões na minha vida, entrego-me nas mãos do destino, onde ele me levar é onde eu vou... A vida já me ensinou que o que tiver que acontecer acontece... E todo o mal que eu puder evitar eu evito.

Quanto a ser um cliche, where do I begin... There's so many things I could tell you about that...


De Ironia a 28 de Janeiro de 2010 às 10:34
Cara AUFDERMAUR,
Muito obrigada por ter esclarecido a minha curiosidade.

Sabia que "auf der maur", quer dizer "na parede"?? "Mauer" em alemão da Suíça é "muro" ou "parede". Cara auf der maur, não se deixe ficar encostada à parede. Que atitude tão passiva!
Estranhei esta sua frase:"Não costumo tomar muitas decisões na minha vida, entrego-me nas mãos do destino, onde ele me levar é onde eu vou... A vida já me ensinou que o que tiver que acontecer acontece..."
O melhor é mesmo tomar decisões sobre a nossa vida.
Olhe que se eu me tivesse entregado ao destino já não faria parte do número dos vivos...
Ah, pois! "O que tiver que acontecer, acontece...". De facto, há umas quantas tragédias na vida, onde não somos nem vistos nem achados...
Mas, quanto ao resto temos muitas opções. Eu cá prefiro tomar muitas decisões na minha vida, nem que seja para fracassar colossalmente... Confrontar-me com o meu estrondoso fracasso...Nem que fique toda estilhaçada!!! Com os fracassos aprende-se muito!!! (mais não seja aprende-se a dizer: Não! Não vou mais por aí...). Nem que seja a reunir os pedacinhos da alma, "gather together around my soul and heart" e seguir em frente... aprendendo alguma coisa pelo caminho, de preferência...
Então, a cara AUFDERMAUR tem como fãs, e referências, duas mulheres que só fizeram "esmagadores disparates" na vida (trataram-se tão mal, a si mesmas... "ele" foi drogas, "ele" foi bater com os ossos na cadeia, "ele" foi casar com o marado do Kurt Kobain... e o diabo a 4...) e fica passivamente à espera que o destino decida por si???
Mesmo assim, não será preferível ir à luta pela sobrevivência e bater umas quantas vezes com a cabeça na parede (aprendendo alguma coisa de útil...) a ficar encostada à parede à espera que o destino a abata de vez??? Eis a minha questão!
Ficar especada na parede à espera que o destino se cumpra? Nem pensar... Ora favas, eu já estaria num lindíssimo caixão! :D :D


De AUFDERMAUR a 28 de Janeiro de 2010 às 18:10
Wow! I'm in love!
Estou a brincar mas realmente adorei o seu comentário:) Mais uma vez lhe digo que assino por baixo, concordo em absoluto com tudo o que escreveu. Mas às vezes cansamo-nos de estar sempre a remar contra a maré e sabe bem passarmos uns tempos como "adaptada" social. Eu olho para eles todos os dias e a verdade é que eles são mais felizes que eu. A minha "mana" (não é mas não vou entrar por aí) tem 23 anos e já foi casada 3 vezes, tem uma filha de dois anos, só tem o 9º ano e é despedida de todos os empregos porque tem mau feitio, o primeiro marido batia-lhe, o segundo nem tive tempo de o conhecer e o terceiro traiu-a com uma das melhores amigas dela. Resultado, separaram-se, ela ficou sem casa e agora está na do meu pai com a filha e, como o meu pai não tem muita pachorra para os problemas dos outros, está sempre em pânico que alguma coisa lhe desagrade e ele a ponha fora de casa. Se fosse eu estava desfeita mas ela não, dois dias depois de sair de casa do marido já estava no msn a falar com outro tipo e a combinar encontros:S Passa o tempo todo a ouvir e cantar quizomba e música brasileira (o que não contribui em nada para a minha sanidade mental), a falar com "amigos" na net e a combinar saídas à noite e saltos de paraquedas:S Fogo, deixem-me ser cliche por uns tempos se isso me fizer assim feliz como ela... Deixem-me saber o que é ter uma família, ainda que ela só me trate como uma princesa para agradar ao meu pai, com quem só estão por dinheiro anyway... Deixem-me saber o que é ter alguém que me ama e que cuida de mim, ainda que isso implique ter que fazer cedências. A Courtney que é a a raínha dos inadaptados também teve os seus anos de adaptada e a verdade é que eu nunca a vi tão bem e feliz como naquela altura. E porquê? Porque lhe apareceu um Edward Norton que a salvou dela mesma o que implicou transformá-la numa pessoa completamente diferente. Foram bons tempos até que ela acabou por voltar ao que era, eles separaram-se e ele arranjou uma Salma Hayek como noiva e ela virou-se para miúdos mais novos, tipo Julian Casablancas.
É como o meu pai me disse há uns meses "Não te vou dizer que sou feliz porque não sou mas é a vida que eu tenho!"...

Mel


De Ironia a 28 de Janeiro de 2010 às 19:45
Cara AUFDERMAUR,
Discordo de si nalgumas coisas.
Ninguém transforma ninguém..., isso é conto de fadas!
Cada um se transforma a si próprio, se quiser... quando quiser... como souber...
Se optar por ser passiva, já é uma opção: a de ser passiva... à espera do quê???
Se o destino nos prega algumas partidas bem fortes, eu prefiro ir-lhe pregando algumas partidas bem mais fortes...
É preciso fintar o destino, pregar-lhe umas rasteiras valentes... A mim, o destino só me vence na hora da morte. Até lá, andamos a medir forças...
É a vidinha!
Sempre que possível, prefiro ser eu culpada/responsável pelo que faço, ou não faço, do que deitar as culpas para cima do destino (pelo menos quando está ao meu alcance mudar a minha sina...).
Ah e cara comentadora, deixe-me dizer-lhe que se não for cada um de nós a cuidar de si próprio/a, bem podemos esperar sentados que alguém venha cuidar de nós...
Vá reler o post sobre "O Bêbado" aqui, neste mesmo blogue, e entenderá que quando alguém está de rastos, prostrado, não faltam sapatos para pisar ainda mais...
Razão tem o Mister quando foge para a selva...
(As madres Teresas de Calcutá são raríssimas no mundo! O melhor, AUFDERMAUR, é ir cuidando bem de si... e surpreenda o destino! Mostre-lhe os dentes... Dê-lhe um coice valente!!! :D :D)


De AUFDERMAUR a 4 de Fevereiro de 2010 às 02:46
Cara Ironia:

Eu não sou nenhuma Madre Teresa de Calcutá, muito longe disso! Tenho imensos defeitos e peco quase todos os dias. Aliás, se houver justiça no mundo na minha próxima vida eu vou ser uma daquelas criancinhas que morrem de fome em África. Mas se há coisa que eu já percebi é que a vida não é justa. Há tantas pessoas com uma vida saudável, que não fumam, não bebem, não tomam drogas, praticam desporto, não têm vícios e, de um momento para o outro, aparece-lhes uma doença e elas morrem ainda novas. Já eu, ando há mais de uma década a fazer tudo aquilo que supostamente nos dá cabo da saúde e nos mata e nada me pega, nem sequer uma ligeira constipação.
Quanto a não haver quem cuide de nós, eu também passei muitos anos da minha vida a pensar assim até que apareceu alguém que me mostrou que eu estava enganada. Eu sei o que é ter alguém que cuide de mim como quem cuida da própria vida, que cuide de mim muito melhor do que eu alguma vez seria capaz. É claro que quem faz isso nem sempre pensa nos nossos interesses e muitas vezes leva-nos pelo caminho mais conveniente para eles. Mas isso nunca é feito com maldade, mas sim com e por amor. E isso desculpa tudo, ou não?
É curioso que tenha mencionado o post "O bêbado"... esse post faz-me lembrar alguém que uma vez me explicou que não conseguia ser feliz 24 horas por dia, que sentia necessidade de ser infeliz... E o que é que uma pessoa faz quando a pessoa que ama lhe diz isso... eu não entendo - não me importava mesmo nada de ser permanentemente feliz - mas tenho que respeitar e acompanhá-la nesses momentos... Quando alguém nos diz que só é feliz connosco, que quando estamos juntos tudos é perfeito até mesmo esses momentos de infelicidade (pelos vistos, quando fazemos as pazes parece que eu o amo mais e o facto dele me conseguir fazer chorar prova que eu o amo). Que tipo de argumentos é que se usa perante afirmações destas?
Desde muito nova que eu sempre fiz o que queria e bem me apetecia porque não tinha que dar satisfações a ninguém, porque nunca ninguém quis saber, porque os meus actos nunca foram relevantes na vida de ninguém. Eu estou em casa do meu pai e acredite que eu até me podia estar aqui a matar que se a minha madrasta entrasse aqui dizia-me qualquer coisa como "Deixa-te estar filhinha! Estás à vontade. Desculpa ter-te incomodado". E não me estou a queixar! Prefiro essas atitudes dela do que a porcaria dos abracinhos falsos! Com este tipo de coisas lido eu muitíssimo bem com quem me ama é que nem por isso, muito menos com quem me ama de uma forma avassaladora, capaz de destruir tudo e todos à volta. Quantas e quantas vezes optei por ser passiva com medo do que qualquer gesto, atitude ou até mesmo olhar pode desencadear. Quando se está num ciclo descendente tudo se relativiza. Por exemplo, quando descobrimos que o nosso namorado nos segue ficamos assustadas e revoltadas até ao dia em que descobrimos que ele também segue a nossa melhor amiga para ver se descobre onde nós estamos e aí pensamos que seguir-nos a nós até é normal (até já estamos habituadas), a nossa amiga é que não!


De Cartanaoenviada a 26 de Janeiro de 2010 às 10:25
Dona Ironia,

Não quero "castrar" poeticamente o mister, nem obriga lo a escrever palavras "a metro" apenas porque o quero ler.Ele que fuja , que se encontre (se é que está perdido), que corra o mais longe que conseguir até parar para se ajoelhar no chão a inspirar violentamente. O meu "Volte!Escreva!" é apenas a migalha que eu lhe deixo para que ele encontre o caminho de volta.


De Ironia a 27 de Janeiro de 2010 às 10:06
Ora, Cara Cartanaoenviada,

Já dei uma gargalhada com a sua resposta :-)

"O meu "Volte!Escreva!" é apenas a migalha que eu lhe deixo para que ele encontre o caminho de volta."

Adoro gente com sentido de humor!!!
Essa tirada de deixar migalhas no caminho para que o Mister encontre o caminho de volta, fez-me lembrar o conto de infância "A Casinha de Chocolate", só que os passarinhos vieram e "paparam as migalhas" e os pobres coitados foram parar à casa da bruxa má para a "engorda".
Não deseje, cara carta, semelhante destino ao "Anger". Ele que liberte a Raiva... Deixe-o andar à solta selva... :-)

Deixo-lhe uma sugestão, em vez de migalhas, envie cartas, muitas cartas, com mapas e GPS ao Mister, ajude-o a orientar-se, i.e., se ele quiser orientação... :-)

In the meantime, keep up your sense of humour!
Gostei!


De Cartanaoenviada a 27 de Janeiro de 2010 às 16:02
Cara Ironia,

Até mantinha...se o tivesse :D Não vou em modernices, os Gps mandam nos para ruas sem saida, as cartas não chegam ao remetente.Melhor mesmo é migalhas! Deixo lhe migalhas de suspiros!Brancos e doces com creme no interior.Ele vai come las e voltar para cá tão depressa que não ha passaro nem Francis Obikwelu que lhes toquem! :D


De AUFDERMAUR a 27 de Janeiro de 2010 às 20:47
Tem toda a razão cara Cartanaoenviada! Já dei por mim mais do que uma vez num beco sem saída e o GPS continuava a dizer "Siga em frente"! Ou então andar mais de meia hora às voltinhas à volta da casa do meu pai porque, apesar de eu saber o caminho, alguém insistiu em seguir o GPS e ele estava um bocado confuso... Cuidado com os Tom Tom, são um perigo!!!
Mas migalhas de suspiros brancos e doces com creme no interior também não me parece nada bem porque com o vento que está o mais provável é elas se espalharem e dificultarem o caminho para casa... e, mesmo que um milagre as mantenha imunes às forças da natureza, da maneira que o Mr Anger é dado ao pecado da gula o mais certo é elas o conduzirem ao hospital com uma grande indigestão. Ainda se fossem migalhas de bolachas como as que eu estou a fazer agora:D

Agora fora de brincadeiras, esqueçam as migalhas porque "O Tigre não quer um destino de outros para ele traçado!"

Mel


De Ironia a 27 de Janeiro de 2010 às 22:07
Bem, este blogue anda a ficar "bué da divertido"! Eu cá vou sempre para onde haja sentido de humor...
"As tristezas não pagam dívidas" e cada um de nós só tem uma vida para viver. É verdade, é!!! (Abram os olhos, pá!)

Cartinha suspirante,
Suspire, suspire muito :D :D. Isto é, lance suspiros docinhos aos quatro ventos... (adoce a raiva "indomável" do Mister... :D)
De certeza que o Mister é guloso! (Ó p'ra ele... pela-se por doces! Gulodices!)
O Anger é um rabugento feroz, naquela costela em que sai à mãe, mas é um cavalheiro ternurento, na costela em que sai ao pai(ou vice-versa!). É um "Sir", este Anger. (No fundo, os revoltados só querem é doces. A vida amargou-os muito).

(O Mister não gosta muito de ironias, mas isso já é outra história...)

Ó Mister se/quando voltar dê-nos um post politicamente mordaz. Foi com essa conversa (lembra-se?!?) que o Sir Anger me desafiou para vir aqui espreitar... 'Bora lá desabafar sobre o OE, ou o menino d'ouro...ou...ou...ou...


De Ironia a 27 de Janeiro de 2010 às 10:30
Caro Mister Anger,

Já lhe tinha dito o quanto apreciei este título? "Just a little pin prick (palavras sem fotografia)"
Esteve bem. Apreciei muito o seu gesto!
É preferível textos sem fotografias, do que ter fotografias que hummmmm...... hummmmmmmm.... como hei-de explicar???
Cumps,
Ironia


De Mia a 25 de Fevereiro de 2010 às 16:34
Dentro do mesmo espírito :


"Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Eu não gosto

Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infractores
E banidos

Eu respeito conveniências
Eu não ligo para conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de mal tratos

Mas o que eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Eu não gosto

Eu aguento até os modernos
E os seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E as suas verdades perfeitas

O que eu não gosto é do bom gosto (...)

Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldia

E... eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Eu não gosto

Eu gosto dos que têm fome!
Dos que morrem de vontade!
Dos que secam de desejo!
Dos que ardem!

(...)"

Senhas, Perfil, Adriana Calcanhoto

Agora, podes voltar a escrever?


De Mr Anger a 25 de Fevereiro de 2010 às 23:20
Sim, posso :)

Obrigado

Mr Anger


De Mia a 1 de Março de 2010 às 13:43
Estamos à espera...desde o ano passado.


De Mr Anger a 2 de Março de 2010 às 01:03
Hum, espero que não sejas tu e um cão sequioso do meu sangue (e carne !!!)

De qualquer maneira, e por favor, sem querer soar pedante ou "olhem para mim tão importante só porque escrevo num bloguezinho", acredita que não é uma pausa planeada, cheia de propósitos, é apenas porque ainda não foi altura de deixar entrar a mosca... ou será de sair...?! hum... :D

Prometo que será para breve... mas não fiques à espera de grande coisa... basicamente... chuva no Inverno, sol no Verão, e nos entretantos, aguaceiros e tempo ameno ;)


Mr Anger (a floreada besta)


De Mia a 5 de Março de 2010 às 16:13

Para Mr Anger (o auto intitulado de "floreada besta"):
Não estava à espera que visse os seus leitores como uma matilha, ou que reduzisse as suas frases a um osso ou ração. Isso sim pareceria pedante. (Ainda que goste dos que têm fome e morrem de vontade). Já a falta de inspiração é uma justificação como outra qualquer. Agora, sem querer parecer sequiosa, e deixando bem claro que o interesse que tenho é o mesmo que teria no seguimento numa telenovela com tiradas honestas, devo dizer-lhe que mesmo que não estivesse à espera de grande coisa, não ficaria, com certeza, à espera de constatações meteorológicas ...


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