Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Amor de Estio (ou quase...)

 

 

Eu e tu... mais um dia das nossas vidas comuns, incomuns das restantes, pensamos nós absortos na nossa realidade única e linda. Conheço-te bem a alma, sei a pessoa que és, conheço de cor o teu sabor, o teu perfume, e tu sabes quem sou, do mesmo jeito, não precisamos de o pensar... sabemos... não precisamos de o dizer... sentimos...

 

Não existem outros, só nós, as pessoas à nossa volta, os milhares espalhados pelo mesmo areal, ávidos de 4 ou 8 horas de Sol não passam de figurantes de uma peça qualquer, indiferente para o caso, e nós espectadores em toalhas juntas sob areia fofa, olhamos e apontamos defeitos... e rimo-nos disso, rimo-nos deliciosamente da vida e da felicidade que temos... das coisas simples como calções e fatos de banho ridículos, penteados, figurinhas e famílias socialmente funcionais que para nós são o contrario... e depois eu beijo-te e tu trincas-me a língua... e dizes-me ao ouvido coisas que me fazem corar... e eu faço o mesmo e tu disparas um angélico e impostor:

 

- "Parvo!"

 

E ris-te, provocante, mordendo o lábio inferior e dando-me um beliscão na barriga, cúmplices no crime do amor, julgados e culpados á pena máxima.

 

Fica-te bem a pele bronzeada (já te disse) – tão linda! - O Sol realça-te ainda mais a beleza, os teus olhos ficam mais brilhantes, e os lábios mais apetitosos, mas amo-te de igual forma, o máximo permitido pelos poetas, infinitamente... adoro beijar a tua pele salgada, e de fazer amor contigo ao chegarmos da praia, do hall de entrada para o quarto, com toalhas e roupas cheias de areia deixadas pelo chão despreocupadamente (limparemos os dois mais tarde), e depois do quarto para o chuveiro, onde o sal dos nossos corpos se dilui com a água tépida e o calor dos beijos...

 

"Nunca pensei que fosses real... meu amor..." digo-te eu, entrando em conflito com a realidade, como se fosse impossível ser tão belo e temesse, mesmo que por breves momentos, acordar apenas de um sonho...

 

Calas-me a boca com um beijo, de desejo, transformamo-nos em diabos arfantes, de respiração profunda e compassada, de corpos amantes, sedentos, devoramo-nos contra os azulejos de olhos fixos um no outro... indescritíveis… e dizes-me...

 

"Mas sou... e tu também"

 

 

Amor vincit omnia

 


Mr Anger às 13:26
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70 comentários:
De heidi a 16 de Junho de 2009 às 15:08
Existe uma grande diferença entre o ser-se considerado um cavalo selvagem, e o viver essa plenitude. Todos nós, temos as nossas selas. Não interessa quem as colocou lá. Na maioria das vezes, a culpa divide-se entre a própria pessoa e a sociedade. Por muito que eu me considere uma free soul, vai existir sempre condicionalismos. Infelizmente. O tal "simplesmente simples" que eu falei num coment acima... na maioria das vezes, torna-se num " complicadamente... complicado". Existem muitos fantasmas que nos levam por esse caminho. Fruto das nossas experiências acumuladas ao longo dos anos. o que é normal. Afinal, somos seres sociais. Não vivemos dentro de uma ilha deserta. Logo, tudo se resume a uma "amalgama" de uma confusão entre sentimentos positivos, e sentimentos negativos. No que irá resultar? cada um de nós depois gere a nossa ilha onde co-habitam os nossos sextas-feiras.



De AUFDERMAUR a 16 de Junho de 2009 às 17:48
Cara heidi
As suas palavras tocaram-me fundo. Estou a ver que há mais talentos neste blog para além do Mr Anger :-)
Sabe, há cavalos que iniciam logo a sua vida com uma sela pesada demais da qual, por ainda serem indefesos, não se conseguem libertar. Passam anos a sonhar com o momento em que serão livres de todas as amarras, fazem planos, constroem ilusões... E, quando esse tão ansiado dia finalmente chega, passam a ser free souls que só querem viver tudo o que antes lhes era proibido, vão atrás de tudo que sonharam durante anos, pensam "Finalmente vou ser feliz"... E erram, tropeçam, caem, desiludem-se, choram, sofrem e não têm ninguém que lhes dê a mão, que as conforte, que lhes limpe as lágrimas e lhes diga "Vai ficar tudo bem". E é aí que elas percebem que a vida com uma sela é muito triste mas é segura... já se sabe com o que se conta, de onde vem o perigo e tem-se uma pessoa para quem somos importantes (quaisquer que sejam os motivos) porque, caso contrário, tirava-nos a sela e deixava-nos partir... E percebemos que as verdadeiras free souls são seres solitários que partilham momentos felizes com elas mesmas.
E quando elas estão completamente perdidas na vida, nelas mesmas, aparece a primeira pessoa que lhes estende a mão e lhes diz com sinceridade "Fica comigo! Eu amo-te e vou proteger-te de todos os perigos". E aí a free soul percebe que tudo o que sempre quis foi ser importante na vida de alguém... e deixa-se ir... e quando percebe tem novamente uma sela... e tudo se torna "complicadamente... complicado" porque aceitar a sela é ir contra a sua própria natureza mas rejeitá-la é voltar a um mundo que só a fez sofrer...
Conclusão da história: se a vida fosse um conto de fadas eles seriam felizes para sempre... Mas, como a vida é real, há todo um árduo caminho a ser percorrido...


De heidi a 16 de Junho de 2009 às 22:47
Aqui, a escrever, será facil responder. Estamos protegidos atrás do ecran de um computador. Escondidos no meio das palavras. Na realidade, não aquela onde existem travessias paranormais das internetes, o mundo é bem diferente.
O problema aqui não é a libertação da sela... ou o regressar à mesma. Todos podemos fazer escolhas. Presume-se que existe um livre arbitrio por parte de cada ser racional. É inerente à nossa qualidade autonoma. O que realmente questiono, é se antes de cada um de nós atingir esse tipo de liberdade, não teremos de fazer uma instrospecção à nossa alma vs ser. Ou seja, será que antes de corrermos atrás desses caminhos, que para muitos não passam de "simples" desejos, primeiro que tudo, não terá de existir um auto-conhecimento? Porque presumo... que só dessa forma, conseguiremos propor metas... objectivos... compor a nossa personalidade... atingir o nosso estar pleno... de modo a que cada vez que haja uma queda... a força seja o de tentar levantar o tronco do chão, ao invés de corrermos no sentido oposto por causa dos tais fantasmas que fomos criando quando estavamos presos. Senão, de que serve a libertação?
Acredito que a maior parte da tristeza que existe por esse mundo fora, seja fruto, da "despersonalização" que a sociedade incentiva em cada um de nós. Um dá as ordens... os outros colocam as tais selas. Um diz "A", e o resto diz "A". Mas... e o resto do abecedário?
Sim, vale a pena amar. O poder da entrega. O dizer "amo-te". Mesmo que não dure para sempre... aqueceu-nos naquele instante! Sim, doi sofrer. Mas prefiro sentir... ao invés de ter de morrer viva.



De Mr Anger a 16 de Junho de 2009 às 23:40

CAVALOS DE CORRIDA - (Single)
UHF - António Manuel Ribeiro / Renato Gomes

Agora é que a corrida estoirou,
E os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem,
A violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos,
Violando todas as leis
Agora é que eles passam ao assalto
E fazem-no por qualquer preço

Agora, agora,
Agora, agora,
Eu és um cavalo de corrida
Agora, agora,
Agora, agora,
Tu és um cavalo de corrida

Agora é que a vida passa num flash
E o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre
É a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo,
A jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido,
Procurando abrir passagem

Agora, agora,
Agora, agora
Tu és um cavalo de corrida
Agora, agora,
Agora, agora
Tu és um cavalo de corrida, eh



(Muito esclarecida cara Heidi, e Mel também, estou a adorar a conversa, façam de contas que nem aqui passei ;))

Mr Anger (o espectador)


De AUFDERMAUR a 17 de Junho de 2009 às 00:39
É impressão minha ou eu passei de cavalo selvagem a cavalo de corrida?
Estamos nós aqui a falar de assuntos sérios, cheias de filosofia e psicologia, com um ar pensativo em frente ao PC, a reflectir em cada palavra escrita... e eis que, de repente, entra um snipper pela pista e coloca uma gargalhada nas caras de toda a gente :-)
Ironias do destino, o snipper tem o sugestivo nome de Mr Anger... Deveria destilar ódio em todas as direcções mas, pelos vistos, é verdade que o amor e o ódio se podem fundir num só mesmo...


De heidi a 17 de Junho de 2009 às 00:49
Um pouco de humor também aligeira a discussão. E é uma boa musica! Um dos hinos da minha geração. :) E sim, o ódio e o amor são duas caras da mesma metade. Lados opostos, mas de força igual.


De heidi a 17 de Junho de 2009 às 00:44
A si caro mr anger respondo-lhe com isto... :)

"Mais do que a um país
que a uma família ou geração
mais do que a um passado
que a uma história ou tradição
tu pertences a ti
não és de ninguém

Mais do que a um patrão
que a uma rotina ou profissão
mais do que a um partido
que a uma equipa ou religião
tu pertences a ti
não és de ninguém

Vive selvagem
e para ti serás alguém
nesta viagem

Quando alguém nasce
nasce selvagem
não é de ninguém"

Resistência
"Nasce selvagem"

:)


De AUFDERMAUR a 17 de Junho de 2009 às 01:09
ADOREI heidi!!!
Quem nasce selvagem será sempre selvagem, quanto mais não seja na alma... Nessa jamais alguém conseguirá pôr uma sela!
E, no fundo, o que realmente importa na vida é a felicidade, seja qual for a forma com que ela se nos apresenta... mesmo que essa forma seja uma sela chamada Amor, que cabe a cada um ajustar à sua medida :-)
Eu não vou atrás do Amor, vou atrás da Felicidade... E se ela não estiver onde julgo, reconheço o erro e sigo em frente :-) E se um dia eu descobrir um caminho diferente para a alcançar, cabe-me apenas a mim decidir qual deles é aquele que quero seguir :-)


De Rita a 17 de Junho de 2009 às 15:00
Mas por vezes, por mais caminhos trilhados e opções alternativas tomadas, nem sempre a felicidade está virada para nós...


De heidi a 18 de Junho de 2009 às 16:21
Pode não estar virada para nós... mas também não podemos desistir de a encontrar. Eu não acredito no tal "fado", para o qual supostamente estamos destinados. Quem trilha o nosso caminho somos nós. Quem faz as escolhas que nos dizem respeito... somos nós. Mal ou bem... temos de as assumir. Se cairmos... choramos... sofrermos... só temos de nos levantar e seguir em frente. Se tiver de ser... comprando novos bilhetes para outros destinos. Não podemos é deixar de viver porque temos medo de...


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