Terça-feira, 4 de Julho de 2017

O amor (é) de alguém


A verdade matemática não explicava nada, os anos das datas de nascimento impressos nos cartões de ambos não coincidiam, embora os meses estivessem caprichosamente perto e a década fosse a mesma. Não existem subterfúgios, a vida e os seus indecifráveis planos e circunstâncias, juntou-os, separou-os e inesperadamente juntou-os de novo, neste caso para unir, num acaso de pormenores e coincidências, pequenos jackpots do jogo da vida. A verdade é que alguém tinha medo de se dar, apenas porque já se tinha dado outras tantas vezes e as mesmas tantas vezes tinha-se dado mal. Alguém já não se queria dar mais - assim - porque a vida é de partilha e não de compromissos de "novela da noite" ou de espartilhos de liberdade.

Alguém jurou que nunca mais se permitiria a ser paquete turístico em escala no mar do amor, na pasmaceira da obrigatoriedade de uma média ponderada (indexada a uma qualquer Euribor de romance) de contactos diários e das recorrentes demonstrações de afecto para internautas & outros verem, e mesmo que a navegar ao sabor da maré, iria certamente afastar-se da correnteza naufragante dos ciúmes e das subsequentes figuras patéticas que por aí assombram.

Alguém aprendeu com alguém que o amor é uma coisa bonita, cheia de ingenuidades e castelos cor-de-rosa, mas não tão perfeito como anunciam, isso, alguém aprendeu com outro alguém. No fim a felicidade não se importa com definições estrangeiras de amor ou paixão.

Alguém reparou que a vida dá-nos sempre, se formos justos, aquilo pedimos e que de certa forma, fazemos por merecer. Alguém aprendeu a assumir e a não julgar os defeitos dos outros, a ser mais tolerante e a não estabelecer nas relações uma garantia vitalícia baseada em coisas que nos ultrapassam, mas apenas porque gostamos de estar com alguém que simplesmente ouve, sente e pensa em sintonia connosco, e que nos aceita, ou tolera, em quase todos os feitios, sobretudo nos péssimos, de manhã ao acordar e ao fim do dia, e que nos fazem sentir melhores pessoas, não apenas por palavras, mas nos pequenos e grandes gestos que nos fazem crescer, abraços e beijos que nos fazem sentir compreendidos, e porque não, amados...

 

...isso ou apenas mais uma bola de neve a deslizar do cume do Evereste!

 

 

YOU CAN'T ALWAYS GET WHAT YOU WANT - "Let It Bleed"

Richards / Jagger

 

I saw her today at the reception
A glass of wine in her hand
I knew she was gonna meet her connection
At her feet was footloose man
You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes well you might find
You get what you need
 
I went down to the demonstration
To get my fair share of abuse
Singing, "We're gonna vent our frustration
If we don't we're gonna blow a 50-amp fuse"
You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes well you just might find
You get what you need
 
I went down to the Chelsea drugstore
To get your prescription filled
I was standing in line with Mr. Jimmy
And man, did he look pretty ill
We decided that we would have a soda
My favorite flavor, cherry red
I sung my song to Mr. Jimmy
Yeah, and he said one word to me, and that was "dead"
I said to him
You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes well you just might find
You get what you need
You get what you need, yeah, oh baby
 
I saw her today at the reception
In her glass was a bleeding man
She was practiced at the art of deception
Well I could tell by her blood-stained hands
You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes well you just might find
You just might find
You get what you need
You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes you just might find
You just might find
You get what you need
 

Mr Anger às 23:40
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Sábado, 1 de Julho de 2017

Cuida de ti, pequeno Godzilla #2

Se te limitares a aprender apenas o que te querem ensinar, nunca vais saber realmente nada.


Mr Anger às 10:30
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Sexta-feira, 30 de Junho de 2017

O contracto (em actualização)

 

Quando chegares aos 67, faz log-off.

(e fecha a porta)


Mr Anger às 01:31
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Segunda-feira, 8 de Agosto de 2016

Cuida de ti, pequeno Godzilla #1

 

Se passares a vida a fazer apenas aquilo que te pedem, nunca passarás de um escravo.

 


Mr Anger às 09:15
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

Regras base - Sobre(a)vivência #2

 

Nunca apontes uma arma a um gajo que tem as mãos nos bolsos

 


Mr Anger às 08:30
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2015

Factual mundano - Autocarros

 

A velha ao meu lado tem a fralda cagada,

Estou preso a esta assento, mortalha

Entro em apneia. Respiro!

Perco a batalha...

Conversas triviais ao telemóvel,

No banco de trás do transporte

Palavras avulsas que me obrigo a ouvir, num desatino,

Por imposição de um tom de voz desproporcional á situação,

O resto é indecifrável,

Um misto atabalhoado de sons

Não percebo crioulo,

À minha frente um intenso ataque de tosse

Convulsões, espirros, fungadelas

Todo um misto de doenças à la carte,

Entro as fezes da velha e a doença

Reparto esta apneia,

Esta teia,

Chega a minha vez

Stop! Parto. Respiro.

A cidade é minha aldeia

 


Mr Anger às 09:15
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Mau karma (ou azar ao jogo?)

 

A verborreia assalariada dos apostadores da léria da sorte dos concursos de azar, euromilhões de milhões de gananciosos apostadores num shot de nada, sonho paupérrimo da ínfima possibilidade de mudar aquilo que nunca deixarão de ser - miseráveis de espírito - defende a pés juntos que já o sabe e vomita em qualquer conversa, da banal mesa de café á secretária administrativa de mogno da multinacional onde exploram e são explorados que: "o dinheiro não é tudo"

 

No entanto, no marasmo de emoções estéreis e avarentas em que se tornaram todos os segundos da sua existência, esquecem-se constantemente - ou fazem-se de esquecidos - que na verdade -  na mais pura das verdades -  os momentos únicos não possuem etiqueta, são inquantificáveis monetariamente, e que o que se faz com o tempo é - paradoxalmente - imensurável. Esquecem-se sistematicamente, obtusos na ganância, que um restaurante de luxo não passará nunca de um restaurante, taberna, casa de pasto, tasco, lugar onde se passa e paga demasiado, e que por mais bela vista panorâmica que tenha não chegará nunca aos calcanhares de sandes abocanhada no sopé da montanha, em plena natureza primaveril, que nenhuma piscina interior, aquecida e desinfectada, baterá alguma vez o mergulho - espontâneo e livre de amarras e azulejos - no rio, que nenhum bólide alemão, na pura definição do prolongamento do ego mal resolvido, poderá alguma vez rivalizar com o chaço empoeirado da nossa juventude, repleto de ferrugem e sonhos, revisões fora da marca, sem receios de avarias, e que o tempo contado, matemático, esse será sempre o mesmo, sejam 60 segundos de Rolex ou de Timex fajuto da Praça de Espanha, pois o que fazes com ele é que realmente define o seu valor, e no fim importa! Calvin Klein's com manchas de sémen ressequido serão sempre cuecas, pano amarrotado com manchas de sémen ressequido, apenas isso e as memórias dessa noite, só a boa ou má experiencia perdura e segue, estrada fora, vida fora, na eternidade efémera ou não das coisas.

 

Lê o livro, faz o filme, visita, vibra, grita, canta, sua, corre, pula, ama, que o dinheiro é vicio, a ganância do consumo um jogo de azar, um dado viciado onde apostas tudo, até a vida, (sempre) para perder.

 

(Abre os olhos!)

 

 

MONEY - "Dark Side of The Moon"

Roger Waters

 

Money, get away
Get a good job with more pay and you're okay
Money, it's a gas
Grab that cash with both hands and make a stash
New car, caviar, four star daydream
Think I'll buy me a football team

Money, get back
I'm all right Jack keep your hands off of my stack
Money, it's a hit
Don't give me that do goody good bullshit
I'm in the high-fidelity first class traveling set
And I think I need a Lear jet

Money, it's a crime
Share it fairly but don't take a slice of my pie
Money, so they say
Is the root of all evil today
But if you ask for a raise it's no surprise
That they're giving none away
Away, away, way
Away, away, away

 


Mr Anger às 00:01
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Jogos de vida

 

Por mais peças que mandes abaixo, no Xadrez só ganhas quando derrubas o Rei.

 


Mr Anger às 00:50
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Modem em sincronismo

 

Aperaltados, azucrinados, desfigurados sem absolvição. Em que biblioteca acumula pó o livro do saber? E quem o leu? Onde moram as pessoas reais? Para onde vai o imposto audiovisual? Quais as minhas percentagens de consumo e despesa na sociedade? Onde está guardada a minha ficha e quem a consulta? Porque raio ninguém acerta na meteorologia? Porquê esperar sorte num jogo que se auto-intitula de azar? Há de facto publicidade não enganosa? Qual o seu real propósito? O arroz basmati também chega aos pobres e sem-abrigo da ajuda alimentar? E importa?

 


Mr Anger às 09:15
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Verdades (in)discutíveis

 

Regra n°1:

Nunca emprestes dinheiro, nunca fies droga

 


Mr Anger às 00:10
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Natureza morta com pormenores de betão armado

 

Cidade suja, fétida, de calçadas povoadas de fezes caninas, beatas, pastilhas elásticas na forma de  pequenos borrões pretos espalmados no chão, de transportes públicos nauseabundos corridos de bancos almofadados embebidos em suor ressequido, de viagens populadas de pisadelas e empurrões que num vai e vem esquizofrénico de arranques desenfreados e travagens bruscas te levam e arrastam a lugar algum, vomitando, num refluxo gástrico de entradas e saídas, pessoas aos magotes, paragem a paragem, vida a vida. 

 

Cidade porca, imunda, afogada de pensamentos podres, ideias requentadas, habitada por cadáveres e seu ideais mortos, enfeitada de publicidades ávidas por mais um centavo, só mais uma dose, só mais um dízimo teu, crente da santíssima sagrada igreja capitalista de Wall Street, só mais uma moeda em troca da absolvição pela ganância que te corrói, só mais uma moeda para te acalmar as ânsias, para saboreares mais um pouco daquele sentimento artificial e fugaz de satisfação. Cidade poluída, cinzenta, de cheiro a esgoto e fumo,  cidade vândala, vandalizada, de feridas a céu aberto, marcada de cicatrizes, golpes assassinos assinados por desconhecidos egocêntricos, pequenos guinchos tímidos de revolta desnorteada, inconsequentes, esboços de falsa rebeldia por toda a parte, riscados  na parede e vincados no vidro.

 

Cidade da vergonha e da mentira, cidade da miséria e miserável, de mendigos, pedintes, solitários sem refúgio, sem esperança, terra de assaltantes e assaltados, de exploradores e explorados. Cidade de destroços, de casas devolutas, em queda, curvadas sobre si próprias, monumentos sem ego, decadentes, de estátuas e memórias abandonadas em jardins de piso gretado e erva daninha. Cidade megalómana e altiva, rainha sem trono nem coroa, mulher da rua, cidade maldita, cidade minha (?) 

 


Mr Anger às 00:50
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Terça-feira, 17 de Junho de 2014

Obliterar (é preciso)

 

"Não obstante o discurso coerente pró direitos cívis e favorável aos ventos moderados de uma hipotética sociedade mais justa, a presente incorreu em prática de infracção punível com coima ao fazer-se deslocar em transporte público colectivo sem apresentar na sua posse título de viagem válido para o percurso, aquando da sua solicitação por parte de equipa de fiscalização (vulgo "picas").

 

"Para a próxima tens de obliterar Joana", pensei eu, cadavérico e velhaco, envolvido em tecidos vincados com ares de luxo italiano, reais obras primas da manufactura em série de uma qualquer fábrica do norte do país.

 

Um "conto" em moeda antiga nos dias de hoje? Não dá nem pra matar o vício dos malditos "garrets" fumados em cascatas densas de fumo.

  

- "Atinja-me por favor com um automático do euromilhões e um Ventil!"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DANTES - "78/82"

Tim - Xutos

 

Dantes o tempo corria lento meu
Dantes, matava-se o tempo teu
Fumava-se um cigarro
Matava-se o tempo
Bebia mais um copo
Matava-se o tempo
Segurava paredes
Matava-se o tempo
Poliam-se calçadas
Matava-se o tempo

 

Dantes o tempo corria lento meu
Dantes, matava-se o tempo teu
Mas tudo isto passou
Foi o tempo que me matou!

 

Dantes o tempo corria lento meu
Dantes matava-se o tempo teu
Fazia-se um curso belo
Dentro do tempo
Fazia-se um namoro
Tudo a seu tempo
Arranjava-se casa
Ao mesmo tempo
Fazia-se uma vida
Dentro do tempo

 

Dantes o tempo corria lento meu
Dantes matava-se o tempo
Mas tudo isto passou
Foi o tempo que me matou!


Mr Anger às 00:31
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Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

De barba feita:

 

Não sou mendigo

Sou teu grande amigo

Tenho Empréstimo bancário garantido

Tenho curso universitário concluído

Gosto do Ronaldo, Eusébio e Figo

Acredito no senhor e no cupido

Tenho o ultimo modelo de carro conhecido

Tomo notas no tablet porque sou esquecido

Tudo o que tenho na vida é merecido

Digo que sou "realista" e não "convencido"

Sucumbo ao álcool, tabaco e comprimido

O meu iogurte tem bifidus activo

Sou bom pai, filho e marido

Uso GPS para não andar perdido

Uso jeans ao domingo, estilo descontraído

Todo o filme da moda é o meu preferido

Sou tecnologicamente evoluído

Quem vai à frente nas sondagens é o meu partido

 


Mr Anger às 09:20
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2014

O perdedor (fecha a porta e apaga as luzes)

 

Apostas ao som da carta batida

Latido de cão doente

Falência renal ao sair dos trintas

Será que vives, ou só tentas?

E a pressão de um filho nos braços, aguentas?

Falácias, sonhos, fugazes euforias

Amor eterno por quem morres ate findar

Cama do amor, do sexo que fazias 

Onde tantas vezes sorrias

Onde acabaste a chorar

Carro novo, carro velho

Ganhar pouco, desemprego

Amar pouco, amor eterno

Esquizofrenicamente vives

Tu, eterno desesperado

Estás velho

Gordo

Cabeça careca

Precocemente enferrujado

Quem tu queres enganar, enganado?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LOSER - "Mellow Gold"

Carl Stephenson Beck

 

In the time of chimpanzees I was a monkey
Butane in my veins so I'm out to cut the junkie
With the plastic eyeballs, spray paint the vegetables
Dog food stalls with the beefcake pantyhose
Kill the headlights and put it in neutral
Stock car flamin' with a loser and the cruise control
Baby's in Reno with the vitamin D

Got a couple of couches sleep on the love seat
Someone keeps sayin' I'm insane to complain
About a shotgun wedding and a stain on my shirt
Don't believe everything that you read
You get a parking violation and a maggot on your sleeve
So shave your face with some mace in the dark
Savin' all your food stamps and burnin' down the trailer park

(Yo cut it)
Soy un perdedor
I'm a loser baby so why don't you kill me?
Soy un perdedor
I'm a loser baby, so why don't you kill me?

Forces of evil in a bozo nightmare
Banned all the music with a phony gas chamber
Cause one's got a weasel and the other's got a flag
One's got on the pole shove the other in a bag
With the rerun shows and the cocaine nose job

The daytime crap with the folksinger slop
He hung himself with a guitar string
Slap the turkey neck and it's hangin' on a pigeon wing
You can't write if you can't relate
Trade the cash for the beef for the body for the hate
And my time is a piece of wax fallin' on a termite
Who's chokin' on the splinters

Soy un perdedor
I'm a loser baby so why don't you kill me?
(Get crazy with the Cheeze Whiz)
Soy un perdedor
I'm a loser baby so why don't you kill me?
(Drive-by body pierce)
(Yo bring it on down)
(I'm a driver I'm a winner things are gonna change I can feel it)
Soy un perdedor
I'm a loser baby so why don't you kill me?
(I can't believe you)
Soy un perdedor
I'm a loser baby so why don't you kill me?
Soy un perdedor
I'm a loser baby so why don't you kill me?
Sprechen Sie Deutche, baby)
Soy un perdedor
I'm a loser baby so why don't you kill me?
(Know what I'm sayin'?)

 


Mr Anger às 09:20
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Terça-feira, 6 de Maio de 2014

Non, rien de rien (non, je ne regrette rien)

 

Como poderia eu começar se o que apenas me interessava era o fim, o producto acabado, o resultado? Como poderia eu desenhar ou construir a estrada se a minha sede era de apenas sentir o alcatrão já usado e seguro, com marcas de travagem a indicar as curvas perigosas, mais facilmente respeitáveis que meros avisos e sinaléticas do senso comum? Como poderia eu arriscar, se sempre me deixei guiar pelo confortável e pelo sentido de oportunidade apurado?

 

A verdade, se é que existe realmente uma, é que me vou sempre safando, e também, que amo profundamente, da maneira mais pura e verdadeira que conheço - simplesmente hilariante - as coisas, sinto por isso que conheço bem as bases em que se constrói e destrói o amor e também que a minha inépcia ditará (sempre) o seu fim. Será isto choradinho de misericórdia ? Será um apontar do dedo ao espelho ? Será o eterno complexo de culpa de que todos padecemos, mais ou menos, de forma intensa ?

 

Claro que não, são apenas merdas que eu penso, diariamente, por norma sempre antes do almoço, por isso, deve ser fome.

 

(quando mistificamos o sentido das coisas, encontramos significado em tudo)

 


Mr Anger às 10:31
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2014

Tomei peyote na idade média (e tinha algum tempo livre)

 

Só presto contas ao velho de barbas que vive no céu e que dali, do cocuruto do espaço rege toda a minha vida, só presto contas a essa figura omnipresente que vive na atmosfera, só ele me pode julgar por toda a merda terrena onde me meto e que faço, só esse velhote barbudo me pode dar a absolvição eterna, lá do alto, bem alto onde só chegam as minhas preces e os aviões de longo curso. Só esse velhadas sem acesso a gilletes, residente no reino dos céus (e na cabeça colectiva de quem acredita) é que topa realmente tudo!

 

(e o resto são cantigas, certo?)

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
 
 
KNOCKIN' ON HEAVEN'S DOOR - "Pat Garrett & Billy the Kid"
Bob Dylan
 
Mama, take this badge off of me
I can't use it anymore.
It's gettin' dark, too dark for me to see
I feel like I'm knockin' on heaven's door.

Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door

Mama, put my guns in the ground
I can't shoot them anymore.
That long black cloud is comin' down
I feel like I'm knockin' onheaven's door.

Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
 

Mr Anger às 09:25
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2014

Lx Strip

 

(olhos verdes serão sempre esperança)

 

Os olhos verdes sonolentos traziam consigo desejos evidentes de almofada, e o ímpeto dos tempos modernos de comunicar por sms com os seus pares. Uma jovem banal mostrava-se roliça ao vestir umas leggins pretas que permitiam ver entre as malhas repuxadas a cor da pele, puxando para si os olhares matutinos, os engravatados faziam contas de cabeça, ambicionando avidamente o próximo brinquedo tecnológico como se dele dependesse a vida, o homem comum dormitava sem sonhos na viagem

 

Saímos todos, aos soluços, em manada, desci a rua, e lá ia ela, só mais uma entre tantas, emitindo som de caixa de musica na calçada portuguesa em saltos altos de 24,99, imitação de pura pele, vestidinho Fabio Lucci (que luxo!) deixando no ar o travo efervescente do poliéster das meias de vidro, como se fosse ela a oitava maravilha do mundo, depois de mais de meia-hora desesperante em frente ao espelho na tentativa vã de chegar a um consenso sobre com que trapinhos devia parcialmente cobrir as curvas do corpo.

 

 - "Vesti renda senhora, vesti renda!"

(e rodopiai louca em varão ao som de palavreado obsceno e do papel-moeda friccionado)

 


Mr Anger às 09:10
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Recortes flamejantes no horizonte (ou apenas um titulo pomposo que nada diz)

 

Merda para isto tudo, teia de aranha ao vento, desde o ventre, dores de cabeça latejantes, consumismo desenfreado, Ben-U-Rons de 1grama, um gajo parecido ao Eric Clapton no metro, o meu pai na cara de mil velhotes, mendigos, medo, soluços, vida saciada de bons momentos, espartana, espartilho que agora o comprova, férias marcadas, férias gozadas, filhos nascidos, criados, vidas passadas, tecnologias ultrapassadas, saudosismos do que fomos, do que já não somos, assombros, destroços.

 

Ser só feliz já não chega (nem nunca chegou)

 


Mr Anger às 09:15
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Gentes da minha terra

 

Perde 10kgs de barriga, ganha 10cm viris, gasta 60cêntimos +IVA, habilita-te a 20.000 em rifa, assiste ao campeonato da FIFA, cobiça a mulher do vizinho, aproveita os 50% de desconto em mau vinho, vibra com musica parola em carreira, faz férias de praia estrangeira, entorpecido pelo álcool colorido e doce á sombra da bananeira, mereces tudo o que tens, da esperteza aos 3 vinténs, paz ao teu espírito quieto, comportamento programado, absorto e estatisticamente correcto.

 

(o outro é que tinha razão)

 


Mr Anger às 09:05
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Terça-feira, 15 de Abril de 2014

Curtes alpista ?

 

Às vezes, em processos perto da demência, do "deixa-te andar" em direcção do vórtice da loucura, dou por mim, em poses pouco próprias, a vociferar guinchos e outros sons que por aproximação penso serem de proveniência animal, nomeadamente e em concreto, de pássaros.

 

Nunca gostei de pássaros, pois libertam odores, uma mescla odorífera agoniante de penas e sementes decompostas em matéria fecal, mas sempre admirei a sua loucura...

 

a loucura do pássaro louco,

do pássaro louco que canta e esvoaça

que cai em desgraça sem pena de si

 

Como posso eu reagir perante tal facto, ignorar ? Fingir que não se passou ? Rir compulsivamente, como uma criança que no seu intimo se satisfaz com maldades inocentes?

 

Talvez o melhor seja esquecer, esquecer tudo, partir para outra, crescer, evoluir, findar em mim próprio esses processos, quiçá, demoníacos! Jurar a mim mesmo que jamais o farei de novo, porque a idade assim não o permite, é isso que dizem nos livros e eu já me devia ter deixado de abismar com infantilidades!!

 

Pássaros loucos, pffff, há com cada um!!! Qualquer dia isto é só malucos na rua, só maluquinhos, só birutas a desgastar a calçada portuguesa, imitando pássaros e dizendo baboseiras, é nisto que nos vamos tornar, em imitadores de pássaros bamboleantes, a piar, tímidos, por essa calçada fora.

 

Vamos lá ver se a sociedade não nos dá mas é uma gaiola gigante, para piarmos com mais em conforto, com bebedouro e dispensador de sementes, e um poleiro, nunca esquecer que um bom pássaro não passa sem um bom poleiro, é posição si ne qua non.

 

 

Enfim, as respostas são apenas perguntas ao contrário e por isso, vou piar mais um pouco, para espairecer...

 

PIIIIIIIIIIIIIIIIIU PIUUUUUUUUUUUUUUUU PIU

 


Mr Anger às 09:29
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Sábado, 28 de Setembro de 2013

A cultura é gourmet



Quino


Para o ano o acesso à cultura (museus, monumentos & outros) ficará mais cara e as "borlas" de domingo certamente também irão cair por terra.

Em Portugal o que é bom e bonito é pagar impostos (estupidamente altos e socialmente injustos) sem esperar (leia-se "ter") qualquer tipo de regalias sociais (incluindo o acesso à cultura), mas apenas com o simples propósito - ao jeito de punição por mau comportamento - de pagar as dívidas do estado e de quem vive à sua custa.

Alguns (incluindo funcionários dessas instituições e outros iluminados) dirão, indignadíssimos, de dentes afiados como um cão que se sente ameaçado de ficar sem osso para roer:

 - "que se lixem esses pobretanas que não querem pagar pela cultura, quando vão às discotecas também não pagam?! Quando vão ao cinema também não pagam?! Então se querem ir a um museu paguem e não bufem que isto não é o da Joana e lá fora também se paga e muito mais!!! (pois não, não são da Joana, são património nacional, são herança histórica, são de quem cá vive, são dos contribuintes, são do povo que todos os dias paga impostos, para entre outras rubricas do Orçamento de Estado, os manter abertos, e não podemos ter comparações com "lá fora", nem em termos de qualidade ou quantidade de espólio, nem de preservação, nem de nível de vida/dinheiro nas carteiras)"

Outro dirão, de ombros encolhidos, de sorriso semi-desdentado e coçando a cabeça com o polegar (como um símio a tentar perceber como um cubo cabe num buraco em forma de triângulo):

 - "Valham-nos os piqueniques grátis da cadeia de hipermercados em associação ao cantor pimba que isso é que é cultura!! Ah, claro, e também o futebol!!!"

Eu infelizmente, direi, sem qualquer tipo de orgulho: "valha-nos o British Museum (and god save the queen!)"


Mr Anger às 14:00
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Quarta-feira, 11 de Setembro de 2013

A selva humana

 

A jovem adolescente era sem duvida apetecível, roçaria a legalidade efectiva dos 18, mas no mundo dos homens já mandava cartas e virava cabeças. O jovem inseguro e de olhar de quem sofre de patologias mentais não ficou indiferente às suas formas e pele cor de canela. Sentou-se a seu lado e fixou-lhe o olhar, tal leão faminto para a graciosa gazela. O homem comum, sentado de frente, observava tudo e não dava grande importância enquanto lia Saramago. O jovem inseguro, de olhar vazio de alma humana mas voraz sede animal passou ao ataque, e tentava agora, discretamente com as pontas dos pérfidos dedos, tocar  e sentir o calor dos glúteos e das coxas da rapariga, que devido a sua tenra idade, e por pudor, negava estar a ser molestada em público por um anormal. O homem comum, conseguiu conter-se por 1 paragem e meia, depois, pragmaticamente levantou-se, olhou profundamente nos olhos do jovem esquisito e telepaticamente disse-lhe:

 

- "continuas com essa atitude animalesca idiota e humanizo-te!"

 

Nunca saberemos se foi verdade ou se a telepatia existe, mas nesse dia a humanidade ganhou...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

WELCOME TO THE JUNGLE - "Appetite for Destruction"
Axl Rose, Slash, Izzy Stradlin, Duff McKagan, Steven Adler

 

Welcome to the jungle we've got fun and games
We got everything you want honey, we know the names
We are the people that can find whatever you may need
If you got the money honey we got your disease

In the jungle, welcome to the jungle
Watch it bring you to your knnn knne knees, knees
I want to watch you bleed

Welcome to the jungle we take it day by day
If you want it you're gonna bleed but it's the price to pay
And you're a very sexy girl that's very hard to please
You can taste the bright lights but you won't get there for free
In the jungle welcome to the jungle
Feel my, my, my serpentine
Ooh, I want to hear you scream

Welcome to the jungle it gets worse here every day
Ya learn to live like an animal in the jungle where we play
If you hunger for what you see you'll take it eventually
You can have everything you want but you better not take it from me

And when you're high you never ever want to come down
So down, so down, so down, yeah

You know where you are?
You're down in the jungle baby, you're gonna dieee
In the jungle welcome to the jungle
Watch it bring you to your knees, knees
In the jungle welcome to the jungle
Feel my, my, my serpentine
In the jungle welcome to the jungle
Watch it bring you to your knees, knees
In the jungle welcome to the jungle
Watch it bring you to you
Its gonna bring you down, ha!

 

 

 

 


Mr Anger às 09:45
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Quarta-feira, 31 de Julho de 2013

The head bone's connected to the foot bones

 

 Já não corro para apanhar autocarros! Não por inépcia física ou fundamentalismos, não o faço, desisti de o fazer, ou melhor, deixei-me disso!

 

A experiência diz-me que acaba sempre por vir outro a seguir e muitas das vezes com lugar perto da porta de saída e sem velha com cheiro a mijo de gato ao nosso lado!


Mr Anger às 09:35
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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013

A vida é bela

 

Um homem sorri estupidamente e fica assim de cremalheira à mostra, estático, por não menos que 15 segundos, sem som, num transporte público, uma pêga pedante de comportamento adolescente cheia de moralismos e estrangeirismos inusitados publica na Internet mais uma cronica fútil sobre qualquer merda que comprou ou viu numa montra da cidade - e que acabará por publicar num agregado de matéria fecal consumista a que orgulhosamente chamará de livro. Uma celebridade qualquer de quinta categoria, vendedor sabujo de saloiada, figura de proa de programas de estupidificação de massas, reality shows ou paquiderme da decadente jet7 volta à ribalta porque removeu um caroço numa clínica privada e fazem uma reportagem no lançamento do seu livro de baixa percentagem comissional: "sobrevivi a um cancro".

 

Um homem comum e absurdo embebeda-se mais um dia e cai desamparado na berma da estrada, afogado na lama, as contingências da sorte ou do azar não o levam ao atropelamento por parte de um sedan de 5estrelas ncap comprado em regime ALD conduzido por um homem de família afogado em dividas e desolado por mais um aumento das taxas ao consumo. Em casa uma mulher espera que o marido chegue, com a esperança que um dia ele nunca mais venha, ou volte renovado, porque por agora, entre promoções de detergentes, telenovelas e tábuas de engomar, está presa a um projecto de vida decadente e a um filho que se revela cada vez mais um idiota, triste resultado de uma gravidez não desejada, da ejaculação precoce, e da excitação alcoólica de dois ou três copos de vinho tinto barato a mais. O sol desce/lua sobe, a lua desce/sol sobe.

 


Mr Anger às 10:00
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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013

Lucky strike


O destino alicerçado em crenças pessoais, ornamentado de raras estrelas que nos ofuscam de brilho, a tempos, ou de cavalos brancos alados que passam sem sela na nossa frente, são seguros.

Acreditar em nós funciona sempre, mas por direito adquirido, sem espaço para a osmose ou para as teorias espíritas de linhas telefónicas de valor acrescentado. Não existe sorte por sorte, ou arvores de fruto sem origem na semente.


Mr Anger às 09:30
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