Quarta-feira, 27 de Novembro de 2013

A Bolha

 

Esquissos da vida em cadernos ainda com ar virginal,

portas abertas a pedido

O prazer sublime da negação

A guitarra electrificada a marcar o ritmo da vida comum,

como se a salvação morasse perto,

a vida vivida em sonhos, ideias, ideais,

o atrofiamento físico e mental constante,

memorias em micro cartões de armazenamentos de dados,

memorias digitais, automatismos, autómatos,

ilusão, alienação, montanhas,

cadencia, perseverança,

conquista, derrota.

 

Tudo um FPLOP!

 


Mr Anger às 10:00
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Terça-feira, 19 de Março de 2013

Objectivamente delirante


"Foi ali, naquele preciso momento, entre o refogado de frango e a massa a cozer na água borbulhante que eu percebi, como uma criança que desvenda um segredo que só devia perceber em adulto, que tudo isto não passa de uma enorme palhaçada sem tenda, que é tudo uma grandessíssima falácia, uma enorme e maquiavélica teoria de manipulação esquizofrénica, isto se eu quiser ser bonzinho e deixar os bois órfãos de nome, porque se eu começasse praqui a cavar rumo à verdade, ui, meu amigo, furava um buraco de um lado ao outro do mundo, desenrolava um infinito novelo que daria pano para mangas, costas e frentes de muitas camisolas de lã! Não controlamos nada, nada! E os jornais? Telejornais? Telenovelas? Reality shows? Redes sociais? Artes? Tudo ao serviço da grande máquina, tudo rodas dentadas da grande debulhadora de vidas e sonhos que nos persegue e sufoca, aqui não há lugar para os fracos, mas mesmo que sejamos fortes e lutemos, no fim, acabamos todos por ser ceifados!"

E que pode um homem convergente com o conceito de normalidade fazer perante tal cenário? Como agir ou o que dizer perante tais argumentos?

Aplaudir e dar uma palmadinha nas costas?  Enxotar e mostrar repudio? Sugerir uma consulta num psiquiatra amigo com falta de clientes? Lançar para o ar uma frase feita ambígua e aproveitar para ingerir a cerveja enquanto esta não está em modo moribundo?


"Infelizmente o parquímetro ficou-me com os trocos todos, mas sempre ouvi dizer que salvação é ali com o senhor que mora na casa de estranha arquitectura!"


Mr Anger às 09:45
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Sexta-feira, 15 de Março de 2013

Girino


Então e agora, segues para onde, qual é o caminho afinal? Será o norte magnético ou o vagar desnorteado? Juntas-te ao enorme rebanho ou voltas ao oásis isolado? Que escolhes tu, encarar o mundo de frente ou voltar-lhe as costas? Viver afogado na realidade palpável e avassaladora (sem fugas) ou anestesiado no que acreditas, pedaços de ilusão comprados a retalho com e sem factura, que livremente induzes no teu corpo viciado em paisagens inexistentes? Então, e agora, segues os ponteiros do relógio ditador, vendes-te?! Ou escolhes a falsa liberdade castradora das horas amorfas perdidas em ti?

Então e agora, que os sonhos já não podem ser devolvidos, arriscas ou jogas pelo seguro? Assistes à corrida ou entras nela?

(no fim, a escolha/vida será/é sempre a tua)


























CAVALOS DE CORRIDA
- "Cavalos de Corrida (Single)"
António Manuel Ribeiro - Renato Gomes

Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem, a violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis
Agora é que els passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida, eh

Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh


Mr Anger às 13:00
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Just a little pin prick (palavras sem fotografia)

 

Pensava eu que o mundo acabaria – mais tarde ou mais cedo – por ceder simpatias, coisas dispersas e avulsas (raras), de cheiro a mofo de não usar, descontinuadas, mas felizes. Não passou tudo de mera expectativa, da pior ilusão, enganei-me no espelho (olha para ti, sou eu) um acumular de contínuos “Dons Sebastiões” em espera que a meteorologia lhes desse uma manhã de nevoeiro cerrado e esperançoso, que tardou sempre em chegar, e onde após debelar a negação, se descobre que mesmo o mais cerrado de todos não encobre nada, é fumo de um fogo comum, apenas um ligeiro camuflado, pequena brisa suja, manto de tecido leve, que distorce mas não esconde ou trás nada que não estejamos à espera, eterno embrulho de presente que pelo toque sabemos sempre serem meias de desporto contrafeitas, e que, por suposição, experiência, mas nunca sorte, quase que adivinhamos a cor branca, eterna frustração de quem sabe sempre o que lhe espera, hoje, amanhã e depois, Tigre amansado que vive num habitat controlado, genérico, pouco expressivo, desgastante, forçado, definido, pois tudo é-lhe "explicitamente numas/aparentemente noutras" dado, nada obtido por esforço real ou vontade própria, tudo em troca de uma falácia, de uma ilusão, de um gesto maquinal de fera, uns quantos abrires de boca de tédio (bocejos) e revolta (rosnares)…

 

 

O Tigre não faz ron ron
O Tigre só quer caçar
O Tigre nunca foi bom
É fera que quer matar

 

 

Não quero mais comer dessa carne, oferecida em mão, talhada de seu nervo, de ossos escolhidos a dedo, de níveis medidos, analisados, não quero beber mais água límpida, filtrada, aditivada, quero o que calha, o que me calha, o que mereço, parem, por favor parem!! Libertem as amarras invisíveis, mordaças mentais, eu estou a rosnar, enfurecido, não é felicidade, não quero os vossos sorrisos, não me tirem fotos, estas árvores não são daqui, foram aqui plantadas, estas pedras fazem parte dos sonhos de uma Arquitecta, de um Biólogo, de alguém, não foi a natureza que as escolheu… eu não sou daqui… eu não pertenço aqui… eu não sou livre, não sou o que estão a ver… metam uma ponte no fosso e eu juro que passo, eu juro que trinco, mordo e mato… julgam-me mal… não simpatizo com as vossas simpatias… preservar dizem vocês… amor dizem sentir… amor por vocês sim, mas não me façam de joguete, marioneta do vosso egoísmo, demanda de em tudo mandar, de tudo subjugar, estou cansado dos vossos gostos, regras e vontades… quero morder o braço frágil e quebradiço de uma criança, não me conhecem, quero matar 2 ou 3 antes de ser sedado, quero sentir o sangue quente de uma jugular a escorrer-me pela garganta, quero lamber as minhas patas pastosas de sangue coagulado, quero ser odiado, quero que alguém se arrependa de me ter pensado bonito e dócil, não sou peluche, não sou producto de prateleira de hipermercado nem personagem ternurenta de filme domingueiro de animação, quero ser abatido se for preciso, morrer a tentar viver …

 

Deixem-me mostrar o que sou, o que realmente sou, pois até agora não sabem ou conhecem nada…nada!!!!

 

 

O Tigre não está mansinho
O Tigre não está quebrado
O Tigre não quer um destino
De outros para ele traçado


 

E uma besta fechou os olhos, seguiu a viagem do livre arbítrio, nesse caminho pintado a negro, breves segundos espaçados de um flash, invadidos depois de cor, das coisas que queria e quer, de lugares onde nunca esteve mas sonha, de coração acelerado que pára, mas que numa eternidade indefinida e secreta…ecoa…

 


Mr Anger às 16:45
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