Quinta-feira, 23 de Abril de 2015

No estrangeiro também se diz saudade

 

Do quarto de hotel não se vislumbravam linhas no horizonte, apenas paisagens contrastantes de parques de estacionamento, prédios, esplanadas e montanhas de cume branco, e também a ténue memória de esperança anexa a ti.

 

As sandes low-cost de razoável valor nutricional saciavam um estômago vazio e a cabeça almejava um pouco mais de liberdade na presença de um saudoso sentimento de voltar a estar em casa.

 

Fazes-me falta... tanto quantas as vezes que o digo! (sempre)

 

LIKE A STONE - "Audioslave"

Cornell, Morello, Commerford, B. Wilk

 

On a cob web afternoon,
In a room full of emptiness
By a freeway I confess
I was lost in the pages of a book full of death;
Reading how we'll die alone.
And if we're good we'll lay to rest,
Anywhere we want to go.

In your house I long to be;
Room by room patiently,
I'll wait for you there like a stone.
I'll wait for you there alone.

And on my deathbed I will pray to the gods and the angels,
Like a pagan to anyone who will take me to heaven;
To a place I recall, I was there so long ago.
The sky was bruised, the wine was bled, and there you led me on.

In your house I long to be;
Room by room, patiently,
I'll wait for you there like a stone.
I'll wait for you there alone, alone.

And on I read until the day was gone;
And I sat in regret of all the things I've done;
For all that I've blessed, and all that I've wronged.
In dreams until my death I will wander on.

In your house I long to be;
Room by room, patiently,
I'll wait for you there like a stone.
I'll wait for you there alone, alone.

 


Mr Anger às 08:45
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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013

A vida é bela

 

Um homem sorri estupidamente e fica assim de cremalheira à mostra, estático, por não menos que 15 segundos, sem som, num transporte público, uma pêga pedante de comportamento adolescente cheia de moralismos e estrangeirismos inusitados publica na Internet mais uma cronica fútil sobre qualquer merda que comprou ou viu numa montra da cidade - e que acabará por publicar num agregado de matéria fecal consumista a que orgulhosamente chamará de livro. Uma celebridade qualquer de quinta categoria, vendedor sabujo de saloiada, figura de proa de programas de estupidificação de massas, reality shows ou paquiderme da decadente jet7 volta à ribalta porque removeu um caroço numa clínica privada e fazem uma reportagem no lançamento do seu livro de baixa percentagem comissional: "sobrevivi a um cancro".

 

Um homem comum e absurdo embebeda-se mais um dia e cai desamparado na berma da estrada, afogado na lama, as contingências da sorte ou do azar não o levam ao atropelamento por parte de um sedan de 5estrelas ncap comprado em regime ALD conduzido por um homem de família afogado em dividas e desolado por mais um aumento das taxas ao consumo. Em casa uma mulher espera que o marido chegue, com a esperança que um dia ele nunca mais venha, ou volte renovado, porque por agora, entre promoções de detergentes, telenovelas e tábuas de engomar, está presa a um projecto de vida decadente e a um filho que se revela cada vez mais um idiota, triste resultado de uma gravidez não desejada, da ejaculação precoce, e da excitação alcoólica de dois ou três copos de vinho tinto barato a mais. O sol desce/lua sobe, a lua desce/sol sobe.

 


Mr Anger às 10:00
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Burros (de carga) pensantes


No dia em que todos os burros se recusarem a puxar a carroça (seja qual for o motivo, justiça, cansaço, teimosia...), outros terão que a puxar por eles (consequência), ou então esta ficará parada - eternamente - no mesmo sítio (facto).

É tudo uma questão de percepção: quem somos, o que queremos, o que podemos fazer!

(o impossível cessa ao realizar-se)


Mr Anger às 10:30
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

Nenhum pássaro me sussurrou ao ouvido...


Onde acaba a esperança começa o desespero... e onde este acaba, a indiferença.



Mr Anger às 19:45
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2012

Os contribuintes (ou os bois chamados pelos nomes)

Pouco sentido fará a contestação, a tentativa de mudança e a revolta, porque nos dizem que hoje em dia já não existem ideais. E pouco sentido fará a justiça, porque nos dizem que disso nunca houve. Pouco sentido fará o amor, porque afinal de contas dizem-nos que isso é coisa mal-inventada para explicar o inexplicável, os saltos acrobáticos de hormonas animalescas não visíveis a olho nu e que sobretudo as relações hoje em dia já não funcionam, que são obsoletas, antiquadas, fora de moda. Pouco sentido farão também as palavras, porque nos dizem que afinal de contas já foi tudo dito e/ou feito, e que a novidade – se surgir! - será sempre uma réplica barata do original. Pouco sentido fará sonhar, porque nos dizem que isso é bonito, mas principalmente tolo, infantil e ingénuo. Pouco sentido fará tentar ser feliz, ou mesmo ser feliz, porque nos dizem que já o somos, e que a vida é "mesmo assim". Pouco sentido fará ter filhos, porque nos dizem que o mundo se tornou demasiado perigoso, caro e que eles são um empecilho, estranguladores das nossas preciosas vidas singulares e atarefadas. Pouco sentido fará exijir que as Artes sejam sinónimo de qualidade ou tragam dentro de si alguma mensagem, porque nos dizem que elas são apenas um negócio, e que as pessoas já não gostam de cinema, só de filmes, já não gostam de música, só de batida, já não gostam de teatro, só de novelas, já não gostam de livros, só de vampiros e demais títulos sugestivos, e que por isso qualquer coisa serve para entreter. Não faz sentido tentar fazer algo de útil, ou tentar ser reconhecido apenas pelo nosso talento e trabalho, porque nos dizem que basta apenas aparecemos num reality show insípido, no caça-talentos da moda, na internet a fazer/dizer parvoíces. Não faz sentido querer vestir uma camisa aos quadrados ou uma t-shirt às riscas, porque nos dizem que a moda de hoje é vestir camisa às riscas e t-shirt aos quadrados. Não faz sentido querer ter um bom emprego, querer ter um horário, ou esperar um contracto de trabalho, uma habitação a preço justo, porque nos dizem que isso era no antigamente, no tempo das "vacas gordas". Não faz sentido exigir um serviço nacional de saúde universal, um acesso livre e igualitário ao ensino, um estado social, uma reforma, porque nos dizem que isso é uma utopia, que é a crise e que nós somos os culpados. Não faz sentido sermos honestos, verdadeiros ou querermos mudar o mundo, porque nos dizem que ele sempre foi assim, perverso, onde uns quantos poderosos mandam e subjugam, e uns quantos milhões obedecem, resignados, e vivem no limbo dos desafortunados, a matarem-se entre si, de costas voltadas, desunidos, fraticídas.

Sejamos então esse povo bom, o bom povo que temos de ser, ordeiros, e vamos contentar-nos com isso uma vida inteira, sobrevivendo, dando graças aos tempos modernos onde "uma sardinha felizmente já não tem de ser dívidida por 4 e onde já toda a gente tem televisão", e vamos continuar assim, entretidos pela inveja ao carro em 2ª mão do nosso vizinho a proporcionar a boa vida que outros nos reclamam e exigem pelo suor do nosso esforço, vamos contribuir e calar, acompanhar a novela da 4 e o talk show da 3, e seguir a dieta da revista para mulheres, e a fofoca na revista com nome de mulher, e comentar a mulher boa que vinha nas paginas centrais da revista para homens, na conversa inflamada entre homens por causa de golos com bolas que não entraram e foras-de-jogo mal assinalados comprovados mais tarde em grafismo vectorial por tasqueiros doutorados que aparecem em programas para lá dos 90 minutos de jogo, e continuemos assim, a desfazermo-nos do nosso ouro à mixórdia agiota propangandada pelo sorriso mentiroso de uma qualquer cara conhecida, a pagar o nosso dízimo constitucional sem exijir ou esperar direitos, vivendo no medo, e cantarolando o melhor mega-hit de sempre (dos próximos 2 meses) que as rádios vomitam em playlist, autênticos peões kamikaze no xadrez da vida, com as cabeças inundadas de confusão, vazio, pressão e de bolsos cheios de aplicativos informáticos que nos transformam em automátos de ultimo grito (e obviamente, socialmente bem aceites).

E no fim, porque somos seres humanos e contribuintes, e as aparências da liberdade forçosamente precisam de existir, de tempos a tempos empenhamos o nosso cartão de cidadão com veemência, e de olhos rasgados de esperança assinamos em cruz - entre direitas e esquerdas de forma alternada - o nosso destino, o nosso triste fado.

Para alguns isto continua a fazer todo o sentido... (pudera!)



Mr Anger às 12:30
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

O brutal (re)encontro...

 

Quem já viu, já sabe, quem nunca viu... que veja!!

 

Eu nem sou muito destes clips morais... mas nem sequer o questionei, acho que vale a pena pela lição...

 

 

(Atenção!! Contêm imagens chocantes de contacto físico entre animais ferozes!!)

 

 


Mr Anger às 11:00
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Certas coisas compatíveis

 

Se te apetece comer laranjas porque raio insistes em trincar limões!? Sabes bem que é um erro julgar todos os citrinos como iguais... sobretudo se lhes conheces o sabor... se sabes que o sumo da laranja bebe-se bem com Vodka, a Tequila com metades de fatia de limão...

 

Se te apetece ficar porque foges agora ? Logo agora ?! Existirão sempre milhares de comboios, barcos, chinelos, autocarros e aviões para te levar longe daqui, garanto-te...

 

Partilhas um copo comigo ?

 

 

"Ladies and gentlemans, Mr Morrissey"

 

 

YOU HAVE KILLED ME - "Ringleader of the Tormentors"

Morrissey - Morrissey / Tobias

 

 

Pasolini is me, 'Accattone' you'll be, I entered nothing and nothing entered me, 'Til you came with the key, And you did your best but... As I live and breathe, You have killed me, You have killed me, Yes I walk around somehow, But you have killed me, You have killed me

Piazza Cavour, what's my life for?

Visconti is me, Magnani you'll never be, I entered nothing and nothing entered me, 'Til you came with the key, And you did your best but... As I live and breathe, You have killed me,
You have killed me, Yes, I walk around somehow, But you have killed me, You have killed me

Who am I that I come to be here...?

As I live and breathe, You have killed me, You have killed me, Yes I walk around somehow
But you have killed me, You have killed me, And there is no point saying this again, there is no point saying this again, But I forgive you, I forgive you, Always I do forgive you...
 

 

Nota: O "Live" do vídeo é apenas pela presença física no palco, porque na verdade, é Carlos Paião "Mode On" (Em playback!! em playback!!), mas é o Morrissey, e nós desculpamo-lo :)

 


Mr Anger às 12:50
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