Terça-feira, 6 de Maio de 2014

Non, rien de rien (non, je ne regrette rien)

 

Como poderia eu começar se o que apenas me interessava era o fim, o producto acabado, o resultado? Como poderia eu desenhar ou construir a estrada se a minha sede era de apenas sentir o alcatrão já usado e seguro, com marcas de travagem a indicar as curvas perigosas, mais facilmente respeitáveis que meros avisos e sinaléticas do senso comum? Como poderia eu arriscar, se sempre me deixei guiar pelo confortável e pelo sentido de oportunidade apurado?

 

A verdade, se é que existe realmente uma, é que me vou sempre safando, e também, que amo profundamente, da maneira mais pura e verdadeira que conheço - simplesmente hilariante - as coisas, sinto por isso que conheço bem as bases em que se constrói e destrói o amor e também que a minha inépcia ditará (sempre) o seu fim. Será isto choradinho de misericórdia ? Será um apontar do dedo ao espelho ? Será o eterno complexo de culpa de que todos padecemos, mais ou menos, de forma intensa ?

 

Claro que não, são apenas merdas que eu penso, diariamente, por norma sempre antes do almoço, por isso, deve ser fome.

 

(quando mistificamos o sentido das coisas, encontramos significado em tudo)

 


Mr Anger às 10:31
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5 comentários:
De Mallory Knox a 6 de Maio de 2014 às 20:39
Pessoalmente, sempre que vejo alguém a falar dos seus sentimentos e dos possíveis erros que pode ter cometido relativamente aos mesmo e a intercalar isso com expressões como "simplesmente hilariante", "Será isto choradinho de misericórdia? Será um apontar do dedo ao espelho? Será o eterno complexo de culpa de que todos padecemos, mais ou menos, de forma intensa?", "Claro que não, são apenas merdas que eu penso, diariamente, por norma sempre antes do almoço, por isso, deve ser fome", isso soa-me sempre a mecanismos de defesa...
A pessoa expõe-se a medo, antecipando os possíveis ataques de que possa vir a ser alvo e, como tal, vai-se atacando e defendendo a ela própria de forma a desarmar o "inimigo"... Ou seja, expõe-se mas coloca imediatamente a capa do "simplesmente hilariante" e do "deve ser fome"...
Digo eu, claro... Só você saberá o que pensa e sente...

"Quando mistificamos o sentido das coisas, encontramos significado em tudo"...
Neste ponto, faço mea culpa... Quando me apaixono sou capaz de mistificar cada pequeno pormenor... Um dia o amor morre e nós percebemos que aquilo que viamos como um acto querido e revelador de amor não passava de um acto calculado, fruto da inteligência e do conhecimento que essa pessoa tinha de nós, do que nós gostávamos e de como nos tocar no coração/manipular...




De petitprince a 7 de Maio de 2014 às 02:26
Conhecer alguém é obra de muita dedicação. E alguma curiosidade... "Manipular", cuidado! Só manipula quem tem alguma coisa a ganhar com isso... Há pessoas, como será certamente o seu caso, que nunca, jamais, se deixaram manipular por alguém. Pessoas que conhecem o melhor de si e o compromisso com a eternidade a que isso obriga. Como poderiam deixar-se manipular?


De Mallory Knox a 7 de Maio de 2014 às 13:53
Antes de mais, eu conheço-a? E não pergunto isto com arrogância, é mesmo curiosidade, visto que você fala de mim como se me conhecesse para além do comentário que aqui escrevi...
Até pensei que fosse erro e o comentário fosse ao post do Mr Anger mas é óbvio que não, uma vez que quem utilizou a palavra manipular fui mesmo eu...

O que não falta na minha vida são pessoas a tentar manipular-me... E, até há pouco tempo, eu até tinha um grande calcanhar de aquiles a esse nível, ter pena... Se conseguissem fazer com que eu tivesse pena delas, as pessoas conseguiam manipular-me no sentido de eu manter a minha relação com elas (e falo de amor e de amizade) ou de desculpar o que elas faziam... No entanto, tenho vindo a mudar isso porque me chamaram a atenção de que eu atraía um determinado tipo de pessoa precisamente por ser assim...

E todos os esquemas que visam obter uma determinada reacção são tentativas de manipulação, não?

No entanto, confesso que tinha uma pessoa específica em mente quando escrevi essa palavra... Uma pessoa que amei um dia e que não me conhecia fruto da dedicação e curiosidade mas sim fruto de ele me ter estudado como um treinador estuda a equipa adversária antes de um jogo... Alguém que achava que conquistar uma mulher passa por "estudar a presa muito bem e só depois atacar" e "saber o que as pessoas querem ouvir, como querem ouvir e quando querem ouvir e jogar com isso" e outras tantas sensibilidades que nem merecem ser repetidas...


E conhecer-me a mim não requer apenas dedicação e curiosidade, requer também que eu deixe que me conheçam... Pode parecer fácil, uma vez que eu falo abertamente de toda a minha vida, até mesmo das coisas que supostamente deveria esconder mas, na verdade, raras são as pessoas às quais eu falo dos meus sentimentos e ninguém conhece ninguém se se limitar a conhecer as suas acções e não conhecer os seus sentimentos...



De Mr Anger a 7 de Maio de 2014 às 08:54
Cara Mallory,

A subjectividade é um Adamastor, mas nesse tipo de dúvidas existenciais faço sempre minhas as palavras de Rodrigo (o fadista)

- "pode ser saudade, pode ser saudade"

Mr Anger


De Mallory Knox a 7 de Maio de 2014 às 13:18
Ou então é apenas Frühling in Paris :D


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