Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Gentes da minha terra

 

Perde 10kgs de barriga, ganha 10cm viris, gasta 60cêntimos +IVA, habilita-te a 20.000 em rifa, assiste ao campeonato da FIFA, cobiça a mulher do vizinho, aproveita os 50% de desconto em mau vinho, vibra com musica parola em carreira, faz férias de praia estrangeira, entorpecido pelo álcool colorido e doce á sombra da bananeira, mereces tudo o que tens, da esperteza aos 3 vinténs, paz ao teu espírito quieto, comportamento programado, absorto e estatisticamente correcto.

 

(o outro é que tinha razão)

 


Mr Anger às 09:05
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Terça-feira, 15 de Abril de 2014

Curtes alpista ?

 

Às vezes, em processos perto da demência, do "deixa-te andar" em direcção do vórtice da loucura, dou por mim, em poses pouco próprias, a vociferar guinchos e outros sons que por aproximação penso serem de proveniência animal, nomeadamente e em concreto, de pássaros.

 

Nunca gostei de pássaros, pois libertam odores, uma mescla odorífera agoniante de penas e sementes decompostas em matéria fecal, mas sempre admirei a sua loucura...

 

a loucura do pássaro louco,

do pássaro louco que canta e esvoaça

que cai em desgraça sem pena de si

 

Como posso eu reagir perante tal facto, ignorar ? Fingir que não se passou ? Rir compulsivamente, como uma criança que no seu intimo se satisfaz com maldades inocentes?

 

Talvez o melhor seja esquecer, esquecer tudo, partir para outra, crescer, evoluir, findar em mim próprio esses processos, quiçá, demoníacos! Jurar a mim mesmo que jamais o farei de novo, porque a idade assim não o permite, é isso que dizem nos livros e eu já me devia ter deixado de abismar com infantilidades!!

 

Pássaros loucos, pffff, há com cada um!!! Qualquer dia isto é só malucos na rua, só maluquinhos, só birutas a desgastar a calçada portuguesa, imitando pássaros e dizendo baboseiras, é nisto que nos vamos tornar, em imitadores de pássaros bamboleantes, a piar, tímidos, por essa calçada fora.

 

Vamos lá ver se a sociedade não nos dá mas é uma gaiola gigante, para piarmos com mais em conforto, com bebedouro e dispensador de sementes, e um poleiro, nunca esquecer que um bom pássaro não passa sem um bom poleiro, é posição si ne qua non.

 

 

Enfim, as respostas são apenas perguntas ao contrário e por isso, vou piar mais um pouco, para espairecer...

 

PIIIIIIIIIIIIIIIIIU PIUUUUUUUUUUUUUUUU PIU

 


Mr Anger às 09:29
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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

Roedores & Armadilhas

Porque é que o rato não cai 2 vezes na mesma armadilha?

 

...Porque só tem uma vida!


Mr Anger às 18:00
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Quarta-feira, 27 de Novembro de 2013

A Bolha

 

Esquissos da vida em cadernos ainda com ar virginal,

portas abertas a pedido

O prazer sublime da negação

A guitarra electrificada a marcar o ritmo da vida comum,

como se a salvação morasse perto,

a vida vivida em sonhos, ideias, ideais,

o atrofiamento físico e mental constante,

memorias em micro cartões de armazenamentos de dados,

memorias digitais, automatismos, autómatos,

ilusão, alienação, montanhas,

cadencia, perseverança,

conquista, derrota.

 

Tudo um FPLOP!

 


Mr Anger às 10:00
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Sábado, 28 de Setembro de 2013

A cultura é gourmet



Quino


Para o ano o acesso à cultura (museus, monumentos & outros) ficará mais cara e as "borlas" de domingo certamente também irão cair por terra.

Em Portugal o que é bom e bonito é pagar impostos (estupidamente altos e socialmente injustos) sem esperar (leia-se "ter") qualquer tipo de regalias sociais (incluindo o acesso à cultura), mas apenas com o simples propósito - ao jeito de punição por mau comportamento - de pagar as dívidas do estado e de quem vive à sua custa.

Alguns (incluindo funcionários dessas instituições e outros iluminados) dirão, indignadíssimos, de dentes afiados como um cão que se sente ameaçado de ficar sem osso para roer:

 - "que se lixem esses pobretanas que não querem pagar pela cultura, quando vão às discotecas também não pagam?! Quando vão ao cinema também não pagam?! Então se querem ir a um museu paguem e não bufem que isto não é o da Joana e lá fora também se paga e muito mais!!! (pois não, não são da Joana, são património nacional, são herança histórica, são de quem cá vive, são dos contribuintes, são do povo que todos os dias paga impostos, para entre outras rubricas do Orçamento de Estado, os manter abertos, e não podemos ter comparações com "lá fora", nem em termos de qualidade ou quantidade de espólio, nem de preservação, nem de nível de vida/dinheiro nas carteiras)"

Outro dirão, de ombros encolhidos, de sorriso semi-desdentado e coçando a cabeça com o polegar (como um símio a tentar perceber como um cubo cabe num buraco em forma de triângulo):

 - "Valham-nos os piqueniques grátis da cadeia de hipermercados em associação ao cantor pimba que isso é que é cultura!! Ah, claro, e também o futebol!!!"

Eu infelizmente, direi, sem qualquer tipo de orgulho: "valha-nos o British Museum (and god save the queen!)"


Mr Anger às 14:00
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Quinta-feira, 12 de Setembro de 2013

Pés na estrada

 

Ridiculamente vagueando

Entre o riso e a falsidade

Coisas tuas, só tuas

Imutáveis com a idade

Ilegalidades!

Amor próprio mas sem definição

Estigmas herdados, recalcados

Passados à próxima geração

Absolvição?

A culpa mora em casa alugada

E tu no alpendre, sentada

Eternamente perdida

Deixas o tempo passar

 

Onde vais assim parada?

 


Mr Anger às 11:00
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Quarta-feira, 31 de Julho de 2013

The head bone's connected to the foot bones

 

 Já não corro para apanhar autocarros! Não por inépcia física ou fundamentalismos, não o faço, desisti de o fazer, ou melhor, deixei-me disso!

 

A experiência diz-me que acaba sempre por vir outro a seguir e muitas das vezes com lugar perto da porta de saída e sem velha com cheiro a mijo de gato ao nosso lado!


Mr Anger às 09:35
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Sábado, 27 de Julho de 2013

Mare nostrum

 

De que me vale ter os dias

Nas noites que são sem fim

Ao cabo das horas que passam

nas danças que danças sem mim

Onde se afiam as línguas já gastas

No tempo que dura o presente

Prisão das horas madrastas

Cliché de um futuro ausente

Onde se larga então o passado?

Mar turbulento em teus caracóis

Onde ainda me perco e afogo

Onde naufragámos os dois

 

 

 


Mr Anger às 21:00
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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013

A vida é bela

 

Um homem sorri estupidamente e fica assim de cremalheira à mostra, estático, por não menos que 15 segundos, sem som, num transporte público, uma pêga pedante de comportamento adolescente cheia de moralismos e estrangeirismos inusitados publica na Internet mais uma cronica fútil sobre qualquer merda que comprou ou viu numa montra da cidade - e que acabará por publicar num agregado de matéria fecal consumista a que orgulhosamente chamará de livro. Uma celebridade qualquer de quinta categoria, vendedor sabujo de saloiada, figura de proa de programas de estupidificação de massas, reality shows ou paquiderme da decadente jet7 volta à ribalta porque removeu um caroço numa clínica privada e fazem uma reportagem no lançamento do seu livro de baixa percentagem comissional: "sobrevivi a um cancro".

 

Um homem comum e absurdo embebeda-se mais um dia e cai desamparado na berma da estrada, afogado na lama, as contingências da sorte ou do azar não o levam ao atropelamento por parte de um sedan de 5estrelas ncap comprado em regime ALD conduzido por um homem de família afogado em dividas e desolado por mais um aumento das taxas ao consumo. Em casa uma mulher espera que o marido chegue, com a esperança que um dia ele nunca mais venha, ou volte renovado, porque por agora, entre promoções de detergentes, telenovelas e tábuas de engomar, está presa a um projecto de vida decadente e a um filho que se revela cada vez mais um idiota, triste resultado de uma gravidez não desejada, da ejaculação precoce, e da excitação alcoólica de dois ou três copos de vinho tinto barato a mais. O sol desce/lua sobe, a lua desce/sol sobe.

 


Mr Anger às 10:00
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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013

Lucky strike


O destino alicerçado em crenças pessoais, ornamentado de raras estrelas que nos ofuscam de brilho, a tempos, ou de cavalos brancos alados que passam sem sela na nossa frente, são seguros.

Acreditar em nós funciona sempre, mas por direito adquirido, sem espaço para a osmose ou para as teorias espíritas de linhas telefónicas de valor acrescentado. Não existe sorte por sorte, ou arvores de fruto sem origem na semente.


Mr Anger às 09:30
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Segunda-feira, 1 de Abril de 2013

Lapsos temporais


A véspera que antecede a batalha é também ela tempo de guerra


Mr Anger às 21:10
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Quinta-feira, 28 de Março de 2013

Memória de Ferro (O.s.p.e.n.M.r.p.v.é.T.)


"A páginas tantas da vida, se me tivesses dito que o Mundo tinha sido invenção tua, eu tinha acreditado, não por ser lógico, mas sim pelo estado irracional dos momentos, não duvidaria que todas as coisas grandiosas que existem pudessem ter tido em algum momento o toque dessas pequenas mãos talentosas, por tanto acreditar nelas e nas palavras enfeitadas de ornamentos linguísticos, tiques, convicções e portões de castelo escancarados.

 

Tu, só tu, no fim das contas, acreditando que o amor existe e tem escala, quantidades mensuráveis, recordes, então foste tu, foste e sinto que serás sempre tu o meu limite. Há muito que já desapareceram as tuas marcas, os teus vestígios físicos já foram suave ou abruptamente diluídos pelo tempo, já não apanho cabelos teus na roupa de casa ou da rua, o teu perfume há muito que já abandonou a minha pele, as vidas já seguiram outros caminhos, o verão já terminou e as colchas de inverno são puxadas agora para outro destino, mas continuas presente, onde te guardo junto de outras tantas boas memórias, que prova que o amor nunca se apaga mas que mal (di)gerido pode facilmente tornar-se em doença incurável, patologia mental a roçar a loucura se por ela nos deixarmos dominar, deslocando-nos o centro de gravidade para mais perto do chão, arrastando-nos, colocando-nos de joelhos subservientes à dor, atacando-nos permanentemente de forma impiedosa sempre que a impossibilidade de um beijo se torna num doloroso facto consumado na nossa cabeça e que abraços e momentos se figuram como irrepetíveis, sufocantes, meras fotografias mentais cada vez mais esbatidas ou consumidas, em chamas."

Será então esse o lugar digno para um amor maior, um punhal cravado que teima em sair das nossas costas? Um mero resultado doloroso da sua privação? A consequência directa de uma jogada salvadora que ficou por fazer? Uma auto-punição constante por um qualquer esquizofrénico "erro crasso" que nos levou a sucumbir ao xeque-mate?

O tempo diz-nos que de nada servirá essa razão, a filosofia barata ou a irracionalidade de tentar apagar ou autopsiar os factos, a seu tempo, com paciência e sabedoria isso soará apenas a escape de quem tenta a todo o custo não querer sofrer. No fim, se não cedermos à loucura, ao devaneio, veremos que o que nos resta será sempre e inequivocamente apenas amor, mesmo que já extinto, datado, e aparecerá sempre, mesmo que não se queira, na imagem do sorriso do outro, da sua maneira de ser, da sua beleza, inteligência ou sentido de humor, memórias conjuntas e felizes de um passado que  estranhamente, ou felizmente, depois de aceite já não provoca qualquer tipo de dor, angústia ou desespero, apenas uma espontânea e passageira saudade expressa fisicamente num por vezes inoportuno sorriso parvo de quem recorda um momento de felicidade em segredo:

"Nada amor, estava só a lembrar-me de uma coisa engraçada, então e afinal, sempre passamos no supermercado?"

(E são essas memórias que nos fazem bem à vida)


Mr Anger às 12:10
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Terça-feira, 19 de Março de 2013

Objectivamente delirante


"Foi ali, naquele preciso momento, entre o refogado de frango e a massa a cozer na água borbulhante que eu percebi, como uma criança que desvenda um segredo que só devia perceber em adulto, que tudo isto não passa de uma enorme palhaçada sem tenda, que é tudo uma grandessíssima falácia, uma enorme e maquiavélica teoria de manipulação esquizofrénica, isto se eu quiser ser bonzinho e deixar os bois órfãos de nome, porque se eu começasse praqui a cavar rumo à verdade, ui, meu amigo, furava um buraco de um lado ao outro do mundo, desenrolava um infinito novelo que daria pano para mangas, costas e frentes de muitas camisolas de lã! Não controlamos nada, nada! E os jornais? Telejornais? Telenovelas? Reality shows? Redes sociais? Artes? Tudo ao serviço da grande máquina, tudo rodas dentadas da grande debulhadora de vidas e sonhos que nos persegue e sufoca, aqui não há lugar para os fracos, mas mesmo que sejamos fortes e lutemos, no fim, acabamos todos por ser ceifados!"

E que pode um homem convergente com o conceito de normalidade fazer perante tal cenário? Como agir ou o que dizer perante tais argumentos?

Aplaudir e dar uma palmadinha nas costas?  Enxotar e mostrar repudio? Sugerir uma consulta num psiquiatra amigo com falta de clientes? Lançar para o ar uma frase feita ambígua e aproveitar para ingerir a cerveja enquanto esta não está em modo moribundo?


"Infelizmente o parquímetro ficou-me com os trocos todos, mas sempre ouvi dizer que salvação é ali com o senhor que mora na casa de estranha arquitectura!"


Mr Anger às 09:45
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Sexta-feira, 15 de Março de 2013

Girino


Então e agora, segues para onde, qual é o caminho afinal? Será o norte magnético ou o vagar desnorteado? Juntas-te ao enorme rebanho ou voltas ao oásis isolado? Que escolhes tu, encarar o mundo de frente ou voltar-lhe as costas? Viver afogado na realidade palpável e avassaladora (sem fugas) ou anestesiado no que acreditas, pedaços de ilusão comprados a retalho com e sem factura, que livremente induzes no teu corpo viciado em paisagens inexistentes? Então, e agora, segues os ponteiros do relógio ditador, vendes-te?! Ou escolhes a falsa liberdade castradora das horas amorfas perdidas em ti?

Então e agora, que os sonhos já não podem ser devolvidos, arriscas ou jogas pelo seguro? Assistes à corrida ou entras nela?

(no fim, a escolha/vida será/é sempre a tua)


























CAVALOS DE CORRIDA
- "Cavalos de Corrida (Single)"
António Manuel Ribeiro - Renato Gomes

Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem, a violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis
Agora é que els passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida, eh

Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh


Mr Anger às 13:00
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Burros (de carga) pensantes


No dia em que todos os burros se recusarem a puxar a carroça (seja qual for o motivo, justiça, cansaço, teimosia...), outros terão que a puxar por eles (consequência), ou então esta ficará parada - eternamente - no mesmo sítio (facto).

É tudo uma questão de percepção: quem somos, o que queremos, o que podemos fazer!

(o impossível cessa ao realizar-se)


Mr Anger às 10:30
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012

As flores no teu cabelo - sonhador - cheiram a plástico barato


Mais uma semana que começa com sol e passarinhos nos beirais, contentes de estarem vivos, entoando odes chilreantes entre o silêncio sepulcral do n°11 da Calçada da Ajuda e a cacafonia, ao fundo, dos demagogos em amenas ou acirradas cavaqueiras de carrocel, insurgidas a espaços apenas pelas sombras de um qualquer teatral dedo inquisidor bem levantado aos céus e um tom de voz mais colocado, destemido, triunfal, épico... mas estéril e inconsequente (como fica bem!).

As pernas andarilhas, as vozes enrouquecidas e as solas de sapato desgastadas durante o fim-de-semana já nem se notam entre aqueles que chegam agora ao trabalho, mudos e adormecidos, ou entre aqueles que agora de chinelos enviam gritos de ajuda em forma de esperançosos currículos electrónicos matutinos, ensonados, ou os que ainda descalços preferiram ficar abraçados à almofada, fugindo dos sonhos partidos... onde a esperança vive com ordem de despejo!

Esperavas algo de novo? (Nada, só um treze no Totobola)

 



















DREAMER - "Crime of the Century"
Supertramp - Rick Davies, Roger Hodgson

Dreamer, you know you are a dreamer
Well can you put your hands in your head, oh no!
I said dreamer, you're nothing but a dreamer
Well can you put your hands in your head, oh no!
I said "Far out, - What a day, a year, a laugh it is!"
You know, - Well you know you had it comin' to you,
Now there's not a lot I can do

Dreamer, you stupid little dreamer;
So now you put your head in your hands, oh no!
I said "Far out, - What a day, a year, a laugh it is!"
You know, - Well you know you had it comin' to you,
Now there's not a lot I can do.

Well work it out someday

If I could see something
You can see anything you want boy
If I could be someone-
You can be anyone, celebrate boy.
If I could do something-
Well you can do something,
If I could do anything-
Well can you do something out of this world?

Take a dream on a Sunday
Take a life, take a holiday
Take a lie, take a dreamer
dream, dream, dream, dream, dream along...

Dreamer, you know you are a dreamer
Well can you put your hands in your head, oh no!
I said dreamer, you're nothing but a dreamer
Well can you put your hands in your head, oh no!
OH NO!



Mr Anger às 10:30
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

Nenhum pássaro me sussurrou ao ouvido...


Onde acaba a esperança começa o desespero... e onde este acaba, a indiferença.



Mr Anger às 19:45
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012

A moda dos cintos apertados


O "nosso" PM vai falar hoje ao País, e em particular aos contribuintes (os principais interessados). Tal monólogo ditado será lido ao final da tarde pelas 19:15 (antes da dose semanal de futebol).

Vamos estar então de ouvidos bem abertos (estendendo tal gesto a outras partes do corpo, obviamente) para recebermos de forma passiva as novas tendências de austeridade para o próximo OUTONO/INVERNO, e que aparentemente, segundos rumores de bastidores, a grande novidade passa por usar os cintos ainda mais apertados!!

Dizem que depois de tal desfile de novas medidas, fica bem rematarmos indignados com algum comentário de resignação como por exemplo:

- "É a crise, o que é que se pode fazer..."


A minha opinião - bastarda - é que Portugal precisa urgentemente de uma mãe para lhe dizer, como qualquer mãe digna de o ser:

- "Meu filho, cuidado com as companhias, não devias andar metido com agiotas e vigaristas!!"







 
























PORTUGAL, PORTUGAL
- "Acto Contínuo"
Jorge Palma

Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar


Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar


Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças


Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar



Mr Anger às 15:45
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2012

Os contribuintes (ou os bois chamados pelos nomes)

Pouco sentido fará a contestação, a tentativa de mudança e a revolta, porque nos dizem que hoje em dia já não existem ideais. E pouco sentido fará a justiça, porque nos dizem que disso nunca houve. Pouco sentido fará o amor, porque afinal de contas dizem-nos que isso é coisa mal-inventada para explicar o inexplicável, os saltos acrobáticos de hormonas animalescas não visíveis a olho nu e que sobretudo as relações hoje em dia já não funcionam, que são obsoletas, antiquadas, fora de moda. Pouco sentido farão também as palavras, porque nos dizem que afinal de contas já foi tudo dito e/ou feito, e que a novidade – se surgir! - será sempre uma réplica barata do original. Pouco sentido fará sonhar, porque nos dizem que isso é bonito, mas principalmente tolo, infantil e ingénuo. Pouco sentido fará tentar ser feliz, ou mesmo ser feliz, porque nos dizem que já o somos, e que a vida é "mesmo assim". Pouco sentido fará ter filhos, porque nos dizem que o mundo se tornou demasiado perigoso, caro e que eles são um empecilho, estranguladores das nossas preciosas vidas singulares e atarefadas. Pouco sentido fará exijir que as Artes sejam sinónimo de qualidade ou tragam dentro de si alguma mensagem, porque nos dizem que elas são apenas um negócio, e que as pessoas já não gostam de cinema, só de filmes, já não gostam de música, só de batida, já não gostam de teatro, só de novelas, já não gostam de livros, só de vampiros e demais títulos sugestivos, e que por isso qualquer coisa serve para entreter. Não faz sentido tentar fazer algo de útil, ou tentar ser reconhecido apenas pelo nosso talento e trabalho, porque nos dizem que basta apenas aparecemos num reality show insípido, no caça-talentos da moda, na internet a fazer/dizer parvoíces. Não faz sentido querer vestir uma camisa aos quadrados ou uma t-shirt às riscas, porque nos dizem que a moda de hoje é vestir camisa às riscas e t-shirt aos quadrados. Não faz sentido querer ter um bom emprego, querer ter um horário, ou esperar um contracto de trabalho, uma habitação a preço justo, porque nos dizem que isso era no antigamente, no tempo das "vacas gordas". Não faz sentido exigir um serviço nacional de saúde universal, um acesso livre e igualitário ao ensino, um estado social, uma reforma, porque nos dizem que isso é uma utopia, que é a crise e que nós somos os culpados. Não faz sentido sermos honestos, verdadeiros ou querermos mudar o mundo, porque nos dizem que ele sempre foi assim, perverso, onde uns quantos poderosos mandam e subjugam, e uns quantos milhões obedecem, resignados, e vivem no limbo dos desafortunados, a matarem-se entre si, de costas voltadas, desunidos, fraticídas.

Sejamos então esse povo bom, o bom povo que temos de ser, ordeiros, e vamos contentar-nos com isso uma vida inteira, sobrevivendo, dando graças aos tempos modernos onde "uma sardinha felizmente já não tem de ser dívidida por 4 e onde já toda a gente tem televisão", e vamos continuar assim, entretidos pela inveja ao carro em 2ª mão do nosso vizinho a proporcionar a boa vida que outros nos reclamam e exigem pelo suor do nosso esforço, vamos contribuir e calar, acompanhar a novela da 4 e o talk show da 3, e seguir a dieta da revista para mulheres, e a fofoca na revista com nome de mulher, e comentar a mulher boa que vinha nas paginas centrais da revista para homens, na conversa inflamada entre homens por causa de golos com bolas que não entraram e foras-de-jogo mal assinalados comprovados mais tarde em grafismo vectorial por tasqueiros doutorados que aparecem em programas para lá dos 90 minutos de jogo, e continuemos assim, a desfazermo-nos do nosso ouro à mixórdia agiota propangandada pelo sorriso mentiroso de uma qualquer cara conhecida, a pagar o nosso dízimo constitucional sem exijir ou esperar direitos, vivendo no medo, e cantarolando o melhor mega-hit de sempre (dos próximos 2 meses) que as rádios vomitam em playlist, autênticos peões kamikaze no xadrez da vida, com as cabeças inundadas de confusão, vazio, pressão e de bolsos cheios de aplicativos informáticos que nos transformam em automátos de ultimo grito (e obviamente, socialmente bem aceites).

E no fim, porque somos seres humanos e contribuintes, e as aparências da liberdade forçosamente precisam de existir, de tempos a tempos empenhamos o nosso cartão de cidadão com veemência, e de olhos rasgados de esperança assinamos em cruz - entre direitas e esquerdas de forma alternada - o nosso destino, o nosso triste fado.

Para alguns isto continua a fazer todo o sentido... (pudera!)



Mr Anger às 12:30
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

Comprar tabaco (eu fui)


E se de repente - imitando a própria vida - o silêncio fosse base sólida por instantes, e os olhares desprovidos de timidez ou defesas dissessem tudo o que lhes vai na alma, o que diriam os teus ?

Gritariam por justiça ?
Por liberdade ?
Procurariam perdão ?
Ficariam cobertos de um fino lençol de água, extasiados de alegria... ou de saudade ?

(É sempre bom acordar - digo eu - e melhor que isso, talvez dormir)





 
























DON'T LOOK BACK IN ANGER
- "(What's the Story) Morning Glory?"
Oasis - Noel Gallagher


Slip inside the eye of your mind
Don`t you know you might find
A better place to play
You said that you`d once never been
All the things that you`ve seen
Will slowly fade away

So I`ll start the revolution from my bed
Cos you said the brains I had went to my head
Step outside the summertime`s in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
You ain`t ever gonna burn my heart out
So Sally can wait, she knows its too late as we`re walking on by
Her soul slides away, but don`t look back in anger I hear you say

Take me to the place where you go
Where nobody knows if it`s night or day
Please don`t put your life in the hands
Of a Rock n Roll band
Who`ll throw it all away

So I`ll start the revolution from my bed
Cos you said the brains I had went to my head
Step outside the summertime`s in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
You ain`t ever gonna burn my heart out

So Sally can wait, she knows its too late as we`re walking on by
Her soul slides away, but don`t look back in anger I hear you say

Don`t look back in anger
Don`t look back in anger
Don`t look back in anger
At least not today




Continuo aqui (na trincheira) e agora também ali (na linha da frente):
www.facebook.com/mrangerblog


Mr Anger às 13:00
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

Isto é um fato...

 

 

 

 

...e cá estamos nós, como sempre, subservientes desta realidade, a procura de um eterno sonho libertador, ou no mínimo, de um sono castrador que venha depressa, embalados pela mesma cantilena tristonha com cheiro a mofo, de sorriso forçado escondendo as carências, num processo evolutivo estagnado onde os anos passam mas não andamos, continuamos imóveis neste passadiço de cadência controlada, com um qualquer Tony (que não é António) a enfadar-nos os headphones, mais uns quantos "por amor de Deus" lançados ao vento com perdigotos em meia dúzia de frases feitas temerárias e de jornal desportivo debaixo do braço, porque no fim, nada muda, ou mudou, o que interessa mesmo é que o clube vermelho ganhe ao das riscas azuis e brancas, ou verdes e brancas, o que seja, em cavazada se possível, para ser menos dolorosa a ingestão do tinto, ou do branco, ou do fumo, ou do comprimido que me torna num cidadão mais bem comportado, e continuamos assim, curvados sobre nós mesmo, cheios de independências e verdades só nossas (que isso é que é ser livre!!), alegres da silva, como sempre, vamos a jogo sem trunfo apenas porque nos dizem que a lotaria só sai a quem joga, e fazemos magia sem coelhos na cartola, damos o corpo às balas sem acreditarmos em defensores ou nobres, nem em chicos-espertos que nos livrem, nem em fumos brancos, que neles já perdemos a esperança, e de palavras ocas já emprenhamos pelos ouvidos, mais que as vezes necessárias, temos o útero inchado e lasso de tanto sapo parir, e o sexo dorido, de tanto sermos fornicados... ou como se diz nesta língua bífida de Camões e Pessoa: transados... ou como se diz na minha terra: fodidos!!

 

 

 

 

 

 

QUANDO FALA UM PORTUGUÊS - "Anjo da guarda"

António Variações

 

Quando fala um português
Falam dois ou três
e o seu número a aumentar.
São outros tantos a falar

Ai! São tantos a falar
Quando fala um português
Falam dois ou três
Todos se querem escutar

Ninguém espera a sua vez
Ah! ninguém se quer calar
Pois tem direito a respeitar
Mas a conversa está a aquecer

Ai já estão a desconversar
Já ninguém se está a entender
Ai! Já estão todos a gritar
Ai! Que o insulto é de corar

A ameaça está no ar
E o punho está-se a fechar
Com tendência a piorar
E eu não paro de atiçar...

 


Mr Anger às 12:00
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Terça-feira, 15 de Junho de 2010

Amor em formol

 

Uma vez, por uma vez, escrevi-te um poema, coisa singela e pequena, confesso, já fiz, possivelmente, bem melhor ou mais pomposo, mas por vezes são momentos, e sabes bem que nunca tenho por adquirida essa razão injusta de quantidade ser qualidade (nunca me fez o género), as palavras podem ser parcas mas ricas de sentimentos, de alma, como se junto delas pudesse não ir só a razão de as escrever, mas também um pouco de mim, um pouco mais do que apenas dedos a premir teclas com intuito de soarem bem quando lidas em voz alta ou naquela discreta voz muda, apenas mordiscada suavemente pelos lábios, num escritório pouco dado a emoções ou num quarto abafado de memórias de vida curta, com música semi-alta a tocar no fundo (apenas porque sabe bem extravasar as emoções e gritar alto: "estou viva").

 

Nesse dia pensei em ti, e nesse dia pensei em nós, e hoje, aqui, olhei para trás e vi que no teu lugar estava outra...

 

 

(... mas o poema permaneceu teu) 

 

 

 

   

 
 
LOVE ME TWO TIMES - "Strange Days"

The Doors - Robby Krieger

 

 

Love me two times, baby
Love me twice today
Love me two times, girl
I'm goin' away
Love me two times, girl
One for tomorrow
One just for today
Love me two times
I'm goin' away

Love me one time
I could not speak
Love me one time
Yeah, my knees got weak
But love me two times, girl
Last me all through the week
Love me two times
I'm goin' away
Love me two times
I'm goin' away 
All right, yeah! 

Love me one time
I could not speak
Love me one time, baby
Yeah, my knees got weak
But love me two times, girl
Last me all through the week
Love me two times
I'm goin' away

Love me two times, babe
Love me twice today
Love me two times, babe
'Cause I'm goin' away
Love me two time, girl
One for tomorrow
One just for today
Love me two times
I'm goin' away
Love me two times
I'm goin' away
Love me two times
I'm goin' away

 

 


Mr Anger às 19:00
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

Introdução à Economia: "Valor de Mercado"

 

Quando tratamos todos como meras pedras da calçada, nunca percebemos que existem diamantes... quando tratamos todos como diamantes, estes perdem o seu valor e transformam-se em pedras da calçada... pois os diamantes dependem da sua quantidade mínima (escassez) para serem especiais.

 

Sejam justos (tenho dito)!

 

 


Mr Anger às 14:30
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Domingo, 7 de Março de 2010

Silêncios ensurdecedores

 

"Shiu!" era tudo o que António queria ouvir, um "cala-te" transmitido em forma de abraço, sem beijo ou palavras, e assim nesse silêncio talvez conseguir encontrar conforto e respostas, aspecto onde aparentemente as bocas e as palavras falhavam de forma redundante.


"...Tenho-te aqui a meu lado
do lado esquerdo do peito
a pensar em ti eu acordo
a sonhar contigo me deito..."


Mas da pueril inocência do seu amor desfeito surgiam apenas dúvidas, e tudo o que lhe saía da alma eram coisas sem sentido ou por demais revisitadas, como os poemas "ABAB" deprimentes que escrevinhava nos cantos dos envelopes das contas por pagar, pontos de vista desfocados, pouco objectivos, dispersos, gritos de revolta que  não queria calar, mas que ela já não estava mais lá para ouvir, sentada no cadeirão de verga a apanhar os primeiros raios de sol da manhã enquanto ele espremia laranjas para o pequeno-almoço, ou no sofá da sala, na cama, na imperfeição da escolha de copos e talheres diferentes na mesa do jantar, pois saiu, porta fora, com escova de dentes e parte dele dentro da mala de campismo vermelha, roçada das aventuras, com poeira do último verão Algarvio e um coração desenhado por dentro a esferográfica azul, com as iniciais separadas por um "+", recordações de brincadeiras adolescentes das suas vidas adultas e sonhadoras... pois agora ela não estava mais ali, saiu, senhora de si, formalmente distante, longe das calças de desporto e top domingueiros, confiante no que fazia, cada vez mais longe, nessa espiral de escadaria até ao piso térreo do prédio, e António ali ficou, desolado, de braços caídos, rosto cabisbaixo numa surda tempestade de desilusões, vencedor totalista de uma viagem só de ida até ao inferno (sem sequer lançar aposta), sem direito ao prazer de sentir prazer, a espera que um dia, por compaixão ou desprezo, ela lhe entregasse a parte dele que levou com ela, e que, da forma mais pura de todas, ele partilhava...


 - “Calma António, calma!! Respire fundo, beba um copo de água, tome um calmante, o amor não existe, é apenas um artifício, espalhe a semente meu amigo, espalhe a semente…”

 - “Mas eu amo-a!!”

 - “Ama-a...?! Sabe lá você o que diz... seja um homenzinho, cresça... isso da monogamia e amor eterno são coisas do tempo da outra senhora, faça pleno usufruto de tudo a que tem direito, incluindo, obviamente, das mulheres... não seja tacanho...”


E um punho cerrado perfez uma curva no ar, acabando, de forma abrupta nessa boca (supostamente) sábia, seguido de um chorrilho de impropérios demasiado obscenos - mas óbvios - desencadeados pelos elevados níveis de testosterona e também, a bem da verdade, de indignação...

 

 - "Se eu digo que a amo é porque a amo!!! Guarde para si a panaceia dessas tretas pós-modernas, quero Romeu e Julieta de Shakespeare, percebe ?!?! PERCEBE?!?!?”

 

 

E que mais podia dizer o doutor naquela situação, se não dizer que sim, e posteriormente, pôr-lhe uma acção em Tribunal...

 

 

 


OUVI DIZER
 - "O Monstro Precisa de Amigos"

Ornatos Violeta - Manuel Cruz
 

Ouvi dizer que o nosso amor acabou
Pois eu não tive a noção do seu fim
Pelo que eu já tentei,
Eu não vou vê-lo em mim
Se eu não tive a noção de ver nascer um homem
 

E ao que eu vejo,
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi
E eu fiquei com tanto para dar!
E agora
Não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva!
 

E pudesse eu pagar de outra forma

 

Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã,
E eu tinha tantos planos pra depois!
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós;

Sem tirar das palavras seu cruel sentido
Sobre a razão estar cega,
Resta-me apenas uma razão,
Um dia vais ser tu
E um homem como tu,
Como eu não fui,
Um dia vou-te ouvir dizer:  
 

E pudesse eu pagar de outra forma! Sei que um dia vais dizer
E pudesse eu pagar de outra forma!

 

A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte,
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas,
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura,
Ora amarga, ora doce,
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!

 

 


Mr Anger às 17:45
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Pensamento à janela... (de cotovelos em pedra fria)*

 

 

 

 

 ...certas questões morrem solteiras (preguiça, amor, ódio, saudade e vingança), porém, se tudo se soubesse não se faziam perguntas, não se procurariam respostas, dentro e fora do que somos. Em certos dias, falta-me o ar, fisicamente, de “prensa no peito” e tudo a que tenho legitimamente direito, mesmo com tanto espaço, sufoco de liberdade, na ânsia de ter de regressar a essa prisão, que afinal apenas reside em mim, cárcere construído de raiz, tijolo por tijolo pelas minhas próprias mãos (culpa), cela de aparência modesta e populada de incertezas, de bibelôs de medo nas prateleiras, lençóis por desmanchar.

 

Suspiro “ais” ao vento e recordo também "suspiros", os bolos de elevadas calorias que tantas vezes comi em miúdo, e que me despertam para o corriqueiro pensamento de como o tempo passa depressa - e de como facilmente se perde tempo - se avançam ponteiros e se arrancam folhas do calendário, 10 anos foram ontem, 20 anos a semana passada, e o que fica guardado ? Pouco e mesmo assim vago. Resumo (e reduz-se) tudo a um pequeno novelo, condensado, (como uma gaveta cheia de quinquilharia, onde se guarda de tudo) de fotografias e filmes de pessoas, objectos, situações e sítios, mas que parecem sempre poucos, que parecem sempre não conseguir fazer jus a uma vida plena de emoções, como se mais se pudesse ter feito, como se mais pudesse ter sido possível de fazer, como se mais nada se pudesse acrescentar (de novo), como se o inverno tivesse vindo para ficar, frio e ameaçador, e eu de edredon por meter na cama mas já a sofrer de antecipação por o não ter posto e que, nesse medo, me perco e acabo por não pôr, sofrendo efectivamente do frio que tinha medo de sofrer.

 

Tenho tudo, sempre consegui tudo, mas abertamente falando, que tenho eu? Meia dúzia de conformismos burgueses, meia dúzia de manias revolucionárias, frases feitas, arrogância, desdém, algo a que chamo amor quando quero ser amado, pouco mais, nunca houve muito mais que isto, certamente...

 

Recordações, sempre elas, mas porquê guardar na memória, acontecimentos tão simples e aleatórios como encontrar um "pé de pato" da Churchill Makapuu  nos seus tons originais, azul de ponta amarela, num passeio estival no principio da década de 90 perto da praia da Almagreira? Não faz sentido, era só um, ainda por cima um gigantesco "L" e nem sequer fiquei com ele... isso ou recordar com exactidão historias de outros, contadas ou vistas, melhor que os próprios. Nada disso é aparentemente útil ou utilizável, mas ironicamente, também sei coisas que nunca ouvi, vi ou conheci, mas sei o que contam, o que são, o que me querem dizer, tal como desconhecidos que sabemos serem fruta podre, confirmados na primeira trinca gulosa, cuspida de seguida, mostrando o verme que a devora.

 

Saudades, eternas saudades, saudades de "tio patinhas" e pipocas com açúcar debaixo de um alpendre de um quintal que já não existe, na companhia de um cão que já morreu, tenho saudades de pescarias hoje em dia impossíveis, de caminhadas pela praia cada vez mais improváveis...


(tive isso tudo um dia na palma da mão aberta, mas agora de mão fechada, tenho medo de a voltar a abrir, e não encontrar... nada)

 

 

* Sara também pensa assim, mas só nos dias em que a chuva vem e bate na janela virada para o rio (Douro)...
 

 


Mr Anger às 14:00
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