Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Não me apetece jantar - (ad I)

 

Na parte imaterial do ser humano encontrei isto:
 
"...Lembro-me bem - quase tanto como do teu sorriso, da ternura do teu toque e do cheiro da tua pele - dos jantares perfeitos, de mesa composta, pratos, copos e talheres, de bases de pratos e de tachos, preservando a mesa da cozinha ou sala, e dos guardanapos que toscamente colocava nos copos, como se a moldura tivesse de ser perfeita. Cozinhávamos amor em lume brando, eu e tu, revezados consoante o tempo, a vontade, tudo de sabor intenso. Recordo receitas de peixe, carne, sobremesas, doces e abraços enquanto se mexia o arroz.
 
Não passa um dia que não recorde, por mais que pareça impossível, e dá um certo reconforto saber que é assim, embora doa, porque quando é verdade não se esquece, não se apaga, não se substitui ou mata, se fosse fácil, ilusão ou deslumbramento atirava-se para trás das costas ao primeiro beijo alheio, mas não, todos os dias lá estás tu, de novo, e em silencio digo: amo-te... e penso que amor assim deveria estar exposto no Louvre, para todos verem, admirarem e sentirem.
 
Não passa um mês que não recorde datas - faça contas - ou um sitio/situação que não sinta a tua falta, ou algo novo, qualquer situação que não tenhamos vivido em que não pense como seria contigo, como gostaria de ser chato e explicar-te o motivo, a razão e funcionamento. A partilha será eterna, porque os almas são peças perdidas de um grande puzzle, e duas peças iguais não se juntam, mas as nossas diferentes encaixavam na perfeição, tais como os corpos, um ao lado do outro, perfeitos.
 
Parece e soará sempre a loucura, exagero, eloquência, mas sinceramente, e convicto das minhas totais capacidade mentais - por si só uma falácia - Isso importa ? Isso impede que seja verdade ? A minha verdade é só uma e confesso que é amor, foi e será sempre amor...
 
... e quando é amor damos tudo, e quando damos tudo, resta-nos nada, e é com esse nada que temos de continuar..."
 
 
 
O amor, os sentimentos, são incêndios descontrolados com que as pessoas gostam de brincar, reduzidos á dimensão de fósforos...
 
(e depois...)
 

 

 
 
JOÃO E MARIA  – (sem álbum de estúdio)
Chico Buarque – Sivuca, Chico Buarque

 

 

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinés

 

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

 

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido

 

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
 

 


Mr Anger às 22:30
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15 comentários:
De Joana Vaz a 14 de Outubro de 2009 às 16:06
Excelente texto, :)
tenho de te congratular pelo excelente blog que tens.

beijinhos


De Mr Anger a 28 de Outubro de 2009 às 01:59
Cara Joana,

Obrigado pelas palavras bonitas, olhe que "excelente" é intimidante para o meu ego :)

Volte mais vezes, mesmo que seja para dizer que afinal se tinha enganado (ok, se for para isso, sinceramente, prefiria que não viesse... mas se tiver de ser... :D)


Mr Anger



De Alguém a 14 de Outubro de 2009 às 19:57
Depois de ter tido (de novo) o prazer de receber um email que me recordava deste blog - que nunca havia sido esquecido nem deixado de visitar - não poderia por aqui tornar a passar sem comentar... ;)

Pois é, Mr. Anger, o amor deve ser cozinhado em lume brando para não corrermos o inevitável risco de ter o lume muito alto e queimar tão belo sentimento... e sim, damos tudo, leva-nos tudo e no fim temos de viver com o nada que fica. E lá vamos sobrevivendo do nada...

Não há amor sentido que não seja grande e, por isso mesmo, inquantificável. Se o que sentimos pela outra pessoa é amor, paixão, atracção, enorme carinho ou imensa amizade... só o tempo nos ajuda a clarificar e a saudade dá o empurrão final.


Aqui a Alguém despede-se de si com um "até ao próximo post", Mr. Anger, e obrigada pelo mail! :D


De Mr Anger a 28 de Outubro de 2009 às 02:01
Cara Someone,

Não me agradeça, apenas apareça :D



Mr Anger (o das rimas fáceis)


De Blá, Blá, Blá... a 15 de Outubro de 2009 às 09:01
"e duas peças iguais não se juntam, mas as nossas diferentes encaixavam na perfeição, tais como os corpos, um ao lado do outro, perfeitos."

Mr. Anger,
A atracção pelos opostos (e não me refiro obviamente a relacionamentos hetero, pois hetero sou) não resulta, é destrutiva, explosiva, incendiária, no final não resta nada! Nada!!! Talvez só reste gelo!

Fala quem já teve essa experiência!


De Forreta procura Avarento a 16 de Outubro de 2009 às 16:12
(...)quando damos tudo, resta-nos nada, e é com esse nada que temos de continuar... até recebermos amor de volta"

Desculpe,mas gosto de preencher vazios.
Quem dá tudo, acaba ( cedo ou tarde ) por receber em proporção. Não seja apressado, quem tem pressa come cru...ou come cereais de segunda escolha. é uma escolha complicada.Os cereais de qualidade, os únicos e intensos são sempre melhores. De que adianta terem os mesmos ingredientes se não são feitos com o mesmo cuidado?Se o sabor não lhe causa sensação nenhuma quando os sente?Mas os de segunda escolha são mais baratos e merecem a mesma oportunidade.:D


De Mr Anger a 28 de Outubro de 2009 às 02:09
Cara Forreta,

Chegou, apontou, disparou, acertou....arghhhhh... em cheio no coração :D

Obrigado :)


Mr Anger


De Forreta procura Avarento a 29 de Outubro de 2009 às 11:06
Disponha!( e aproveite enquanto os tiros são grátis :D)
Mas não,não acertei ...estava blindado e fez ricochete.


Forreta ( a atiradora que acerta nela própria)


De Mr Anger a 29 de Outubro de 2009 às 14:58
Cara Forreta (engraçado trocadilho)

Tudo o que vale a pena tem um preço, nunca é de graça, mas atenção, pode ser barato e bom (pechincha), pois o que não serve para uns, para outros pode ser imprescindível :) (generalizando)

(e o Mundo continuou a rodar, com e sem apoiantes da tonalidade amarela)

Mr Anger (o caça-saldos)


De Forreta procura Avarento a 29 de Outubro de 2009 às 16:53
Claro que continuou a rodar...a volta dele mesmo.E do sol..distante,amarelo e imprescindivel,com ou sem apoiantes da cor amar-ela.



A Forreta (generalizadora)


De Ventania a 18 de Outubro de 2009 às 13:11
Ando a roubar-te frases. Só para saberes.


De Mr Anger a 28 de Outubro de 2009 às 02:06
Princesa (ainda por cima Canela)

Fiquei escandalizado (só para saberes :D)

Não se arranja um quarto no castelo por uns dias (estábulos não, obrigado)? Fica perto do mar/como está o swell ?

Mr Anger (o profanado)


De Ventania a 29 de Outubro de 2009 às 20:53
Caro profanado e escandalizado sr. Fúria (mas que não me deu pontapé na canela), o castelo tem vista para o estuário, com algumas ondas quando em vez. Em se contentando com estábulo, arranjar-se-ia. Leito é que só há um e a Princesa não partilha.


De Rita a 9 de Dezembro de 2009 às 22:57
e a quem nunca apetece jantar?


De Mr Anger a 2 de Março de 2010 às 01:45
Cara Rita,

Espera mais umas horas e toma o pequeno-almoço...



Mr Anger (sim, eu também vi "Malucos do Riso")


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