Sábado, 11 de Abril de 2009

Bola de Neve

 

De tudo se faz uma tempestade, nasce um arrufo. Facilmente se destrói o prazer. Facilmente se aponta o dedo, dificilmente se esquece o amor, a paz, mas facilmente se apanha uma pedra, e atira-se, apenas para ver se quebra... para ouvir o barulho que faz ao estilhaçar a ténue vidraça que envolve o outro... que nos envolve a todos... que nós somos...

 

Parecemos todos fortes, queremos todos parecer demasiado fortes, demasiado perfeitos, demasiados únicos, quando nos devíamos preocupar apenas em sermos felizes, na partilha dos afectos, entremeados de alguns rasgos de ironia e mau humor, para dar tempero, mas ter como finalidade o prazer dos bons momentos, da cumplicidade, da convivência, custará tanto sermos felizes com pequenos gestos ?  Não falo apenas de amor, falo de pessoas, de relações, de minutos, de tempo... falo de magoar e assumir o erro, pedir desculpa (desde que seja de forma sincera, não importa o número de vezes, todos nos erramos)... falo de honestidade... falo de verdade e respeito...

 

Esticamos sempre um pouco mais, só para ver se sai mais sangue, se sai mais dor das nossas almas, como se o mal que trazemos cá dentro nos saísse do corpo com esses devaneios furiosos contra os outros... mas não sai, só acumula ainda mais, e afasta-nos de quem no fundo mais queremos, de quem mais nós gostamos, como se estivéssemos por vezes sedentos de saber até que ponto podemos contar com eles... mas ninguém, por mais que goste de nós, por mais que nos estime, aguenta festas meigas de mãos cardadas... curiosa gente esta que habita este planeta... curiosa gentalha que nós somos, que sempre seremos (!?)...

 


Mr Anger às 14:00
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15 comentários:
De joana a 11 de Abril de 2009 às 16:58
Descreves, neste post , a verdadeira relação amor & ódio.

Obrigado por passar para palavras o que eu tenho em pensamentos.


De Cupido a 11 de Abril de 2009 às 18:34
quem sabe que não são feitos um para o outro!?


De joana a 12 de Abril de 2009 às 15:55
Essa frase só podia vir mesmo de um Cupido. Já não acredito em contos de fadas. O Amor é, de facto, surpreendente, mas não se encontra através de palavras. Encontra-se no brilho de um olhar que conseguimos decifrar mesmo sem diálogo. O que o mranger faz é transferir para as palavras os sentimentos de toda a humanidade. Todos nós um dia sentimos o que ele coloca nos seus posts . Isso é uma qualidade de veras invejável, mas insuficiente para fazer nascer um amor. Se todas as mulheres que, tal como eu, se identificam com os seus textos, se apaixonassem por ele, o mundo estaria perdido - mais ainda!!


De ampulhetas1 a 13 de Abril de 2009 às 00:39
e falas...
de valores básicos infelizmente perdidos...


gostei!


De _Mariana_ a 13 de Abril de 2009 às 22:03
Adorei o teu blog. Continua assim


De Monica a 13 de Abril de 2009 às 22:36

Não posso deixar de inaltecer estas palavras que acabei de ler, simplesmente divinas....
Concordo em absoluto


De Anónimo a 14 de Abril de 2009 às 19:36
Gostava de assim poder transcrever o que me vai na alma.
Parabens pelos textos.


De _Mariana_ a 15 de Abril de 2009 às 20:31
sempre que leio este post, faz-me pensar sobre mim e a vida...


De Boginia a 17 de Abril de 2009 às 09:30
É muito mais do que sobre amor, ou ódio. Parece-me a mim. É sobre como fazemos ou fingimos o nosso auto-conhecimento no extremo que fazemos aos outros e a nós. Extremo discreto e silencioso por vezes. O que é pior, porque nem damos por isso. Como uma suave onda, inofensiva, que tanto bate suavemente na costa que lhe altera a forma, a diminui, sem reconhecimento de culpa, sem abrandar. E a absorve.
Os Go go Dolls dizem "you bleed just to know you're alive"... E nós sangramos, a nós e aos outros.

Gostei de o visitar. Voltarei sempre que puder.


De Lótus a 23 de Abril de 2009 às 20:48
E eu acho, meu caro, que temos uma necessidade qualquer de medir forças.. de redireccionar o holofote .. uma necessidade qualquer de desviar as atenções .. um complexo de inferioridade ou superioridade .. ambos maus .. que nos impõe apontar para o outro antes que alguém aponte para nós .. como se tivéssemos um poder oculto por destabilizarmos o outro .. como se assim se medisse a nossa importância na vida do outro ... ou simplesmente na vida .. como gostamos de ferir! .. É! O ser humano já nasce torto .. gostamos de destabilizar .. somos de Marte muito mais do que da Terra..
Sabes, não preciso de escrever .. escreves bem por mim



De Anónimo a 27 de Abril de 2009 às 16:26
oi... mas aqueles que tentam manter paz ou promovê-la, porque acreditam nela, são vistos como fracos, pelo que têm duas hipóteses: ou tornam-se frios e hipócritas como quem descreves ou isolam-se, mantendo a esperança de um dia encontrar alguém que seja como nós... utopia? conto de fadas? irrealismo? talvez... mas já vi provas que nem todos nós somos iguais e os desfechos por vezes não necessitam de ser assim obrigatoriamente. Adorei mais esta tua entrada no blogue! continua!


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