Segunda-feira, 27 de Abril de 2015

O amor habitual

 

Foi num estado de completo desespero que Pedro saiu e fechou a porta atrás de si, convicto que seria a última vez a fazê-lo, apoiando-se na teoria apressada da inevitabilidade das coisas. Quem não tivesse o hábito humano de observar faces – e assim reparar que tinha estado a chorar - facilmente apercebia-se, pela sinalética corporal agitada e confusa de quem desce os lances de escadas a galope - de 2 em 2 degraus desde o 5º andar, e cara em forma de seta - que algo não estava bem, e que  nesse preciso momento não existia mais nada atrás de si.

 

Ainda esperou que uma voz o tentasse deter, um: “Pedro espera, por favor, volta para dentro”, que ele obviamente retorquiria com o egocentrismo aliviado de um: “Não Joana, falamos depois”, era esse a táctica de um jogo não planeado, o habitual, mas desta vez nada existiu ao sair disparado pela porta, nem ao descer as escadas, ao fechar a porta do prédio, no trajecto que fez até ao carro, do carro para outro lado, no passar sequencial e vagaroso dos quilómetros, ao meter a chave noutra porta, ao ficar atónito e estarrecido no sofá. Nada. Apenas ouvia dentro de si as vozes de um caos que já estava bem instalado.

 

Pedro amava Joana, uma banalidade, Joana amava Pedro, algo que ele agora só queria ter novamente por certo.

 


Mr Anger às 09:30
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

Regras base - Sobre(a)vivência #2

 

Nunca apontes uma arma a um gajo que tem as mãos nos bolsos

 


Mr Anger às 08:30
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Quinta-feira, 23 de Abril de 2015

No estrangeiro também se diz saudade

 

Do quarto de hotel não se vislumbravam linhas no horizonte, apenas paisagens contrastantes de parques de estacionamento, prédios, esplanadas e montanhas de cume branco, e também a ténue memória de esperança anexa a ti.

 

As sandes low-cost de razoável valor nutricional saciavam um estômago vazio e a cabeça almejava um pouco mais de liberdade na presença de um saudoso sentimento de voltar a estar em casa.

 

Fazes-me falta... tanto quantas as vezes que o digo! (sempre)

 

LIKE A STONE - "Audioslave"

Cornell, Morello, Commerford, B. Wilk

 

On a cob web afternoon,
In a room full of emptiness
By a freeway I confess
I was lost in the pages of a book full of death;
Reading how we'll die alone.
And if we're good we'll lay to rest,
Anywhere we want to go.

In your house I long to be;
Room by room patiently,
I'll wait for you there like a stone.
I'll wait for you there alone.

And on my deathbed I will pray to the gods and the angels,
Like a pagan to anyone who will take me to heaven;
To a place I recall, I was there so long ago.
The sky was bruised, the wine was bled, and there you led me on.

In your house I long to be;
Room by room, patiently,
I'll wait for you there like a stone.
I'll wait for you there alone, alone.

And on I read until the day was gone;
And I sat in regret of all the things I've done;
For all that I've blessed, and all that I've wronged.
In dreams until my death I will wander on.

In your house I long to be;
Room by room, patiently,
I'll wait for you there like a stone.
I'll wait for you there alone, alone.

 


Mr Anger às 08:45
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

Raio-X

 

Na vida não peso a sorte

Pois tudo de mim deriva

A minha vontade é viva

Da vida só temo a morte

 


Mr Anger às 09:29
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Terça-feira, 21 de Abril de 2015

Regras base - Sobre(a)vivência #1

 

Antes de saltares para o desconhecido, assegura-te que não é um precipício. Antes de saltares para dentro de um buraco, assegura-te que consegues sair dele sozinho.

 


Mr Anger às 08:55
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2015

Factual mundano - Autocarros

 

A velha ao meu lado tem a fralda cagada,

Estou preso a esta assento, mortalha

Entro em apneia. Respiro!

Perco a batalha...

Conversas triviais ao telemóvel,

No banco de trás do transporte

Palavras avulsas que me obrigo a ouvir, num desatino,

Por imposição de um tom de voz desproporcional á situação,

O resto é indecifrável,

Um misto atabalhoado de sons

Não percebo crioulo,

À minha frente um intenso ataque de tosse

Convulsões, espirros, fungadelas

Todo um misto de doenças à la carte,

Entro as fezes da velha e a doença

Reparto esta apneia,

Esta teia,

Chega a minha vez

Stop! Parto. Respiro.

A cidade é minha aldeia

 


Mr Anger às 09:15
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