Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
Isto é um fato...

 

 

 

 

...e cá estamos nós, como sempre, subservientes desta realidade, a procura de um eterno sonho libertador, ou no mínimo, de um sono castrador que venha depressa, embalados pela mesma cantilena tristonha com cheiro a mofo, de sorriso forçado escondendo as carências, num processo evolutivo estagnado onde os anos passam mas não andamos, continuamos imóveis neste passadiço de cadência controlada, com um qualquer Tony (que não é António) a enfadar-nos os headphones, mais uns quantos "por amor de Deus" lançados ao vento com perdigotos em meia dúzia de frases feitas temerárias e de jornal desportivo debaixo do braço, porque no fim, nada muda, ou mudou, o que interessa mesmo é que o clube vermelho ganhe ao das riscas azuis e brancas, ou verdes e brancas, o que seja, em cavazada se possível, para ser menos dolorosa a ingestão do tinto, ou do branco, ou do fumo, ou do comprimido que me torna num cidadão mais bem comportado, e continuamos assim, curvados sobre nós mesmo, cheios de independências e verdades só nossas (que isso é que é ser livre!!), alegres da silva, como sempre, vamos a jogo sem trunfo apenas porque nos dizem que a lotaria só sai a quem joga, e fazemos magia sem coelhos na cartola, damos o corpo às balas sem acreditarmos em defensores ou nobres, nem em chicos-espertos que nos livrem, nem em fumos brancos, que neles já perdemos a esperança, e de palavras ocas já emprenhamos pelos ouvidos, mais que as vezes necessárias, temos o útero inchado e lasso de tanto sapo parir, e o sexo dorido, de tanto sermos fornicados... ou como se diz nesta língua bífida de Camões e Pessoa: transados... ou como se diz na minha terra: fodidos!!

 

 

 

 

QUANDO FALA UM PORTUGUÊS - "Anjo da guarda"

António Variações

 

Quando fala um português
Falam dois ou três
e o seu número a aumentar.
São outros tantos a falar

Ai! São tantos a falar
Quando fala um português
Falam dois ou três
Todos se querem escutar

Ninguém espera a sua vez
Ah! ninguém se quer calar
Pois tem direito a respeitar
Mas a conversa está a aquecer

Ai já estão a desconversar
Já ninguém se está a entender
Ai! Já estão todos a gritar
Ai! Que o insulto é de corar

A ameaça está no ar
E o punho está-se a fechar
Com tendência a piorar
E eu não paro de atiçar...

 




Segunda-feira, 21 de Junho de 2010
Reflexões no cume de um penhasco (ecos)

Deixar o tempo passar, não é viver em plenitude... é desperdiçar




Terça-feira, 15 de Junho de 2010
Amor em formol

 

Uma vez, por uma vez, escrevi-te um poema, coisa singela e pequena, confesso, já fiz, possivelmente, bem melhor ou mais pomposo, mas por vezes são momentos, e sabes bem que nunca tenho por adquirida essa razão injusta de quantidade ser qualidade (nunca me fez o género), as palavras podem ser parcas mas ricas de sentimentos, de alma, como se junto delas pudesse não ir só a razão de as escrever, mas também um pouco de mim, um pouco mais do que apenas dedos a premir teclas com intuito de soarem bem quando lidas em voz alta ou naquela discreta voz muda, apenas mordiscada suavemente pelos lábios, num escritório pouco dado a emoções ou num quarto abafado de memórias de vida curta, com música semi-alta a tocar no fundo (apenas porque sabe bem extravasar as emoções e gritar alto: "estou viva").

 

Nesse dia pensei em ti, e nesse dia pensei em nós, e hoje, aqui, olhei para trás e vi que no teu lugar estava outra...

 

 

(... mas o poema permaneceu teu) 

 

 

 

   

 
 
LOVE ME TWO TIMES - "Strange Days"

The Doors - Robby Krieger

 

 

Love me two times, baby
Love me twice today
Love me two times, girl
I'm goin' away
Love me two times, girl
One for tomorrow
One just for today
Love me two times
I'm goin' away

Love me one time
I could not speak
Love me one time
Yeah, my knees got weak
But love me two times, girl
Last me all through the week
Love me two times
I'm goin' away
Love me two times
I'm goin' away 
All right, yeah! 

Love me one time
I could not speak
Love me one time, baby
Yeah, my knees got weak
But love me two times, girl
Last me all through the week
Love me two times
I'm goin' away

Love me two times, babe
Love me twice today
Love me two times, babe
'Cause I'm goin' away
Love me two time, girl
One for tomorrow
One just for today
Love me two times
I'm goin' away
Love me two times
I'm goin' away
Love me two times
I'm goin' away

 

 




Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
Introdução à Economia: "Valor de Mercado"

 

Quando tratamos todos como meras pedras da calçada, nunca percebemos que existem diamantes... quando tratamos todos como diamantes, estes perdem o seu valor e transformam-se em pedras da calçada... pois os diamantes dependem da sua quantidade mínima (escassez) para serem especiais.

 

Sejam justos (tenho dito)!

 

 




Domingo, 7 de Março de 2010
Silêncios ensurdecedores

 

"Shiu!" era tudo o que António queria ouvir, um "cala-te" transmitido em forma de abraço, sem beijo ou palavras, e assim nesse silêncio talvez conseguir encontrar conforto e respostas, aspecto onde aparentemente as bocas e as palavras falhavam de forma redundante.


"...Tenho-te aqui a meu lado
do lado esquerdo do peito
a pensar em ti eu acordo
a sonhar contigo me deito..."


Mas da pueril inocência do seu amor desfeito surgiam apenas dúvidas, e tudo o que lhe saía da alma eram coisas sem sentido ou por demais revisitadas, como os poemas "ABAB" deprimentes que escrevinhava nos cantos dos envelopes das contas por pagar, pontos de vista desfocados, pouco objectivos, dispersos, gritos de revolta que  não queria calar, mas que ela já não estava mais lá para ouvir, sentada no cadeirão de verga a apanhar os primeiros raios de sol da manhã enquanto ele espremia laranjas para o pequeno-almoço, ou no sofá da sala, na cama, na imperfeição da escolha de copos e talheres diferentes na mesa do jantar, pois saiu, porta fora, com escova de dentes e parte dele dentro da mala de campismo vermelha, roçada das aventuras, com poeira do último verão Algarvio e um coração desenhado por dentro a esferográfica azul, com as iniciais separadas por um "+", recordações de brincadeiras adolescentes das suas vidas adultas e sonhadoras... pois agora ela não estava mais ali, saiu, senhora de si, formalmente distante, longe das calças de desporto e top domingueiros, confiante no que fazia, cada vez mais longe, nessa espiral de escadaria até ao piso térreo do prédio, e António ali ficou, desolado, de braços caídos, rosto cabisbaixo numa surda tempestade de desilusões, vencedor totalista de uma viagem só de ida até ao inferno (sem sequer lançar aposta), sem direito ao prazer de sentir prazer, a espera que um dia, por compaixão ou desprezo, ela lhe entregasse a parte dele que levou com ela, e que, da forma mais pura de todas, ele partilhava...


 - “Calma António, calma!! Respire fundo, beba um copo de água, tome um calmante, o amor não existe, é apenas um artifício, espalhe a semente meu amigo, espalhe a semente…”

 - “Mas eu amo-a!!”

 - “Ama-a...?! Sabe lá você o que diz... seja um homenzinho, cresça... isso da monogamia e amor eterno são coisas do tempo da outra senhora, faça pleno usufruto de tudo a que tem direito, incluindo, obviamente, das mulheres... não seja tacanho...”


E um punho cerrado perfez uma curva no ar, acabando, de forma abrupta nessa boca (supostamente) sábia, seguido de um chorrilho de impropérios demasiado obscenos - mas óbvios - desencadeados pelos elevados níveis de testosterona e também, a bem da verdade, de indignação...

 

 - "Se eu digo que a amo é porque a amo!!! Guarde para si a panaceia dessas tretas pós-modernas, quero Romeu e Julieta de Shakespeare, percebe ?!?! PERCEBE?!?!?”

 

 

E que mais podia dizer o doutor naquela situação, se não dizer que sim, e posteriormente, pôr-lhe uma acção em Tribunal...

 

 

 


OUVI DIZER
 - "O Monstro Precisa de Amigos"

Ornatos Violeta - Manuel Cruz
 

Ouvi dizer que o nosso amor acabou
Pois eu não tive a noção do seu fim
Pelo que eu já tentei,
Eu não vou vê-lo em mim
Se eu não tive a noção de ver nascer um homem
 

E ao que eu vejo,
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi
E eu fiquei com tanto para dar!
E agora
Não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva!
 

E pudesse eu pagar de outra forma

 

Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã,
E eu tinha tantos planos pra depois!
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós;

Sem tirar das palavras seu cruel sentido
Sobre a razão estar cega,
Resta-me apenas uma razão,
Um dia vais ser tu
E um homem como tu,
Como eu não fui,
Um dia vou-te ouvir dizer:  
 

E pudesse eu pagar de outra forma! Sei que um dia vais dizer
E pudesse eu pagar de outra forma!

 

A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte,
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas,
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura,
Ora amarga, ora doce,
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!

 

 




Pensamento à janela... (de cotovelos em pedra fria)*

 

 

 

 

 ...certas questões morrem solteiras (preguiça, amor, ódio, saudade e vingança), porém, se tudo se soubesse não se faziam perguntas, não se procurariam respostas, dentro e fora do que somos. Em certos dias, falta-me o ar, fisicamente, de “prensa no peito” e tudo a que tenho legitimamente direito, mesmo com tanto espaço, sufoco de liberdade, na ânsia de ter de regressar a essa prisão, que afinal apenas reside em mim, cárcere construído de raiz, tijolo por tijolo pelas minhas próprias mãos (culpa), cela de aparência modesta e populada de incertezas, de bibelôs de medo nas prateleiras, lençóis por desmanchar.

 

Suspiro “ais” ao vento e recordo também "suspiros", os bolos de elevadas calorias que tantas vezes comi em miúdo, e que me despertam para o corriqueiro pensamento de como o tempo passa depressa - e de como facilmente se perde tempo - se avançam ponteiros e se arrancam folhas do calendário, 10 anos foram ontem, 20 anos a semana passada, e o que fica guardado ? Pouco e mesmo assim vago. Resumo (e reduz-se) tudo a um pequeno novelo, condensado, (como uma gaveta cheia de quinquilharia, onde se guarda de tudo) de fotografias e filmes de pessoas, objectos, situações e sítios, mas que parecem sempre poucos, que parecem sempre não conseguir fazer jus a uma vida plena de emoções, como se mais se pudesse ter feito, como se mais pudesse ter sido possível de fazer, como se mais nada se pudesse acrescentar (de novo), como se o inverno tivesse vindo para ficar, frio e ameaçador, e eu de edredon por meter na cama mas já a sofrer de antecipação por o não ter posto e que, nesse medo, me perco e acabo por não pôr, sofrendo efectivamente do frio que tinha medo de sofrer.

 

Tenho tudo, sempre consegui tudo, mas abertamente falando, que tenho eu? Meia dúzia de conformismos burgueses, meia dúzia de manias revolucionárias, frases feitas, arrogância, desdém, algo a que chamo amor quando quero ser amado, pouco mais, nunca houve muito mais que isto, certamente...

 

Recordações, sempre elas, mas porquê guardar na memória, acontecimentos tão simples e aleatórios como encontrar um "pé de pato" da Churchill Makapuu  nos seus tons originais, azul de ponta amarela, num passeio estival no principio da década de 90 perto da praia da Almagreira? Não faz sentido, era só um, ainda por cima um gigantesco "L" e nem sequer fiquei com ele... isso ou recordar com exactidão historias de outros, contadas ou vistas, melhor que os próprios. Nada disso é aparentemente útil ou utilizável, mas ironicamente, também sei coisas que nunca ouvi, vi ou conheci, mas sei o que contam, o que são, o que me querem dizer, tal como desconhecidos que sabemos serem fruta podre, confirmados na primeira trinca gulosa, cuspida de seguida, mostrando o verme que a devora.

 

Saudades, eternas saudades, saudades de "tio patinhas" e pipocas com açúcar debaixo de um alpendre de um quintal que já não existe, na companhia de um cão que já morreu, tenho saudades de pescarias hoje em dia impossíveis, de caminhadas pela praia cada vez mais improváveis...


(tive isso tudo um dia na palma da mão aberta, mas agora de mão fechada, tenho medo de a voltar a abrir, e não encontrar... nada)

 

 

* Sara também pensa assim, mas só nos dias em que a chuva vem e bate na janela virada para o rio (Douro)...
 

 




Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Just a little pin prick (palavras sem fotografia)

 

Pensava eu que o mundo acabaria – mais tarde ou mais cedo – por ceder simpatias, coisas dispersas e avulsas (raras), de cheiro a mofo de não usar, descontinuadas, mas felizes. Não passou tudo de mera expectativa, da pior ilusão, enganei-me no espelho (olha para ti, sou eu) um acumular de contínuos “Dons Sebastiões” em espera que a meteorologia lhes desse uma manhã de nevoeiro cerrado e esperançoso, que tardou sempre em chegar, e onde após debelar a negação, se descobre que mesmo o mais cerrado de todos não encobre nada, é fumo de um fogo comum, apenas um ligeiro camuflado, pequena brisa suja, manto de tecido leve, que distorce mas não esconde ou trás nada que não estejamos à espera, eterno embrulho de presente que pelo toque sabemos sempre serem meias de desporto contrafeitas, e que, por suposição, experiência, mas nunca sorte, quase que adivinhamos a cor branca, eterna frustração de quem sabe sempre o que lhe espera, hoje, amanhã e depois, Tigre amansado que vive num habitat controlado, genérico, pouco expressivo, desgastante, forçado, definido, pois tudo é-lhe "explicitamente numas/aparentemente noutras" dado, nada obtido por esforço real ou vontade própria, tudo em troca de uma falácia, de uma ilusão, de um gesto maquinal de fera, uns quantos abrires de boca de tédio (bocejos) e revolta (rosnares)…

 

 

O Tigre não faz ron ron
O Tigre só quer caçar
O Tigre nunca foi bom
É fera que quer matar

 

 

Não quero mais comer dessa carne, oferecida em mão, talhada de seu nervo, de ossos escolhidos a dedo, de níveis medidos, analisados, não quero beber mais água límpida, filtrada, aditivada, quero o que calha, o que me calha, o que mereço, parem, por favor parem!! Libertem as amarras invisíveis, mordaças mentais, eu estou a rosnar, enfurecido, não é felicidade, não quero os vossos sorrisos, não me tirem fotos, estas árvores não são daqui, foram aqui plantadas, estas pedras fazem parte dos sonhos de uma Arquitecta, de um Biólogo, de alguém, não foi a natureza que as escolheu… eu não sou daqui… eu não pertenço aqui… eu não sou livre, não sou o que estão a ver… metam uma ponte no fosso e eu juro que passo, eu juro que trinco, mordo e mato… julgam-me mal… não simpatizo com as vossas simpatias… preservar dizem vocês… amor dizem sentir… amor por vocês sim, mas não me façam de joguete, marioneta do vosso egoísmo, demanda de em tudo mandar, de tudo subjugar, estou cansado dos vossos gostos, regras e vontades… quero morder o braço frágil e quebradiço de uma criança, não me conhecem, quero matar 2 ou 3 antes de ser sedado, quero sentir o sangue quente de uma jugular a escorrer-me pela garganta, quero lamber as minhas patas pastosas de sangue coagulado, quero ser odiado, quero que alguém se arrependa de me ter pensado bonito e dócil, não sou peluche, não sou producto de prateleira de hipermercado nem personagem ternurenta de filme domingueiro de animação, quero ser abatido se for preciso, morrer a tentar viver …

 

Deixem-me mostrar o que sou, o que realmente sou, pois até agora não sabem ou conhecem nada…nada!!!!

 

 

O Tigre não está mansinho
O Tigre não está quebrado
O Tigre não quer um destino
De outros para ele traçado


 

E uma besta fechou os olhos, seguiu a viagem do livre arbítrio, nesse caminho pintado a negro, breves segundos espaçados de um flash, invadidos depois de cor, das coisas que queria e quer, de lugares onde nunca esteve mas sonha, de coração acelerado que pára, mas que numa eternidade indefinida e secreta…ecoa…

 




Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
Beijos igual a mil - (ad II)

 

 

Porque insistimos nós, seres (por vezes) questionavelmente racionais em teimar que a felicidade e o amor não passam de meras equações matemáticas, explicáveis, conhecidas e de fácil execução? Será que nós, humanos espartilhados dos nossos ímpetos por regras, pensamos não passar de simples fotocópias uns dos outros, de diferenças minúsculas, de mais ou menos brilho, de mais ou menos definição ou ruído em grão de papel (definido manualmente ou de consequência directa, contigencial, do nível de toner)? Será que também pensamos que as emoções se definem de tal forma?

 

Será que assumimos que a felicidade e o amor podem ser repetidos, como quem segue uma receita de Cozido á Portuguesa ? Será assim tão redutor (que não se ofenda o cozido)? Será que as relações humanas e no seu expoente máximo, o amor, não passam de um juntar ordenado de hortaliças, batatas, carnes variadas,  enchidos e temperos numa panela em que se obtém (quase sempre) o mesmo resultado que nos 10 cozidos anteriores ? Existirão realmente fórmulas de amar? E acreditamos nisso ? Poderemos nós repetir, fotocopiar, seguir a receita de sobremesa do adocicado de um determinado beijo com mil pessoas diferentes ? Será então um  beijo sempre o mesmo beijo ? E a intensidade será também obtida por tais métodos ? Todos os beijos serão então passíveis de tirar o fôlego ? Saberão então  ao mesmo todos os beijos copiados e formulados por tabela? Todos os beijos podem ser repetidos e catalogados como "um" se as pessoas forem  "parecidas" (como os ingredientes do cozido)? Ou será que o que apenas importa é o gesto mecânico de beijar ?

 

Penso que não será necessário recorrer a bases técnicas ou teóricas de manuais de Ciências Humanas, para assumir - sem preconceitos - que será impossível replicar na exactidão emoções, gestos e momentos perfeitos (felicidade) com todas as pessoas que habitam neste planeta na via láctea "plantado", porque  caso isso fosse possível, a felicidade estaria ao virar de todas as esquinas  (cada caso é um caso/cada pessoa é única... banal, óbvio, senso comum... mas estará posto em prática ?)

 

Sabemos de antemão que somos todos vampiros (de dentadinhas na alma), sugamos um pouco de tudo das pessoas com quem nos damos e a quem nos damos, aproximamo-nos das pessoas que por algum motivo nos fazem sentir ligados a elas, coisas diversas, músculos proeminentes, pernas compridas, mamas grandes, boa na cama, bom na cama, gosta das mesmas drogas que eu, come os mesmos doces, é loura, é gorda, usa óculos, é bonita, é lindo, usa saia, fica bem de calções, tem cabelo encaracolado em tubinhos, sem tubinhos, é careca, é inteligente, lê livros, tem livros a decorar a estante da sala, faz-me rir, faz-me vir, tem conversa interessante, é rude, diz "prontos" e "pecebos", gosta de música, gosta de som, gosta de sexo tântrico, de rapidinhas, lê poesia, escreve poesia, faz filmes, vê filmes, entra em filmes, faz-me filhos, toca guitarra, toca-me no ponto g, faz ponto cruz, percebe de água e de luz, gosta de carros, tem mota, tem skate, anda a pé, faz desporto, vê desporto, é a favor do aborto e só acende o churrasco com acendalhas... (nem entremos pelo campo "tem as mesmas folgas que eu, não tenho mais ninguém/é o que há")

 

...mas será realmente possível que duas pessoas que possuam os mesmos itens de preferências da nossa lista, nos conseguem fazer sentir o mesmo, um olhar, um beijo, uma cumplicidade, uma relação (um amor!) e obter assim um mesmo resultado como quem mistura leite com cereais de pequeno-almoço ?

 

Serão então os cereais de marca “X” iguais aos da marca “Y” visto que na caixa dizem ter os mesmos ingredientes ? Mas se forem, então porque razão comemos  sempre os mesmos ? E porque razão voltamos a correr ao supermercado quando a ingenuidade de que "tudo é igual" se desfaz à primeira colherada no prato cheio dos "outros mais baratos que custam só metade"?

 

É no mínimo perturbador pensar que se pega no Francisco e na Isabel et voilá, felicidade, e depois pega-se no Francisco e na Teresa, na Isabel e no Ricardo,  ambos de gostos semelhantes, aplica-se a fórmula mágica da felicidade e do amor e obtemos o mesmo resultado! Faz sentido ?! Seremos todos cereais da mesma marca e feitio ? Onde entram os de "marca branca" ? Sabemos que o amor e a felicidade são coisas complexas... difíceis de atingir...  trabalhosas... mas então porque motivo estamos nós colocar a fasquia tão baixa ? Porque motivo colocamos as coisas em planos tão simplistas ?


 

Resumo profilático, poético, sincero, sem objectivo de toldar pessoas, mudar hábitos/criar mudança... (e sem coisas de almas-gêmeas, destinos e outros...)

 

"Os beijos de ontem, não podem ser iguais aos beijos de sempre, num amor de cereais de pequeno-almoço com banda sonora de pianos, frases  feitas do passado que assim soltas perderam o seu sentido, pois estão fora do seu casulo, de jantares falsificados, com o retomar dos vícios ao sabor de música incomum, dos amigos inimigos e extemporâneos que nos sugam compaixão por serem egoístas de afectos e sedentos do amor que nunca sentiram - e invejam -  em películas revisitadas que no fundo jamais serão iguais, embora sejam as mesmas, com os mesmos actores e enredos, com risos e beijos parecidos nos mesmos  locais, fotocopiados, imitados nos mesmo pontos fixos do GPS, mas que obviamente já não são os mesmos. O passado, ferida aberta, assassina do sabor da vida quando não foi em vão, quando foi amor, aquele amor, o expoente máximo do amor, palavra sentimento e razão de ser, existir... e por isso... podemos rir, acreditar com convicção que somos felizes, enchendo a cabeça de repetições, formulas ou de ilusões, mas aquela  sensação estranha no peito que não sabemos bem o que é, estará sempre presente, tal como o último pensamento antes de adormecermos, todos os dias, que nos  diz baixinho, com a nossa própria voz: ____________... "

 


Sejamos então felizes... porque o amor é luta, é guerra de homens/mulheres convictos do seu valor... ou esqueçamos então estas linhas e continuemos impávidos e serenos a repetir e a acreditar em fórmulas de felicidade em loop... felizes a comer os indigestos e baratos cereais de segunda  escolha... o que importa, afinal, é ter a boca cheia... não é ?

 

 

 

ROMEO AND JULIET - "Making Movies"

Dire Straits - Mark Knopfler


A lovestruck Romeo sing a streetsuss serenade
Laying everybody low with a lovesong that he made
Finds a convenient street light steps out of the shade
Says something like you and me babe how about it?

 

Juliet says hey it's Romeo you nearly gimme a heart attack
He's underneath the window she's singing hey la my boyfriend's back
You shouldn't come around here singing up at people like that
Anyway what you gonna do about it?

 

Juliet the dice was loaded from the start
And I bet and you exploded into my heart
And I forget the movie song
When you gonna realise it was just that the time was wrong Juliet?

 

Come up on different streets they both were streets of shame
Both dirty both mean yes and the dream was just the same
And I dreamed your dream for you and now your dream is real
How can you look at me as if I was just another one of your deals?

 

When you can fall for chains of silver you can fall for chains of gold
You can fall for pretty strangers and the promises they hold
You promised me everything you promised me thick and thin
Now you just say oh romeo yeah you know I used to have a scene with him

 

Juliet when we made love you used to cry
You said I love you like the stars above and I love you till I die
There's a place for us you know the movie song
When you gonna realise it was just that the time was wrong Juliet?

 

I can't do the talk like they talk on the TV
And I can't do a love song like the way it's meant to be
I can't do everything but I'd do anything for you
I can't do anything except be in love you

 

And all I do is miss you and the way we used to be
And all I do is keep th beat and bad company
All I do is kiss you through the bars of a rhyme
Juliet I'd do the stars with you any time

 

Juliet when we made love you used to cry
You said I love you like the stars above I'll love you till I die
And there's a place for us you know the movie song
When you gonna realise it was just that the time was wrong Juliet?

 

A lovestruck romeo sings a streetsuss serenade
Laying everybody low with a lovesong that he made
finds a convenient streetlight steps out of the shade
Says something like you and me babe how about it?

 

(vale a pena ouvir em formato de qualidade, as lágrimas que rolem durante a sua audição - caso existam - serão humanas, facilmente enxutas pelas mangas da camisola ou guardanapo de papel)

 

 

 




Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Não me apetece jantar - (ad I)

 

Na parte imaterial do ser humano encontrei isto:
 
"...Lembro-me bem - quase tanto como do teu sorriso, da ternura do teu toque e do cheiro da tua pele - dos jantares perfeitos, de mesa composta, pratos, copos e talheres, de bases de pratos e de tachos, preservando a mesa da cozinha ou sala, e dos guardanapos que toscamente colocava nos copos, como se a moldura tivesse de ser perfeita. Cozinhávamos amor em lume brando, eu e tu, revezados consoante o tempo, a vontade, tudo de sabor intenso. Recordo receitas de peixe, carne, sobremesas, doces e abraços enquanto se mexia o arroz.
 
Não passa um dia que não recorde, por mais que pareça impossível, e dá um certo reconforto saber que é assim, embora doa, porque quando é verdade não se esquece, não se apaga, não se substitui ou mata, se fosse fácil, ilusão ou deslumbramento atirava-se para trás das costas ao primeiro beijo alheio, mas não, todos os dias lá estás tu, de novo, e em silencio digo: amo-te... e penso que amor assim deveria estar exposto no Louvre, para todos verem, admirarem e sentirem.
 
Não passa um mês que não recorde datas - faça contas - ou um sitio/situação que não sinta a tua falta, ou algo novo, qualquer situação que não tenhamos vivido em que não pense como seria contigo, como gostaria de ser chato e explicar-te o motivo, a razão e funcionamento. A partilha será eterna, porque os almas são peças perdidas de um grande puzzle, e duas peças iguais não se juntam, mas as nossas diferentes encaixavam na perfeição, tais como os corpos, um ao lado do outro, perfeitos.
 
Parece e soará sempre a loucura, exagero, eloquência, mas sinceramente, e convicto das minhas totais capacidade mentais - por si só uma falácia - Isso importa ? Isso impede que seja verdade ? A minha verdade é só uma e confesso que é amor, foi e será sempre amor...
 
... e quando é amor damos tudo, e quando damos tudo, resta-nos nada, e é com esse nada que temos de continuar..."
 
 
 
O amor, os sentimentos, são incêndios descontrolados com que as pessoas gostam de brincar, reduzidos á dimensão de fósforos...
 
(e depois...)
 

 

 
 
JOÃO E MARIA  – (sem álbum de estúdio)
Chico Buarque – Sivuca, Chico Buarque

 

 

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinés

 

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

 

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido

 

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
 

 




Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
La hora del té

 

Quem não força os limites, limita-se a pensar que eles existem…

 

(quem/onde/como)

 

 

 

 

TAKE IT TO THE LIMIT - "One of these nights"

The Eagles - Henley, Frey, Meisner

 

 

All alone at the end of the of the evening
And the bright lights have faded to blue
I was thinking 'bout a woman who might have
Loved me and I never knew
You know I've always been a dreamer
(spent my life running 'round)
And it's so hard to change
(can't seem to settle down)
But the dreams I've seen lately
Keep on turning out and burning out
And turning out the same

So put me on a highway
And show me a sign
And take it to the limit one more time

You can spend all your time making money
You can spend all your love making time
If it all fell to pieces tomorrow
Would you still be mine?

And when you're looking for your freedom
(nobody seems to care)
And you can't find the door
(can't find it anywhere)
When there's nothing to believe in
Still you're coming back, you're running back
You're coming back for more

So put me on a highway
And show me a sign
And take it to the limit

One more time

Take it to the limit
Take it to the limit
Take it to the limit

One more time




Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
O almoço (mais uma colher de arroz no prato...)

 

A verdadeira felicidade está presente na gota de água que nos cai na boca quando temos sede... e também na escolha errada de tentar atravessar o deserto...

 

 

 

LUCKY MAN - "Urban Hymns"

The Verve - Ashcroft

 

 

Happiness
More or less
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh, my, my
Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
I know just where I am

But how many corners do I have to turn?
How many times do I have to learn
All the love i have is in my mind?

But I'm a lucky man
With fire in my hands

Happiness
Something in my own place
I'm stood here naked
Smiling, I feel no disgrace
With who I am

Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
I know just who I am

But how many corners do I have to turn?
How many times do I have to learn
All the love i have is in my mind?

I hope you understand
I hope you understand

Gotta love that'll never die

Happiness
More or less
It's just a change in me
Something in my liberty
Happiness
Coming and going
I watch you look at me
Watch my fever growing
I know
Oh, my, my
Oh, my, my
Oh, my, my
Oh, my, my

Gotta love that'll never die
Gotta love that'll never die
No, no
I'm a lucky man

It's just a change in me
Something in my liberty
It's just a change in me
Something in my liberty
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh, my, my
Oh, my, my
It's just a change in me
Something in my liberty
Oh, my, my
Oh, my, my
 




Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Le petit déjeuner


Um homem nasce
Usa fralda e babete
Usa chucha e bebe leite
Vai para o infantário
Vai para a escola
Joga à bola
Vai para a faculdade
Tira a carta
Anda no carro dos pais
Tem namoradas
Faz sexo
Faz amor
Faz uma viagem de finalistas em Espanha
Arranja um trabalho
Arranja um emprego
Compra um carro em 2ª mão
Arranja uma namorada fixa
Ela trai-o
Chora

Sai de casa
Aluga um apartamento
Vive com a namorada
Casa-se com ela
Tem um filho
Compra um carro maior
Trai-a
Tem outro filho
Torna-se chefe na empresa
Compra uma carrinha
Entristece
Morre-lhe o pai
Chora
Compra um lugar cativo no estádio do clube
Faz um PPR
Morre-lhe a mãe
Chora o resto
Toma Viagra
Reforma-se
Tem um neto
Faz um cruzeiro
Tem um AVC
Recupera
Tem outro AVC
Vai para um lar

Usa fralda e babete
Um homem morre
 




Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Retroactividades (concisas)

 

 

 

Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá


Amo-te!!

 

(Diga hoje, sem rodeios, o que devia ter dito ontem... senão o que vai ter para calar amanhã ?)

 

 

 

COMMUNICATION BREAKDOWN - "I (Led Zeppelin)"

Led Zeppelin - Bonham/Jones/Page
 

Hey girl stop what you're doin'!
Hey girl you'll drive me to ruin.
I don't know what it is that I like about you
But I like it a lot.
Won't let me hold you
Let me feel your lovin' charms.

Communication Breakdown
It's always the same
I'm having a nervous breakdown
Drive me insane!

Hey girl I got something I think you ought to know.
Hey babe I wanna tell you that I love you so.
I wanna hold you in my arms, yeah!
I'm never gonna let you go,
'Cause I like your charms.
 

Communication Breakdown
It's always the same
I'm having a nervous breakdown
Drive me insane!
 

I want you to love me all night...
 

Communication Breakdown
It's always the same
I'm having a nervous breakdown
Drive me insane!
 

I want you to love me all night
I want you to love me
I want you to love...yeah! I want you to love!

  




Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Entre coisas

 

Nunca culpes (condenes) quem te enterra, o coveiro, mas quem vai dentro do caixão... tu!

 




Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Artigo descontinuado (ruptura de stock)

 

Not For Sale / Não Se Vende

 

 

"Estimados Clientes,
 
Devido á elevada procura do artigo ("My Love/O Meu Amor") vimos por este meio informar que o artigo em causa encontra-se actualmente em ruptura de stock por ter sido descontinuado por parte do fabricante, e que segundo o próprio se deveu ao facto do mesmo se encontrar obsoleto e inadequado  às actuais exigências do mercado, não nos tendo sido fornecida qualquer informação adicional sobre a previsão de chegada de novas encomendas, ou mesmo de nova produção (ou substituição).
 
Aproveitamos este comunicado para também desmentir os constantes rumores que as últimas unidades do artigo viriam a estar disponíveis para venda num futuro próximo a preço reduzido, em campanhas de "leve 2 pague 1" ou com desconto em período de saldos.
 
Não obstante este facto, pelo qual somos totalmente alheios, pedimos desculpa pelo incómodo causado e aconselhamos V.Exas. a passarem pela secção de novidades, onde poderão encontrar alternativas mais recentes, actualizadas e já em conformidade com as leis vigentes e que servirão as mesmas necessidades (possivelmente até de forma mais eficiente).
 


Gratos pela atenção dispensada,
 
 
Com os nossos melhores cumprimentos
 
 
  
 

A Gerência"

 




Domingo, 28 de Junho de 2009
O hoje é presente/dádiva

 

Já sei que isto não se pede, e que mais tarde ou mais cedo acabamos sozinhos a gritar um com o outro e que já há existem por aí alminhas a afinar pianos para tocarem a marcha fúnebre no tom mais negro de todos, quando chegar essa hora, esse fim pelos vistos mais que definido. Já nos avisaram disso de todas as maneiras possíveis, que não vai dar certo, que não pode dar certo, até no horóscopo daquela revista de fofocas que a tua mãe costuma comprar e que tinhas perdida no teu carro, debaixo do assento do pendura, apenas acessível do banco de trás... lembras-te certo ?!

 

Também já sei que vamos sofrer, vamos sofrer imenso e que vamos chamar nomes um ao outro e possivelmente mandar coisas à cara, físicas e verbais (não somos inexperientes nessas lides) e que depois disso tudo, de nos amarmos e zangarmos, regressaremos cabisbaixos à compaixão recalcada dos nossos amigos de sempre, que com ares de pais sisudos nos vão apontar o dedo e dizer:

 

- "eu tinha-te avisado que isso ia acontecer, sabes bem que no fim dependemos sempre de nós! Os/As homens/mulheres são todos/todas iguais, é tudo uma cambada de cabrões/putas!!"

 

E muito mais "blá blá blá" sobre coisas que já ouvimos vezes demais, lengalengas sabidas de cor e salteado, e que nós até já lemos de relance em estudos de suplementos da imprensa escrita semanal ou diária... mas... se isso de facto já está escrito, certo e bem definido para amanhã... que tal aproveitar o hoje com tréguas, sem fogo inimigo e amigo, sem mais explanações sobre coisas aborrecidas, egocêntricas e no fim, desoladoras e sem sal... será que nos podemos salvar ?!

 

Não é preciso muito, apenas o habitual, só um bocadinho, como temos feito sempre... um abraço e um beijo, um adoro-te sentido (para não atropelarmos o amor e o que ele significa, e manter assim o peso leve da paixão sobre os ombros) e um jantar à luz do candeeiro da sala... vá, eu faço o jantar e levo o vinho, faz-nos só esse favor, esse  jeitinho, e direi como nas promessas de criança, inocentes e verdadeiras, que "se me salvares prometo que te salvo a ti", de todas as maneiras possíveis e assim ficamos quites... e felizes... já nos traçaram e mataram o futuro, mas será que pelo menos podemos viver (e aproveitar) o presente?!

 

 


(E ao telefone, por entre palavras, com e sem nexo, convergentes de carinho, surgem os estrangeirismos... ao qual nosso amor é nativo)

 

- "Queres matar saudades de mim mon amour ?!"

- "Oui oui, toujours!"

 

 

 


SAVE TONIGHT
 - "Desireless"

Eagle Eye Cherry
 

Go on and close the curtains
All we need is candlelight
You and me and a bottle of wine
Going to hold you tonight

We know I'm going away
How I wish....wish it weren't so
Take this wine & drink with me
Let's delay our misery

Save tonight
And fight the break of dawn
Come tomorrow
Tomorrow I'll be gone

There's a log on the fire
And it burns like me for you
Tomorrow comes with one desire
To take me away....it's true
It ain't easy to say goodbye
Darling please don't start cry
'Cause girl you know I've got to go
Lord I wish it wasn't so

Save tonight
And fight the break of dawn
Come tomorrow
Tomorrow I'll be gone

Tomorrow comes to take me away
I wish that I......that I could stay
Girl you know I've got to go
Lord I wish it wasn't so

Save tonight
And fight the break of dawn
Come tomorrow
Tomorrow I'll be gone....

 




Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Tu queres ou simploriamente desejas ?

 

Os senhores da razão não se questionam (ou fazem perguntas)... preferem andar enganados... (enganando ?!)

 

 

Por mim pode ser / O relógio deles é que tem ponteiros

 

 

 

I AM THE WALRUS ("no you're not" said little Nicola) - "Magical Mystery Tour"

The Beatles - Lennon/McCartney

 

 

I am he as you are he as you are me and we are all together.
See how they run like pigs from a gun, see how they fly.
I'm crying.

Sitting on a cornflake, waiting for the van to come.
Corporation T-shirt, stupid bloody Tuesday.
Man, you been a naughty boy, you let your face grow long.
I am the eggman, they are the eggmen.
I am the walrus, GOO GOO GOO JOOB


Mister City P'liceman sitting
Pretty little p'licemen in a row.
See how they fly like Lucy in the Sky, see how they run.
I'm crying, I'm crying.
I'm crying, I'm crying.

Yellow matter custard, dripping from a dead dog's eye.
Crabalocker fishwife, pornographic priestess,
Boy, you been a naughty girl you let your knickers down.
I am the eggman, they are the eggmen.
I am the walrus, GOO GOO GOO JOOB


Sitting in an English garden waiting for the sun.
If the sun don't come, you get a tan
From standing in the English rain.
I am the eggman, they are the eggmen.
I am the walrus, GOO GOO GOO JOOB


Expert textpert choking smokers,
Don't you thing the joker laughs at you? Ha ha ha!
See how they smile like pigs in a sty,
See how they snied.
I'm crying.

Semolina pilchard, climbing up the Eiffel Tower.
Elementary penguin singing Hari Krishna.
Man, you should have seen them kicking Edgar Allan POE.
I am the eggman, they are the eggmen.
I am the walrus, GOO GOO GOO JOOB, GOO GOO GOO JOOB
GOOGOOOOOOOOOOOOOOOOJOOOOOOB

 




Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Coisas que acontecem entre as 24:00 e as 08:00

 

"Não fales mais... não fales demais... meu amor... deixa-me sentir-te a alma, sei que é estúpido dizer isto, parece conversa de poeta aprisionado em quarto almofadado… mas sei que percebes o que digo...

 

Deixa-te estar só assim, aconchegada, o tempo que quiseres ter o teu corpo nos meus braços... deixa-me passar a mão pelo teu cabelo, prendê-lo suavemente atrás da orelha, e sentir a tua respiração... és linda aos meus olhos (será que realmente o sabes ?)... e eu só quero estar assim, a ver-te ali, perfeita nesse imagem... nem sei bem como o dizer, como explicar a paz e o amor. 

 

Acho que estamos numa sala qualquer, num sofá, talvez o teu, ou talvez no conforto desconfortável dos assentos paralelos do carro, com travão de mão ligeiramente aliviado e manete das mudanças engatada em terceira, mas isso são questões físicas, descartáveis para a ocasião, que pouco importam...

 

Serás sempre a minha princesa (acho que não aceitas isso)... e a memória do toque da tua pele não basta... mas tem de servir...

 

Demasiado doce... demasiado suave... realmente demasiado bom para ser verdade...
 

 

Não me belisques já... por favor... só mais 5 minutos..."

 




Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Coisas que acontecem

  

Se as palavras fossem acompanhadas de compreensão, provavelmente diria assim, sem soluços...

 

"Isto é um segredo... meu e teu... não o maltrates ou machuques em vão, afinal de contas é  a coisa mais preciosa que existe neste mundo, partilhamo-la. Faz como eu (conselho de...), guarda tudo (memórias e segredo)  junto ao peito, mas bem lá no fundo, onde a dor se transforma em carinho, em saudade, em amor, sempre, onde não há espaço para as coisas más,  para receios ou rancores, guarda tudo como um tesouro (porque o é), e esconde-o bem, embrulhado em veludo vermelho como tu gostas, sente-o no peito e toma notas, descreve-lhe o sabor numa folha, num caderno antigo da escola ou num diário adolescente preenchido até meio, e lê-o quando precisares de sentir... ou quando sentires que precisas... novamente... ou quando te esqueceres no futuro ao que sabia, ou quando voltares a pensar que é apenas mais uma palavra entre "aal" e "zurzir"...

 

Um dia, entre hoje e amanhã vais o querer reaprender, tens aí uma boa base, lê, sente e copia (senão conseguires mais do que isso), mas nunca te esqueças que é uma arma, e uma arma que se saca para matar, não para meter medo...

 

Quem diria não é ? Quem diria...


Olha... diria assim o Fonseca de Leiria, em jeito de despedida, em frases de booklets que ninguém lê ou pouco sentido dá...

 

"Love & Bliss"..."

 

... e as lágrimas, mesmo que injustas, desperdiçadas, cairiam de seguida livremente, mas não seriam nunca de crocodilo, pois ninguém consegue fingir as de amor... as de...

 

adeus... 

 

 

 

 

 

O MEU AMOR EXISTE - "Acto Contínuo"

Jorge Palma

O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.  

 

(NOTA: Infelizmente não encontrei nenhum vídeo ao vivo... temos então de nos contentar com este em "tributo a Audrey Tautou"... que pena...)

 




Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Amor de Estio (ou quase...)

 

 

Eu e tu... mais um dia das nossas vidas comuns, incomuns das restantes, pensamos nós absortos na nossa realidade única e linda. Conheço-te bem a alma, sei a pessoa que és, conheço de cor o teu sabor, o teu perfume, e tu sabes quem sou, do mesmo jeito, não precisamos de o pensar... sabemos... não precisamos de o dizer... sentimos...

 

Não existem outros, só nós, as pessoas à nossa volta, os milhares espalhados pelo mesmo areal, ávidos de 4 ou 8 horas de Sol não passam de figurantes de uma peça qualquer, indiferente para o caso, e nós espectadores em toalhas juntas sob areia fofa, olhamos e apontamos defeitos... e rimo-nos disso, rimo-nos deliciosamente da vida e da felicidade que temos... das coisas simples como calções e fatos de banho ridículos, penteados, figurinhas e famílias socialmente funcionais que para nós são o contrario... e depois eu beijo-te e tu trincas-me a língua... e dizes-me ao ouvido coisas que me fazem corar... e eu faço o mesmo e tu disparas um angélico e impostor:

 

- "Parvo!"

 

E ris-te, provocante, mordendo o lábio inferior e dando-me um beliscão na barriga, cúmplices no crime do amor, julgados e culpados á pena máxima.

 

Fica-te bem a pele bronzeada (já te disse) – tão linda! - O Sol realça-te ainda mais a beleza, os teus olhos ficam mais brilhantes, e os lábios mais apetitosos, mas amo-te de igual forma, o máximo permitido pelos poetas, infinitamente... adoro beijar a tua pele salgada, e de fazer amor contigo ao chegarmos da praia, do hall de entrada para o quarto, com toalhas e roupas cheias de areia deixadas pelo chão despreocupadamente (limparemos os dois mais tarde), e depois do quarto para o chuveiro, onde o sal dos nossos corpos se dilui com a água tépida e o calor dos beijos...

 

"Nunca pensei que fosses real... meu amor..." digo-te eu, entrando em conflito com a realidade, como se fosse impossível ser tão belo e temesse, mesmo que por breves momentos, acordar apenas de um sonho...

 

Calas-me a boca com um beijo, de desejo, transformamo-nos em diabos arfantes, de respiração profunda e compassada, de corpos amantes, sedentos, devoramo-nos contra os azulejos de olhos fixos um no outro... indescritíveis… e dizes-me...

 

"Mas sou... e tu também"

 

 

Amor vincit omnia

 




Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
O brutal (re)encontro...

 

Quem já viu, já sabe, quem nunca viu... que veja!!

 

Eu nem sou muito destes clips morais... mas nem sequer o questionei, acho que vale a pena pela lição...

 

 

(Atenção!! Contêm imagens chocantes de contacto físico entre animais ferozes!!)

 

 




Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Certas coisas compatíveis

 

Se te apetece comer laranjas porque raio insistes em trincar limões!? Sabes bem que é um erro julgar todos os citrinos como iguais... sobretudo se lhes conheces o sabor... se sabes que o sumo da laranja bebe-se bem com Vodka, a Tequila com metades de fatia de limão...

 

Se te apetece ficar porque foges agora ? Logo agora ?! Existirão sempre milhares de comboios, barcos, chinelos, autocarros e aviões para te levar longe daqui, garanto-te...

 

Partilhas um copo comigo ?

 

 

"Ladies and gentlemans, Mr Morrissey"

 

 

YOU HAVE KILLED ME - "Ringleader of the Tormentors"

Morrissey - Morrissey / Tobias

 

 

Pasolini is me, 'Accattone' you'll be, I entered nothing and nothing entered me, 'Til you came with the key, And you did your best but... As I live and breathe, You have killed me, You have killed me, Yes I walk around somehow, But you have killed me, You have killed me

Piazza Cavour, what's my life for?

Visconti is me, Magnani you'll never be, I entered nothing and nothing entered me, 'Til you came with the key, And you did your best but... As I live and breathe, You have killed me,
You have killed me, Yes, I walk around somehow, But you have killed me, You have killed me

Who am I that I come to be here...?

As I live and breathe, You have killed me, You have killed me, Yes I walk around somehow
But you have killed me, You have killed me, And there is no point saying this again, there is no point saying this again, But I forgive you, I forgive you, Always I do forgive you...
 

 

Nota: O "Live" do vídeo é apenas pela presença física no palco, porque na verdade, é Carlos Paião "Mode On" (Em playback!! em playback!!), mas é o Morrissey, e nós desculpamo-lo :)

 




Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Visão... (vês aquilo que queres ver)

 

 

 

 

Hoje o dia está bom... Bombeiro, nunca foi uma profissão que quis ter... Terrenos, devia ter investido e fiz mal... Malucos, o que todos julgamos ser... Sereias, nunca vi nenhuma nem nunca gostei da figura em si... Sinais de trânsito, ora aí está uma coisa que gosto, especialmente dos que estão cravados de stickers de surf, ou que estão marcados pelo tempo... Temporais, e os saudosos filmes no sofá enrolado num cobertor contigo... 
 
E pronto, lá se vai o meu raciocínio... outra vez.... Por mais que o ocupe, por mais que tente, porque tudo acaba sempre assim... sempre em ti... finjo e fujo como um rio que se quer longe do mar, serpenteando por entre os vales,  fugindo do seu destino, tentando abrigar-se em terra, atirando-se do alto, formando uma cascata, querendo a todo o custo encontrar uma barragem que lhe pare o movimento, que o deixe respirar, descansar, mas não... não há barragens nem buracos onde se esconder – volto sempre a ti – volta sempre ao mar... e se em ti não tenho o meu lugar, então que seja o mar a minha casa...
 
... que Deus e o Diabo me façam de parvo eu aceito, mas não me faça eu tolo de mim... as coisas podem estar à mesmo nossa frente... e mesmo assim não as conseguirmos ver... shiuuu!! ;)




Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Instantâneo II (... com Sumo de Laranja)

  

Um dos maiores erros da vida é pensarmos que alguém precisa de nós... outro é pensarmos que não precisamos de ninguém...

 

(Salve uma vida, adopte um animal... mas esqueça as pessoas, elas auto-mutilam-se e depois dizem que a culpa é sua)

 

 

 

SOMEBODY TO LOVE - "A Day At The Races"

Queen - Freddie Mercury

 

Can anybody find me somebody to love?
Each morning I get up I die a little
Can barely stand on my feet
Take a look in the mirror and cry
Lord what you're doing to me
I have spent all my years in believing you
But I just can't get no relief, Lord!
Somebody, somebody
Can anybody find me somebody to love?

I work hard every day of my life
I work till I ache my bones
At the end I take home my hard earned pay all on my own -
I get down on my knees
And I start to pray
Till the tears run down from my eyes
Lord - somebody - somebody
Can anybody find me - somebody to love?

(He works hard)

Everyday - I try and I try and I try -
But everybody wants to put me down
They say I'm goin' crazy
They say I got a lot of water in my brain
Got no common sense
I got nobody left to believe
Yeah - yeah yeah yeah

Oh Lord
Somebody - somebody
Can anybody find me somebody to love?

Got no feel, I got no rhythm
I just keep losing my beat
I'm ok, I'm alright
Ain't gonna face no defeat
I just gotta get out of this prison cell
Someday I'm gonna be free, Lord!

Find me somebody to love
Can anybody find me somebody to love?
 




Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Quiz (para lubrificar a alma)

 

Este Quiz não tem finalidades educativas ou militares!!

  

1) Tu aí!! ________ (escolhe uma letra)
 
A) Amo-te!!  - não chamo por "tu aí!!" uma pessoa que amo ;)
B) Odeio-te!! - não odeio ninguém
C) Fode-te!! (X) - ou coisa pior...
D) Queres saber a verdade sobre aquela dor que sentes dentro do peito ? 
   
nem a uma pessoa que quero ajudar :)


2) O que pode ser ouvido na música "Space Oddity" (David Bowie) depois de ele cantar:
 
"...tell my wife i love her very much..." (...digam a minha mulher que eu a amo muito...)
 
A) She's a Bitch / (Ela é uma cabra/puta)
B) She loves me too / (Ela ama-me também)
C) She knows! / (Ela sabe!) (X) - Claro que sabe...
D) She give me cocaine and LSD for lunch!  / (Ela dá-me cocaína e LSD ao almoço)

 

 
3) Que tipo de ___________ vive dentro de ti ? (Escolhe uma letra)
 
A) Monstro
B) Medo
C) Esperança
D) Pessoa 
(X) - Escolhe um dos heterónimos do Mestre (ou o ortónimo)
 

4) Escolhe o teu álbum de Led Zeppelin favorito

A) I
B) II
C) III
D) IV
E) Quem ?
F) Todos (X) - Embora o I e o II sejam os que mais vezes oiço...
G) Porque razão esta é a 4ª pergunta e tem mais alíneas que as restantes 4 ?

 
5) O que pode ser ouvido na famosa música de Rui Veloso, onde ele canta:

 

"...disseste que se eu fosse audaz, tu tiravas o vestido..."
 
A) mas afinal depois disseste que não podias porque estavas com o período
B) e tiraste e o pessoal todo que estava connosco em tua casa bateu palmas
C) e o prometido é devido (X) - Para certas bestas não...
D) mas eu nem precisei de ser audaz, tu adiantaste-te

 




Ainda bem que voltaste


(Já me fazia falta esse teu sorriso
Custava vivê-lo só ao recordar
Fazia-me falta teu porto de abrigo
Os corpos fundidos num só abraçar)


Já vinhas!
Vieste?
Fazias-me falta
Não sei se soubeste

Não sei se me ouviste
Nas noites baixinho
Sentado na praia
Esperando sozinho


Perdi-te!
Voltaste?!
Será que vieste
Ou nem o tentaste?
Talvez fosse cedo
E não tenhas esperado
Ou chegaste tarde
E eu já noutro lado


Fugiste?
Esqueces-te?
Senti-te por perto
Mas tu não cedeste
Sem olhos brilhantes
Nem peso dos beijos
Sem risos nem choros
Matando os desejos


Chegaste!
Foi duro?!
Esquecido o passado
Rasgando o futuro
Contigo a meu lado
Num beijo só nosso
O toque dos lábios
Molhados,
Sedosos,
Sedentos de nós,
Bocas ofegantes
Que se querem juntas
Como nunca antes
Teu corpo, meu corpo
No abraço de sempre
Amor, meu amor...
Só importa o presente

 

E (o) amor... mudaste ?!

Que importa...

Ainda bem que voltaste

 

 

  

 

  

WISH YOU WERE HERE - "Wish You Were Here"

Pink Floyd - Gilmour/ Waters

 

So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

 




Domingo, 24 de Maio de 2009
Instantâneo (basta juntar Vodka...)

 

Quem julga que sabe tudo engana-se mais vezes do que quem não sabe nada...

 




Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
A Plagiadora (de emoções)

 

As palavras que são ditas hoje
Podem ser as mesmas de sempre
As tuas de ontem sem esforço
Eram de outros presentes

 

Palavras assim indigentes
Sem sentido não valem nada
De nada servem ser usadas
Plagiadas com indiferença

 

As palavras não são doença
São fluxo dos nossos sentidos
Que transformam os choros em gritos
E as alegrias em silêncios

 

As palavras são os momentos
Imagens daquilo que pensas
Não mostram só o que é dito
Buscas ou coincidências

 

Pobres palavras de amor
Prostituídas sem nexo
Como se fossem só sexo
Palavras belas tão sujas

 

Percebo agora desperto
Bonitas palavras maduras
Pensava serem só minhas
Mas que nunca foram só tuas

 

De nada nos servem procuras
No fim somos sempre quem somos
As palavras serão sempre belas
E as pessoas... pessoas

 




Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Onde andas Jorge ?

 

 

Jorge queria amar, sempre quis amar, e desde novo acreditava que o amor era o sentimento mais humano, o mais nobre e o mais puro de todos. Jorge dificilmente amava alguém pelos cânones, não se dava facilmente a qualquer pessoa, pois respeitava a integridade do sentimento e da palavra "amo-te". Isso não o impedia de nada, apenas não punha tudo no mesmo saco, tinha os seus casos, os seus one night stands, a espera do click que despoletasse o amor.  A adolescência acabou, chegou a idade adulta (física e mental), o peso emocional das coisas, e com o passar dos anos o aproximar da barreira invisível dos 30. As relações descartáveis – acumuladas – começaram a deixar de fazer sentido, estava farto de relações temporárias, da facilidade do sexo descomprometido á última hora, não queria mais orgasmos "unplugged" sem a electricidade característica do amor, sem aquela faísca no momento em que 2 corpos se tocam, se unem, mágica, indescritível, que acontece tão raras vezes – preciosas vezes – que só acontece quando é verdadeiro, que não se atinge com a experiência, ou apenas com tentativas - se assim fosse todas as putas seriam felizes.
 
Jorge queria esse amor, o que ele acreditava ser o verdadeiro amor, o puro, o romântico, o dos poetas, dos filmes, das músicas, o sentimento de abraçar alguém nos seus braços e conhecer-lhe o cheiro, o sabor, o amor que é feito dos pequenos gestos, não de preços de etiquetas cortadas de pulôveres de marca, já não lhe interessavam mais estatísticas, prémios ou medalhas por quantidade de parceiras sexuais.
 
Jorge cansou-se do sentimento inócuo de "mais um caso", do facilitismo de mais um número no telefone, de mais uma "sexy", "fofah" ou "baby" no msn, de mais uma noite a consolar carências, de paixões de limpa-almas, sentia-se um prostituto, estava farto das conversas de sempre, dos jogos de engate de sempre, da superficialidade de sempre, dos momentos efémeros, queria para si os momentos eternos e únicos. Jorge queria momentos a dois, registados em mensagens e bilhetes religiosamente guardados na gaveta das recordações e também junto ao peito, registados em álbuns de fotografias (a dois), escrevinhados nas lombadas com datas e locais, queria molduras na secretaria do trabalho e fotografias tipo passe na carteira, queria wallpapers no desktop e alianças de ouro branco. Jorge não queria apenas dar, queria dar-se, sem barreiras, medos ou mentiras, não queria o "sagrado amor" fútil de casamentos de Igreja, sem sal, oportunista (não generalizando), não queria o "amor" por motivos materiais, sociais, ou por questões de IRS, não queria o "amor" porque "tenho 35anos, não consigo comprar uma casa sozinho e quero ter um filho", Jorge queria o amor e a vida na plenitude máxima, vivida a dois, partilhada a 2, queria Las Vegas, queria Paris, queria beijos longos, quentes, intensos, queria a vida no limite, sem limites, ultrapassando os limites, queria sexo, drogas e rock n' roll, queria o "Último Tango em Paris", o "Titanic", o "Nove Semanas e Meia", o "Assassinos Natos" o "Bonnie and Clyde" e o "Dirty Dancing" misturados em copos de shot, servidos a arder, para os 2 beberem num trago, de olhar cúmplice um no outro (e um amo-te)... Jorge queria um abraço forte ao chegar a casa, um olhar meigo a dizer "és a pessoa mais importante do Mundo, não quero mais ninguém, amo-te", "esperei por ti toda a vida", "sem ti, não faz sentido..."
 
Jorge, precipitou-se nessa busca, a busca da sua vida, uma busca incessante, Jorge queria conquistar e merecer esse verdadeiro amor, a verdade no amor, e encontrou pessoas que lhe disseram que sim, que também queriam isso, que não era imaginação dele, que partilhavam o mesmo ideal (sim, estou contigo), e então diziam-lhe na cara "Amo-te", "És a pessoa mais importante do Mundo", "não posso viver sem ti" e Jorge enchia o peito de amor e flutuava... mas não importava se subia devagar ou não - temerário - essa escada da felicidade, pois depressa a descia, aos trambolhões e percebia que toda a gente conseguia dizer impunemente "amo-te", mas ninguém conseguia transformar a palavra em magia, em sentimento, e por isso Jorge afastava-se, revoltava-se, pois no fim de contas a verdade era ilusão - desilusão - as pessoas eram as mesmas de sempre - camufladas - desrespeitavam o amor, o sentimento, alimentavam-se da sua alma e viviam de mentiras, sem valores, egoístas com os seus mundos mesquinhos, corações impenetráveis e umbigos egocêntricos, mentes viciadas apenas no prazer dos momentos, sem pensar, como se fossem eternas crianças mimadas e "amar fosse um brinquedo" (tal como diz a canção)... Um brinquedo que magoa...

 

Um dia em casa olhou-se ao espelho, e não contemplou apenas o reflexo, olhou-se nos olhos e pensou "talvez tenham razão, amar assim é doença, afinal o que é o amor? O amor não é nada, não existe sentimento mais ou menos nobre, o amor é apenas uma palavra, não tem moralidade, é um punhado de sensações, mentiras e meias-verdades, como um analgésico para a alma, que não cura, apenas inibe a dor, não existe honra em nada disso, é físico, é sexo, é uma invenção dos poetas, nunca poderá existir "Romeu e Julieta" na vida real, só em livros, é tudo imaginação".
 
Jorge estava conformado com a sua nova realidade, e empenhado a "amar" como via os outros amarem, observou todas as regras, tentou entender os truques, as fintas e percebeu que no fundo não interessa gostar de alguém, basta dizer amo-te, como se isso desbloqueasse um outro nível, primeiro gosta-se, depois adora-se, depois diz-se "i love you" e depois amo-te, não tinha um significado mais complexo do que uma banal forma de ascensão de jogo de computador, depois percebeu que também não interessava dizer a verdade, pura e dura, por mais ingénua que fosse, que não tinha de ficar com medo de ter peso na consciência, ou outras coisas parvas que ele pensava, pois jura-se e está feito, cumpre-se ou não, pouco importa, é apenas um tapa-olhos – e nem sequer era preciso fazer figas – mais uma vez o "prometido é devido" da canção era apenas poesia.
 
Jorge sentia-se de outro planeta, embriagado, era tudo demasiado estranho, demasiado confuso, podia-se amar sem se sentir, podia-se jurar sem ser verdade, podia-se mentir (mesmo olhos nos olhos) apenas por ser mais fácil, podia-se amar apenas por dar jeito, apenas porque o sexo era bom, porque não existia mais ninguém ou porque não havia mais nada para fazer. Aos poucos Jorge foi ficando doente, como se o seu peito estivesse a ser esmagado, e a sua cabeça, tal como numa ressaca, lentamente voltava ao seu estado normal... Jorge viu-se novamente em frente a um espelho, de candeeiro a brilhar nos olhos e pensou...
 
"Muito bem, não há volta a dar, não consigo ser o contrário, ir contra os meus princípios, talvez seja difícil ser feliz vivendo assim nos dias de hoje, talvez seja um sonho de futuro amar e viver assim, mas que se pode fazer, venero o amor, respeito-o, não sou compatível com a traição, com a mentira nem com a falsidade, sinto-me bem por ser verdadeiro, por ser honesto, dizer a verdade, e embora isso me traga algumas desilusões, dói menos que acreditar que nada existe e andar por aí perdido, um humano desumanizado, um autómato... E o engraçado disto tudo é que no fundo ninguém me diz que estou errado... aliás toda a gente me diz que estou certo, que é assim que se tem de viver a vida e o amor, que é isso que também procuram, mas no fim ninguém o cumpre... ou tem medo de cumprir..."
 

Jorge olhou-se fixamente durante minutos, muitas coisas lhe passaram pela cabeça, lavou a cara e dirigiu-se para o sofá da sala, ficou por ali acordado até de madrugada, na companhia de cigarros e Jack Daniels. Quando o sol já subia no horizonte, pegou nas chaves da moto, lançou um beijo com a mão ao olhar para trás e saiu com as chamas a devorarem a carpete fofinha da sala...


...pessoas à porta do prédio disseram à Polícia que minutos antes alguém tinha saído a rir-se a gargalhada, mas isso foi o que contaram...
 
 

 

Numa parede das redondezas, passados poucos dias, alguém escreveu a preto baço com contraste…

 

"...que nunca se menospreze o amor..."

 




Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Profundamente falando...

 

A simetria é imperfeição...

(será o amor assimétrico?!)

 




Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Horizontalmente falando...

  

 

E um silêncio sepulcral abateu-se sobre o entardecer, num céu de azul cinzento-escuro, em degradé, e as articulações do corpo começaram a doer, como se tivessem sido esticadas, compassadas de espasmos, obrigando a um abraçar do corpo em posição fetal. Os pensamentos corriam livres, puros, atordoados num olhar começando aos poucos a enevoar, como a puxar para o sono, um sono profundo.

 

Nada era tão compensador nessa altura como a almofada fofa contra a cara e o toque reconfortante dos  cobertores. Mas esses estavam longe, demasiado longes, mas quase que se sentiam, de tão habitual e conhecido ser o seu toque. Aos poucos, vindas de longe - em aproximação - começavam a chegar vozes, primeiro curiosas, depois em forma de risos incómodos e sarcásticos.

 

Conseguiram as pessoas reconhecer o Ser Humano ali deitado por terra, desprotegido, feito de sangue, suor e lágrimas tal qual como eles ? Um homem feito da mesma massa que os seus Deuses e credos apregoam ?

 

 

Os tempos eram conturbados, esquisitos, cinzentos... e uma voz sussurrou-me ao ouvido:


- "Apenas tens o que mereces vadio"

 

 

Mas será que tinha ?
 

 

 

 

 

 

PERFECT DAY - "Transformer"

Lou Reed

 

Just a perfect day,
Drink sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home


Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home

Oh its such a perfect day,
Im glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
Its such fun


Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good

Oh its such a perfect day,
Im glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.

Youre going to reap just what you sow,
Youre going to reap just what you sow,
Youre going to reap just what you sow,
Youre going to reap just what you sow...

 

(in "Trainspotting")

 




Terça-feira, 14 de Abril de 2009
Acordar (ainda vamos a tempo)

 

Só para maiores
Só para homens e mulheres
De barbas feitas ou descuidadas
De pernas bem depiladas
Só para maiores
Por favor...

 

Só para gente sofrida de anos
Só para gente que conta os segundos
Só para gente que vive o seu mundo
E aspira voar ao fechar os olhos

 

Só para quem sofre
Só para quem sofre de amar
Só para quem bebe álcool
E consome drogas

 

Só para quem mete comprimidos
Para conseguir dormir
Conseguir acordar
Conseguir digerir

 

Só para ti...
Só para mim...
Perdoem-nos se puderem
Ou crucifiquem-nos se quiserem
Já pouco importa
Já nada magoa ou mata
Já nada alegra ou transfigura

Basta! (Acordem)
A vida tornou-se num zero

 


"...Sempre pensei que com o tempo herdasse mais algo, que merecesse mais, sempre pensei que fosse tudo diferente... mas será?!..."

 




Sábado, 11 de Abril de 2009
Bola de Neve

 

De tudo se faz uma tempestade, nasce um arrufo. Facilmente se destrói o prazer. Facilmente se aponta o dedo, dificilmente se esquece o amor, a paz, mas facilmente se apanha uma pedra, e atira-se, apenas para ver se quebra... para ouvir o barulho que faz ao estilhaçar a ténue vidraça que envolve o outro... que nos envolve a todos... que nós somos...

 

Parecemos todos fortes, queremos todos parecer demasiado fortes, demasiado perfeitos, demasiados únicos, quando nos devíamos preocupar apenas em sermos felizes, na partilha dos afectos, entremeados de alguns rasgos de ironia e mau humor, para dar tempero, mas ter como finalidade o prazer dos bons momentos, da cumplicidade, da convivência, custará tanto sermos felizes com pequenos gestos ?  Não falo apenas de amor, falo de pessoas, de relações, de minutos, de tempo... falo de magoar e assumir o erro, pedir desculpa (desde que seja de forma sincera, não importa o número de vezes, todos nos erramos)... falo de honestidade... falo de verdade e respeito...

 

Esticamos sempre um pouco mais, só para ver se sai mais sangue, se sai mais dor das nossas almas, como se o mal que trazemos cá dentro nos saísse do corpo com esses devaneios furiosos contra os outros... mas não sai, só acumula ainda mais, e afasta-nos de quem no fundo mais queremos, de quem mais nós gostamos, como se estivéssemos por vezes sedentos de saber até que ponto podemos contar com eles... mas ninguém, por mais que goste de nós, por mais que nos estime, aguenta festas meigas de mãos cardadas... curiosa gente esta que habita este planeta... curiosa gentalha que nós somos, que sempre seremos (!?)...

 




Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
La tristesse...

 

Da tristeza se faz palavra
Quando a dor trespassa o peito
Quando sinto que a vida trava
Pára e arranca no meio

 

Na estrada das horas perdidas
São rectas de sonhos desfeitos
E curvas falsas, fingidas
De ócio, mentiras, receios

 

Por entre promessas quebradas
De caras que queremos esquecidas
De pessoas que entram e cravam
Punhais em costas já feridas

 

Da tristeza se faz a vida
Por entre sorrisos abertos
De copos meio-vazios
Manhãs em que não desperto

 

De dor se enche o abismo
De um corpo não encarquilhado
Um homem que quer ser proscrito
Um corpo semi-enterrado

 

De tristeza se alimenta a alma
Quando de dor nos alimentamos
Quando transportamos no peito a faca
A faca que em nós próprios espetamos

 




Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
Steven Seagal de trazer por casa...

 

 

São 8:32 da manhã, Carlos espera pelo metro na estação dos Restauradores, vai a uma entrevista de emprego, não se encontra nervoso, isso foi há 20 entrevistas atrás. O fato estilo italiano produzido por hábeis mãos chinesas de 12 Primaveras está como novo, marca presença, assenta-lhe bem, e nota-se à légua o brilho de fábrica, bons acabamentos para o preço (“negócio da china” costuma dizer Carlos para fazer conversa, e os amigos riem-se - e Carlos sente-se feliz por ter piada).

 

Carlos não gosta de usar fato, prefere um estilo mais "moderno" (como ele gosta de chamar), de facto, fora as entrevistas de emprego (que o mereçam) e os casamentos, raramente o usa, "isso é para os doutores" diz ele, como querendo desculpar-se por nunca ter passado do primeiro ano da Faculdade de Economia.

 

“Gravata? Odeio isso, aperta-me o pescoço, sufoca-me!!", embora tenha sempre duas ou três enroladas na gaveta com mais naftalina lá de casa. Os sapatos também são jeitosos, rácio custo-beneficio menos interessante (a qualidade paga-se), são de uma fábrica do norte, também feitos por hábeis mãos juvenis, Portuguesas desta vez (ver na wikipédia "globalização").

 

O silvar do metal em fricção que ecoa no túnel anuncia o metro a chegar, alvoroço entre os demais. Carlos tenta ficar para o fim, ainda tem tempo, entra apenas se tiver espaço, não quer amarrotar-se no meio de tanta gente. A corrida está prestes a começar, as pessoas organizam-se como maratonistas a espera do sinal de partida (leia-se "abertura de portas" PIIII!"), empurram-se nas primeiras carruagens, mas mais atrás, 3 ou 4 passadas largas e Carlos consegue entrar confortavelmente, fica de pé junto ao varão.

 

As pessoas encaixam-se umas nas outras, é hora de ponta, passam 3 estações, o fluxo de gente que entra e sai permanece constante. Sentados ou de pé, vão lendo os diários grátis, ou ouvindo música, absortos no seu compasso, quase todos aparentam estar longe dali, noutro sítio qualquer, provavelmente num onde se culpabilizam de coisas que não dependem deles (talvez). O tempo faz-se de minutos curtos, pré-programados e bem definidos.

 

Durante a viagem, alguém lhe calca o sapato, duas vezes, a primeira de forma ligeira – uma espécie de roçar incomodativo – a segunda da forma mais asquerosa de todas, na pontinha do sapato, e amolga-lhe a forma, de seguida, o silêncio.

 

Carlos afasta o pé num reflexo, olha em frente e permanece pacato, silencioso, identifica o agressor: "é apenas mais um burjeço" – pensa – Carlos, magoado no seu ego másculo, tenta-lhe caracterizar um perfil, baseado em estereótipos sociais preconceituosos e pejorativos:

 

- "Pelo aspecto tosco, bruto, barba por fazer e roupas gastas esta besta só pode ser um iletrado de parco quociente de inteligência, trabalhador não qualificado, quem sabe construção civil ou talvez algo a roçar a vaganbundice. Cheira mal, não apenas a suor, cheira a muitos dias sem tomar banho, cheira a imundice... é um porco nojento que não sabe onde meter os pés"

 

E prossegue...

 

- "Devia matar-te como o porco imundo que és, espetar-te uma faca romba no bucho, roda-la, e ver-te a esvair em sangue! És um idiota, devias ter nascido sem pés, apenas com os cotos, queria ver depois quem tu pisavas meu anormal!"

 

E continua...

 

"Nem um pedido de desculpas, uma manifestação de incómodo por seres tamanha besta. Por um lado agradeço, se o simples facto de expirares na minha direcção é por si só uma amostra demasiado cruel do cheiro a esgoto que transportas dentro de ti, nem imagino o que dai saía se juntasses também a projecção de palavras. Pior, se tivesse de ter um dialogo contigo… és merda !!"

 

Respira e...

 

"Adorava empurrar-te para o carril e ver o metro trucidar-te, sentir o cheiro a porco queimado e ouvir o som dos teus ossos a despedaçarem-se contra o aço!"...

 

 

 

... uma voz pré-gravada e monocórdica interrompe-lhe os pensamentos e anuncia-lhe a sua estação. Fim da viagem. Fura o seu caminho até à porta, e pelo meio pede "com licença" ao burjeço para conseguir sair... "afinal chamo-me Carlos e o Steven Seagal ficou por casa, na estante das cassetes VHS..."

 




Sábado, 28 de Março de 2009
O homem da lágrima (não o menino)

 

 

 

 

Os homens não choram... que paneleirice!! Coisa de fracos, alguma vez iria chorar quando sinto falta do teu abraço, do teu corpo a puxar-me contra ti, do teu amor, do teu calor ?!

 

Alguma vez cairia na lamechice de verter lágrimas apenas porque queria estar ao pé de ti, em vez de longe, distante, separado por mensagens, telefonemas e chat's ?!

 

Seria eu capaz de ficar tão triste e deprimido que desatava a chorar como uma criança privada do seu brinquedo favorito só porque ao chegar da noite, quando regresso cansado do trabalho sei que volto para uma casa vazia, em silêncio - pois não falo com as paredes - tenho um jantar singular - qualquer merda serve - e que na hora de dormir vou sentir-me ainda mais sozinho, porque sem ti não é igual, sem ti (a vida) dói tanto…
 

 

 


Claro que sim, choro como uma menina agarrada as saias da mãe...
 


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Quarta-feira, 25 de Março de 2009
Quem tem cu... Está caladinho e senta-se...

 

São de Esquerda! São de Direita! São Liberais! São Conservadores! São a favor das Empresas e PME'S! São a favor do Povo e dos Trabalhadores! São a favor dos Direitos Humanos e Sociais! São Ecológicos! Usam Gravata! Não Usam Gravata! Eles gritam, eles lutam!!

 

... mas quando o que importa é gastar 4,5 milhões de Euros do nosso bolso para terem o "mais avançado Parlamento do Mundo", nessa altura calam-se todos...

 

E sabem porquê ?! Porque lhes sabe bem sentar lá a peida... porque no fim de contas o cu não tem partido, e é bom ter esses miminhos... (que marotos)

 

E por conta disso nem um, um que seja, de que Partido fosse, Esquerda, Direita, Centro, pequeno ou grande, Louçãs, Portas, Alegres ou Verdes, foi contra as obras, ou contra o abuso de gastar tanto dinheiro numa inutilidade... principalmente numa altura de crise e num País com tantas carências... haja vergonha... nem que fosse por isso... vergonha...

 

A saga de sempre continua...

 




Sábado, 21 de Março de 2009
(Olhó "passarinho")

 

(Também pelo Twitter em www.twitter.com/mrangerblog)


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Sexta-feira, 20 de Março de 2009
Ups... desculpa... de verdade....

 

As verdades doem, as mentiras matam...

 




Terça-feira, 10 de Março de 2009
Um segundo... num breve segundo... fomos únicos... fomos unos...

 

E de repente... embora de forma esperada, acaba-se o sonho, e a cabeça dói de tanto pensar como foi (tão) bom, como foi demasiado bom, como foi além das marcas, como vivemos sem amarras, nem que por um segundo, num breve segundo em que estivemos acima de tudo, de todos, das regras, das lógicas, em que fomos maiores que a própria vida, fomos liberdade, fomos tempo, fomos o dia pelo dia.

 

Fizemos nesse tempo o que nos deu na real gana - e que ganas nós tínhamos - se vivermos para contar aos netos - se os viermos a ter - não iremos contar (jura-me!)… pois é nosso, ninguém merece ouvir, nunca ninguém irá perceber (e no fim até faz mal, porque tanta felicidade, tanta liberdade, deprime quem nunca a teve)... talvez quando estivermos muito esclerosados o façamos por descuido próprio da doença, mas nunca de forma deliberada, fomos além das marcas... mesmo que só por um segundo... um breve segundo diluído neste marasmo em que a vida se parece tornar, em que nos sufoca, rebaixa... vida onde outrora saltámos, voámos além dos limites...

 

Mas agora, inevitavelmente, estamos a voltar com os pés ao chão, e sentimos o peso das coisas, e talvez nunca mais os voltemos a tirar de lá... do chão... cravados pela inércia... pelo peso da própria vida... é possível que para sempre... mas ao menos voámos, nem que por um segundo... o breve segundo mais feliz das nossas vidas… obrigado!

 




Quinta-feira, 5 de Março de 2009
Ups... desculpa...

 

Quando temos todo o tempo do mundo não o usamos para nada...

 




Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
Apenas porque teve de ser...

 


Observava eu os comportamentos sociais de quem se pensava livre de vigília quando nas trivialidades de quem trabalha ou finge que o faz, me deparo com esta imagem… alguém de responsabilidade, patente cravada no peito - ou pelo menos no ego - coloca na boca um comprimido da desgraça…

 

O homem drunfou-se… mesmo á minha frente… rodeado de colegas e compinchas com quem compartilha o almoço requentado no refeitório ISO9001 lá do burgo… Triste… decadente…

 

O seu olhar esbugalhado devia-me ter feito suspeitar da utilização de medicação dura e diária, mas nunca levei para esses lados, pensei apenas em demência inerente à pressão e cacofonia peculiar dos call centers… mas pelos vistos era mais grave… aquele homem transportava a dor e a loucura juntas… ele drunfou-se, não aguentou a pressão, as palpitações nem os suores frios… teve de ser, não conseguiu esperar por uma visita rotineira à casa de banho ou fingir que ia ver se o homem do parquímetro andava na zona em busca de prevaricadores… não resistiu… retirou do bolso do fato a pequena gamela, pressionou uma das cápsulas e desfez a ténue capa de alumínio – “crack” - mesmo ali, debruçado para a frente na sua secretária… com as mãos recolhidas por debaixo dela (mas não invisíveis)...

 

Num movimento breve, dissimulado, meteu-o na boca, apenas a reflexão da garganta me  deu a confirmação que o engoliu... sim porque não era uma pastilha, era um drunfo... o homem drunfou-se no seu local de trabalho... talvez para o conseguir suportar... e ainda nem era período de almoço...

 

Pobres vidas que se arrastam por gabinetes e corredores... pobres de nós…

 


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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Ups...

 

As misérias dos outros acalentam as nossas

 




Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
Cartas nocturnas


 

- "Porra, acabaram-se os cigarros"

 

A rua esperava-me, o relógio do vídeo marcava 1:55 da manhã, um cachecol preto apertado à pressa bem preso no fecho corrido do casaco de pele castanho claro - já russo do uso - não fazia "pandan" com as luvas (também pretas) que infelizmente se encontravam perdidas na confusão de algo a que já chamei quarto. A barba por fazer suavizava o frio (pelo menos de forma psicológica) ao sair da porta do prédio, no caminho curto em direcção ao carro.

 

Tudo estava demasiado frio, o volante, o banco, o próprio motor custava a pegar. Mas pegou, como sempre, e ao vociferar a sua potência senti-me orgulhoso do meu velho e fiel amigo (embora de coração de lata) e também com um ego mais reconfortado (homens e seus carros, ou o prolongamento do próprio pénis - vol.1, 2 e 3).

 

Meto a marcha-atras, travão, primeira velocidade e a sequência galopante de mudanças até ao Stop. Aquelas horas não é preciso sinal pisca, sigo a marcha. A direcção era conhecida, uma estação de serviço a pouco mais de 4 quilómetros. A chauffage (ou chaufagem) não funciona num percurso tão pequeno, pelo menos neste carro, talvez no regresso o motor já tenha aquecido - resta-nos sempre a esperança.

 

As ruas estão vazias, um ou outro carro, perdido noutras tantas situações, mas pouco mais, nada de incomum para uma terça-feira a noite. Passo por milhares de pessoas invisíveis, em avenidas ladeadas de prédios, tantas vidas encaixotadas nos seus apartamentos á espera de um novo amanhecer, ou de forças para conseguir dormir, ou de paciência para que o Xanax ou o Rohypnol façam efeito... ou que o whisky não o tenha cortado...muitas janelas ainda assinalam a luz de candeeiros acesos, outras estão na penumbra, preferem talvez, ver televisão ás escuras... ou então já estão mesmo a dormir... nunca sei... não vivo lá... não conheço bem os seus ritos…


Chego à estação de serviço, estaciono de lado, na parte de "água e ar", dirijo-me ao guichet e peço o meu maço de tabaco. O homem da bomba tem um ar estranho, envelhecido para a idade, vê-se à légua que não tem o mínimo prazer naquele trabalho, mas que tem de ser. Já lhe conhecia a cara de outras incursões  nocturnas, mas só hoje reparei bem nele, é normal muitas vidas nos passarem ao lado, ignoramo-las por completo, não seria saudável não o fazer, talvez...

 

Reparo também na lapela, chama-se "João”. Actua mecanicamente, como se estivesse fora daquele lugar - sabe-se lá onde. Uma nota de 5euros na pequena gaveta deslizante, e na volta maço de tabaco, troco e talão, seguido de um "boa noite" mútuo. Estranho homem. Penso no caminho para o carro que daqui a poucos anos é provável deixar de existir aquela profissão... será tudo "self-service"... da gasolina às mortalhas...
 
Entro no carro, bato o maço de tabaco no volante (sem airbag), 4, 5, 10 vezes, não as conto, confio no instinto para que fiquem "bem batidos". Tiro o invólucro, abro o maço e tiro a prata, não ficaram, parece que a violência resultou em nada (nunca é de facto solução), devo estar a perder qualidades. Cigarro no canto da boca, chave na ignição, primeira velocidade e o mesmo percurso, agora em sentido contrário, de regresso a casa. Apanho o mesmo lugar de estacionamento que deixei, e reparo que já passou o camião do lixo. Apago o cigarro e esvazio o cinzeiro - no chão não no caixote.

 

Entro no prédio, fecho a porta e ligo a luz da escada, chamo o elevador, antes que chegue, abro a caixa de correio, apenas por abrir, por habito mecânico - como o companheiro João da bomba - e sei bem que esta se encontra vazia, sei bem que o carteiro não passa aquelas horas e que muito menos existem cartas nocturnas... mas nunca se sabe, às vezes a vida tem excepções…

 

 




Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
Tens pedra ?!

 

Paulo amava Cristina, e Cristina amava Paulo. Faziam um belo casal, e como todos os casais bonitos, passavam fins-de-semana juntos, loucos, cheios de felicidade. Paulo amava Cristina, e Cristina amava Paulo, e com o passar do tempo começaram a escolher no catalogo do IKEA os sonhos de uma vida a dois: a cor dos sofás, das paredes, os moveis da sala, e Cristina queria tudo novo, e queria os electrodomésticos todos de marca e em inox, e Paulo dizia que sim. Paulo amava e gostava de amar e Cristina gostava muito de ser amada. Paulo amava Cristina, e Cristina amava Paulo, e já contavam pelos dedos quase cheios de uma mão as passagens de ano e férias de verão juntos, julgavam-se eternos, o maior amor do Mundo, o maior amor de sempre..

 

Paulo amava Cristina, e Cristina amava Paulo, algures no caminho qualquer coisa se perdeu... e acabaram por ficar com algo sem sentido nas mãos, como um isqueiro inútil, com gás mas sem pedra... sem faísca e sem fogo... culpa de um... culpa do outro... culpa dos dois... de nenhum... mas não chegaram a fechar o punho de 5 anos volvidos. Paulo amava Cristina, e Cristina amava Paulo, e descobriram, da pior maneira, que o amor pode ser/é um producto com prazo de validade...

 


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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
Amor vândalo

 

Estávamos em 1972, já cheirava a Abril, mas ainda faltava, era provavelmente Janeiro. Camuflado no escuro da noite,  de trincha e lata de tinta vermelha na mão, alguém escreveu por entre sombras de candeeiros foscos :


amo-te

 

Apenas isso, simples... deliciosamente simples, na pedra mármore da parede do Nº12 de um prédio da cidade.
 

No bairro nunca se soube quem tinha sido o autor de tal vandalismo, ou para quem, nem os rumores coscuvilheiros  arranjaram um culpado. O senhorio não vivia perto, só viu tal obra passado alguns meses, e pouco se importou, tinha  mais interesse em exigir a renda atrasada ao 2º Esq. O arrendatário desse rés-do-chão também não deu uso ao  esfregão, pensou ele que com o tempo se apagaria...

 

Enganou-se, ou quis enganar-se - por preguiça - e o manifesto de amor desconhecido, feito em pouco mais de 2 minutos ali se manteve, aguentando-se ao sabor dos anos, do  sol e da chuva, aos muitos cartazes sobrepostos e das muitas costas refasteladas contra ela em 2 dedos de conversa - ignorando a sua presença. Nem as obras do prédio e uma pintura atabalhoada já no Sec. XXI a fizeram desaparecer.

 

Que significado terá tido aquela mensagem, aquele gesto ? E na vida de quem ? Terá alguma vez sido lida pela pessoa a quem se dirigia ? E será que o amor ali apregoado ainda hoje perdura, ou terá perecido mais cedo que as palavras ? É nessa indefinição, nesse mistério que se encontra a sua beleza…

 

O vermelho sangue empalidou-se, está agora completamente  absorvido pelo espaço, apenas visível aos olhos de quem quer ver, e só quem consegue ver consegue sentir, e só quem sente, sabe o quanto vale um simples e genuíno gesto de amor... mesmo que seja vândalo…

 


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Domingo, 14 de Dezembro de 2008
V.T.C. - Velhas Teorias de Conspiração - Parte 1

 

Fala-se de crise, fala-se de bancos na falência, de multinacionais a negociar com governos, em jeito de ultimato, trocando manutenção de postos de  trabalho por uns "míseros" milhões em ajudas. As bolsas crasharam, estamos em recessão, estamos em  depressão... os bancos centrais dão ordens de impressão de mais uns milhares de fotocópias de algo a que perversamente chamamos de dinheiro... que pelos vistos, tal manobra faz desvalorizar o seu próprio valor - uau, que tenacidade - o petróleo, bem escasso, mal  contabilizado nessas contas - ora acaba amanhã, ou acabou ontem ou afinal dura mais 100 anos - continua entre sacos  de plástico e poliéster a alimentar os motores - sem evolução - que dele dependem, ninguém no Mundo lhes quer  alternativas, gastam muito ? Melhor. Poluem muito e as manifestações já chateiam? Ok, inventamos um catalisador e obrigamos desde o princípio dos  anos 90 a usarem-no em todos os veículos novos. Simples, rápido e facilmente ultrapassada a questão.
 
No carro temos tudo, GPS, ar condicionado, bancos aquecidos com massagem, vidros eléctricos, Xénon, DVD, computador de bordo que nos diz quanto temos no depósito, quanto podemos gastar, quanto estamos a gastar, quando temos de ir a oficina, que a luz do stop está fundida, mas… no meio de tanta tecnologia e cérebros de engenheiros queimados, a tecnologia que nos move, e que nos obriga a continuar a abastecer e a gastar os mesmos 6 a 8 litros aos 100Km, essa continua imutável... engraçado,  certas coisas realmente não evoluem... deve ser estigma, coitadinho do motor de combustão...
 
Mas voltando à vaca  morna, o preço do petróleo subiu muito - no póquer chama-se de bluff - apertou-se a teta até doer, e depois torceu-se só para deixar marca... afinal, sem entrar em grandes dissertações, parece que estava a ser “alavancado”, agora baixou, muito, estabilizará nos 100 Dólares daqui a uns tempos (para mais tarde confirmar/eu avisei), a pandemia da gripe das aves era iminente,  era um facto, era indesmentível, ia acontecer diziam os sábios de bata branca, subiram os preços, a loucura generalizou-se, puff, fez-se fumaça, não se viu fogo... a  crise do arroz, 2quilos por pessoa no supermercado, a triplo do preço, puff... quantos lotes (toneladas) querem hoje ?
 
Não vivemos em castelos, já não existem cruzadas, mas tal como cantava a cançonetista, precisamos - urgentemente - de um herói... ou de um oftalmologista... digo eu (em regime de bitaite...)

 




Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
A verdade em 6 linhas e meia

 

O arrependimento, o pedir desculpas, o assumir do erro, o perdoar, o abrir o coração, o falar verdade e ser verdadeiro será que é algo assim tão digno num Mundo que vive e respira de mentira ? A honra morreu ou nunca existiu, a honestidade e a sinceridade também, e infelizmente quem pensa e vive dessa maneira - não nas palavras mas nos actos - é uma minoria, vive feliz consigo, auto-realizado na sua ingenuidade, mas numa eterna dor muda entre a raiva e a vitimização... Deve ser triste, muito triste tentar (apenas) colher flores e ser (sempre) picado pelas abelhas... digo eu..
 

 




Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
Esfolar joelhos

 

O tempo que passa (momento) entre o cair e o levantar é o mais sublime de todos...




Domingo, 30 de Novembro de 2008
Seguir em frente (olhando para trás)

 

Quando o Inverno começa, quando o Outono acaba, quando o Verão já se tornou numa imagem distante, diluída no horizonte, ao fundo, na curvatura da Terra quando olhamos para trás, por cima do ombro, então sabemos que acabou, sabemos que será uma boa memória, uma recordação a juntar às restantes - com clip para não perder - para reviver noutros dias, quando fecharmos a porta e seguirmos em frente, seja qual for o caminho, sabemos que os nossos seguem separados e que dificilmente nos cruzaremos de novo, mesmo num Mundo (ridiculamente) pequeno como este, sabemos que certas coisas apenas estão e ficam bem quando permanecem presas no tempo e no espaço, como uma fotografia eternamente estática...

Nunca transformes um sonho num pesadelo...

 

 

 

UM CASO MAIS - "Terra Firme"

Trovante - Luís Represas


Enquanto foi só um bom momento deu
Enquanto foi só um pensamento meu
Deus, deu só num caso forte a mais

 

Enquanto achavamos graça ao que se escondeu
E as horas eram mais longas do que a verdade
Fez parecer só outro caso mais

 

Enquanto for só ternura de Verão
Eu vou,
Enquanto a excitação der para um carinho
Eu dou, traz
Uma leveza ah
Mas concerteza eu dou
Um outro melhor bom dia

 

Já trocámos nortadas por vento sul
Enquanto demos risadas foi-se o azul
Nem sei qual deles foi, azul demais

 

Mas não ficará só a sensação de côr
Nem sei o que o coração irá dizer de cor
Se o Inverno for, depois, duro demais




Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
Fomos assim

 

Éramos tão novos,
A paixão mal cabia no coração,
E doía a dor,
Matava de sede e de fome
O amor
 
Éramos tão bons,
Chorávamos das mentiras novas,
E doía o peito,
Prensado com o peso
De coisas ingénuas
 
Éramos tão bonitos,
De pele esticada na praia,
De pele escurecida e salgada,
De corpos desnudos sem medo
 
Éramos eternos,
Em jogos nesse areal,
Com bandas sonoras perfeitas,
Com pores-do-sol no final
 
Éramos tão felizes,
Tão bons
Tão novos, bonitos e eternos
Éramos,
Mas já não somos...

 




Sábado, 22 de Novembro de 2008
Pede um desejo Rita...

 

Rita sempre soube que iria ser bonita, sempre lhe disseram isso, desde pequena, se se lembrasse, desde o berço, e as fotos afixadas no quadro de cortiça, com várias idades, não mentiam. Com o passar dos anos cresceu, na adolescência ganhou corpo de mulher, linda, os rapazes não a largavam, as amigas invejavam-na, e ela gostava e cultivava tudo isso. Teve a sorte de quase não ter acne, pele perfeita. Os pais, que já a tiveram tarde, trabalhavam das 9h00 as 18h00, não podiam ver o que fazia durante essas longas horas do dia, as chamadas da mãe a perguntar se tinha almoçado não eram suficientes, sabiam que tanta falta de controle não podia ser bom, mas o que se pode fazer quando não há alternativa ? Á mesa de jantar, durante o Telejornal ou o jogo de futebol tentavam compensar a ausência com um:

 

- “Então filha, hoje a escola correu bem ? Como foi o dia hoje ? Estás melhor a Matemática e Português ?!”

 

Na escola nunca foi uma estudante brilhante – quando não se estuda também não e difícil - lá ia passando, com uma, duas negativas, boletins de notas capturados sabiamente da caixa do correio,  falsificação da assinatura da mãe com destreza, nas justificações de faltas – o pai não tinha muita paciência para ser encarregado de educação -  e um 9º ano repetido, segundo ela pelos professores não gostarem dela. Com os 18 anos a maioridade, mas nada de novo, desde os 13 anos que pensava ser uma “mulherzinha”, que fumava cigarros, com 15 anos ganzas e álcool, com os 18 anos apenas já não precisava de meter a mini-saia dentro da mala para vestir quando saísse á noite de casa, para os pais não verem, e já não precisava de tapar os decotes.

 

Rita deu-se a vida como se vida tivesse acabado ontem, drogas leves, drogas duras, químicos feitos no bairro que nem categoria de droga deviam ter, sexo fortuito, uma tatuagem de algo parecido a um golfinho na omoplata – ou seria apenas uma mancha azul e cinza ? - e um piercing de brilhantes com o símbolo da “Playboy” no umbigo, trabalhos feitos por um dos namorados, que tinha jeito para essas coisas – tão comum. Os pais nada podiam fazer, bater não batiam, e ralhar não doía. Nunca teve a sorte de encontrar alguém que lhe desse uma direcção, podia ter tido por sorte um namorado de jeito, mas onde ? Não no bairro, e mesmo fora dele a sua maneira de vestir e falar afastava qualquer rapaz mais sério - e com menos más intenções - e para já, ela pensava ser aquele o caminho certo, como se pode mudar quando não queremos a mudança ?

 

As noites de fim-de-semana eram caóticas, saídas em carros cintilantes, conduzidos por rapazinhos de chapéu “Nike”, que apenas queriam mostrar a virilidade com o prolongamento do seu próprio ego – e pénis – conduzindo sem consciência, lado a lado com a morte, e a Rita ria-se, muito longe do seu estado normal, sentada no banco do pendura – a sua beleza dava-lhe esse status. Embora tivesse dado um estalo num ou outro, e fizesse cara feia quando ouvia isso numa discussão, ela sabia que era fácil, demasiado fácil, e os rapazes também sabiam, nunca guardou a distância necessária do respeito que qualquer mulher deve ter de si própria sobre os outros. Os rapazes pouco se interessavam pelos problemas dela, apenas queriam o corpo, o sexo grátis,  um traço de coca e uma garrafa de “Ballantines” abriam-lhe as defesas nas noites mais difíceis.

 

Tinham passado pouco mais de 2 meses de ter feito os 19 anos, uma prenda fora de prazo veio na forma de uma gravidez não desejada - tão comum - e o seu primeiro plano de visita ao estrangeiro, Badajoz, pagos com as poupanças da mãe e da tia, as únicas a saberem além das amigas – que posteriormente espalharam a notícia por todos lá do bairro – tão comum. Antes disso, a dúvida de quem seria o pai, poderia ser qualquer um, foram tantos, nunca chegou a saber ao certo, desconfiava de 2 ou 3, mas o risco das relações desprotegidas era mais forte que as consequências que daí advinham… Jurou à mãe que iria ter cuidado, que iria trabalhar, fazer-se á vida… e foi. Aos 21 anos engravidou novamente, deu-lhe o nome de Carlos, como o pai, preso 2 meses antes do bebé nascer, numa rusga feita pela Brigada de Narcóticos lá no bairro, dizem que foi denúncia, apanhou 4 anos de prisão…

 

A Rita perdeu-se cedo, achou-se rainha de uma noite que pensou que fosse eterna, mas que não foi, nunca é…




Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Ontem vi-te ?!

 

"Reflection" (auto-retrato) 1985 - Lucian Freud

"Reflection" (auto-retrato) 1985 - Lucian Freud

 

 

Ontem vi-te
pelo canto do olho,
de relance,
parecias mais magro,
cabelo desgrenhado,
ontem pareceu-me ver-te,
parecias um mendigo

 

ontem vi-te,
não sei se me viste,
parecias sufocado,
com palavras por dizer
parecias tu,
mas sem certezas,
pareceu-me ver-te,
parecias doente

 

ontem vi-te,
num reflexo estranho,
numa montra
num espelho
ontem vi-te, seria eu ?!
 




Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
Loop emocional

 

Parece cá dentro que tudo nos mói
Enquanto lá fora o mundo se acaba
Num jogo de dança em chão de lençóis
Mas só da cabeça não sai a lembrança

 

E o corpo soluça, sente-se apertado
Numa sensação de chão mal pisado
Num escape profano finge as sensações
E a alma definha sem contemplações

 

E os braços erguidos, agora espojados
Os sonhos perdidos no chão espalhados
E as horas que pesam, num choro sem som
E os anos que passam num rosto sem tom

 

Querer ser criança, viver o passado
Mas ele já não vive, está morto enterrado
E o novo futuro não se faz de um zero
E o tempo que mata jamais retrocede
O tempo que mata, o tempo persegue
O tempo que mata, no fim só tu cedes...

 




Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
Feriado...

 

"Starry Night Over the Rhone" 1888 - Vincent Van Gogh

"Starry Night Over the Rhone" 1888 - Vincent Van Gogh

 


Um homem olha pela janela num dia cinzento de Outono, lá fora o tempo está hesitante - pensa ele. Decide vestir gabardine e levar chapéu-de-chuva. A meio do caminho chove, ele num segundo apercebe-se que se esqueceu do chapéu-de-chuva no banco do autocarro, olha para o céu e sente as gotas pingar na sua face, vê-as cair redondas nas lentes dos óculos, e ri-se, por dentro tem os braços abertos e grita, por fora apenas virou a cabeça em direcção ao céu.

 

Encaminha-se para o emprego, fala do tempo no elevador e do sucedido com os colegas de secção. Ao almoço o Sol já brilha, há futebol de noite, alinham-se tácticas, soltam-se gargalhadas ao sabor de cerveja sem álcool num refeitório formato escola. São 18horas, hora de sair, já anoitece, trocam-se umas frases de ocasião com o segurança em escala nesse dia:

 

- "Hoje o dia esteve estranho"
- "Pois esteve"
- "Ainda por cima agora os dias são mais curtos..."
- "Sim, agora até Dezembro é sempre assim, mas lá para Janeiro já começam a abrir"
- "Pois é... é assim a vida, o tempo passa e nós andamos ao sabor dele, até amanhã então"
- "Amanhã estou de folga mas está cá o Sr. Paulo... até sexta"
- "Vocês com os horários rotativos também têm uma vida complicada, mas tem de ser... até sexta então"
- "Pois... até sexta"

 

Horas mais tarde o Segurança olha para o relógio, faltam 10minutos para sair, já acabou a ronda ao edifício, dá uma última espreitadela no hall de entrada, esta tudo bem, vai trocar de roupa, são agora 22 horas em ponto, liga o alarme, verifica 2 vezes as fechaduras - como aprendeu na formação - e vai dar uma vista de olhos na porta da garagem.

 

Entra no carro, solta um suspiro. Acompanha o resto do relato no caminho para casa, 0-0, está tudo em aberto. Envia uma mensagem á mulher:

 

- "Boa noite amor, estou agora a sair do trabalho, podes ir aquecendo-me o jantar, beijos"

 

Tudo está bem, afinal, para ele, amanhã é feriado...

 


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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Vagueante do tempo e do espaço

 

Andar por aí
Andar em veículos
No seu próprio pé
Percorrendo círculos
Andar distraído
Andar sempre alerta
Andar tão perdido
Sem ter descoberta
Andar confiante
Andar sem disfarce
Mais um vagueante
Que apenas quer dar-se




Domingo, 16 de Novembro de 2008
Pessoal e (in)transmissível

Faz um ano que partiste, e estás ainda tão presente, na tarde anterior, quando te vi pensava que estava preparado para tudo, mas nunca estamos, não sei se te apercebeste, mas fiquei de rastos, o Mundo desabou em 2 segundos, recomposto (se é que isso era possível) tentei que baixasses os braços, que parasses com essa teimosia, mas depois percebi que estavas no controle de tudo e completamente sereno com isso, fui talvez o primeiro a aperceber-me disso, penso que tenhas visto nos meus olhos, no sorriso de paz que trocamos, no mutuo abanar de cabeça e encolher de ombros horas antes de partires, de certeza que viste e sentiste o replicar da tua pessoa em mim e algo se passou nesse dia, mais forte e mais sentido do que viria depois, porque depois já não estavas lá, porque depois partiste, mas sabes bem, sabemos os dois que nos despedimos nessa tarde, sem choros, sem dramas, apenas paz nessa cumplicidade, foste leal com os teus princípios e é isso que diferencia os homens, os lideres, os que seguem e os que são seguidos, os que marcam os outros para a vida e que os perdura para a eternidade, a sua capacidade para viverem a vida ao sabor da sua vontade, ao som da sua própria pauta. Sinto a tua falta, sentimos todos, sentimos tanto...


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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
all I need is LOVE

 

Poucas coisas nos sabem tão bem como quando matamos a sede, quando matamos a fome, e poucas nos satisfazem tanto como dormir quando temos sono, como deitarmo-nos mais um pouco quando estamos cansados, 0s famigerados 5 minutos transformados em horas de sono reconfortante, mas nada me faz mais falta que o AMOR, nada me faz mais falta que a tua presença, mesmo quando odeio tudo o resto, tu fazes-me falta, faz-me falta sentir-te por perto, sentir-te num abraço, num aperto dos meus braços e de te ver adormecer...

 

 

 

 

 

 

ALL YOU NEED IS LOVE - "Magical Mystery Tour /  Yellow Submarine"

The Beatles - Lennon/McCartney

 

 

Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
There's nothing you can do that can't be done.
Nothing you can sing that can't be sung.
Nothing you can say but you can learn how to play the game
It's easy.
There's nothing you can make that can't be made.
No one you can save that can't be saved.
Nothing you can do but you can learn how to be in time
It's easy.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
Love, love, love, love, love, love, love, love, love.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
There's nothing you can know that isn't known.
Nothing you can see that isn't shown.
Nowhere you can be that isn't where you're meant to be.
It's easy.
All you need is love, all you need is love,
All you need is love, love, love is all you need.
All you need is love (all together now)
All you need is love (everybody)
All you need is love, love, love is all you need. 

 

 




Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
Quem fez ?!

Fui ela... foi eu...




Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008
O tempo não me diz nada

e num qualquer rádio a pilhas se sintoniza:
 

"... o céu hoje encontra-se cinzento e nublado na zona das terras altas, mais propriamente sobre a cabeça, com alguma precipitação na zona dos olhos, espera-se agravamento das condições atmosféricas para o final da noite, com melhoria geral quando raiar o novo dia, a seguir na emissão, trânsito..."


e fez-se silêncio, terá o mundo acabado ou foram as pilhas... os dois talvez... digo eu




Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008
Somos assim Sr. Joaquim ?!

Ontem disseram-me
- é mentira porque ninguém me disse, fui eu que pensei, apenas comecei assim porque ficava melhor -
 

que “mais que fazer, é preciso convencer” e que “mais que decidir é preciso acreditar”…

É provável que isto soe a Filosofia barata de última página de um pasquim qualquer, que pareça pretensioso pensar isto quando tanta gente, ou todos, já o fazemos, mas este pensamento bacoco a laia de Lapalice apenas serve como pretexto, para dizer outra banalidade:

- que nunca estamos satisfeitos com o que temos...


Embora seja uma verdade (indiscutível !? ) nós fazemos sempre por não olhar de frente para o que temos, mas sim de soslaio para o que não é nosso. Exemplo, podemos ter estantes cheias de livros -  e pó - em casa, mas damos sempre um olhar fortuito no jornal gratuito do companheiro de viagem que vai ao nosso lado no comboio, pelo menos até este olhar para nós com cara de:


"F#$%@#”, quer dizer, existem pilhas de jornais destes para trazer, existem gajos que distribuem este esterco chamado de jornal á mão das pessoas e tu ainda me vens numa de 007, queres mais o quê ? Que leia em voz alta ?"


Alguém disse um dia, numa altura e sítio qualquer, que isso se deve á competição e á imensurável capacidade humana do que os Marketeers tanto gostam de vincar nos seus currículos que dá pelo nome de “ambição”, pois bem, é provável, queremos sempre o melhor, queremos sempre mais, somos assim, eternamente invejosos, curiosos e egoístas, eternamente perversos, eternamente pequenos Deuses do nosso Olimpo, mesmo que ele seja um pequeno T1 no pior bairro da periferia... Enfim, somos Humanos, podíamos ser Delfins, mas pelo menos não somos Iran Costa… eu por mim, não me importava de ser eternamente Nel Monteiro…


Digo eu…
 


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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007
Botânica...

Se fosses uma árvore, fazia-te a folha...




Quinta-feira, 30 de Novembro de 2006
Pensamento para renascer...

Difícil é tentar abrir portas ao contrário...




Segunda-feira, 27 de Novembro de 2006
L' Amour

...Amor, tanto se escreve, tanto se sofre,
Tanto se bebe, pouco se come,
Sentimento imberbe, de rosto disforme,
Todos amamos, do rico ao pobre
Do que ama a vida, do que ama a morte,
Do azar a sorte, do fraco ao forte...


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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006
Comprimidos e Espumante

As vezes gostava que me tratassem como um louco,
como o louco que sou, não como o homem que finjo ser,
que me trouxessem comprimidos em bandeja,
com tigela e copo de água, e depois cair inerte,
na cama, balbuciando palermices, caindo no sono, tonto,
num sono dissimulado no soro, como se fosse partida.


As vezes procuro respostas, estou sempre atento,
 mas só me falam de futebol e de egocentrismos,
é depressivo, talvez patológico, mas é real,
e dói como facas espetadas nas costas,
como agulhas cravadas na nuca,
mas o meu clube ganhou, por isso devo sorrir
e fui promovido lá na empresa, acho que devo festejar,
talvez abrir uma garrafa de espumante - em promoção  -
não sei bem, não me habituo a esses ritos, talvez fingir, talvez fugir.


Se a vida fosse uma piada não percebia o seu sentido,
não me ria,
mesmo que fosse repetida ao expoente máximo todos os dias,
eu não me ria,
mas será que morria ? Talvez, pouco a pouco, dia a dia.
 




Quinta-feira, 28 de Abril de 2005
Tudo bons rapazes...

Eu fui um mau rapazinho, fumei um charro da tua droga e bebi um copo de vinho da adega do teu pai, sujei o teu sofá de vómito malcheiroso, transformei a tua casa num santuário de maus odores. Eu fui um mau rapazola, dei um pum a porta do meu vizinho, desejei a namorada do meu melhor amigo, não limpei os pés ao entrar no teu pópó. Eu fui um mau rapazote, dei um chuto e usei o teu garrote, roubei um kinder no hiper do Belmiro, e ao cão do meu irmão dei um tiro, não para matar mas para sofrer. Eu fui um mau rapaz, mas aqueles que eram bons e que confiavam em mim é que se foderam... ou não?!?




Quarta-feira, 27 de Abril de 2005
Versus - As diferenças do individuo

Odeio pessoas fúteis, idiotas, convencidas, que pensam que toda a diarreia armazenada no seu crânio se pode traduzir em verdade ou lei para todos os que a rodeiam. Não gosto de fracos, fazem-me sentir pena, desgosto, angústia pela sua condição de desalento e piedade. Odeio os que cospem no prato onde comem, os que não são humildes e que durante toda a sua vida são massacrados pelos fantasmas de uma vida vazia. Odeio os fracos de espírito, os "Maria vai com as outras", os sem opinião, pois eles pedincham um pouco de vida, pedem que os deixem viver, subservientes de todos, subjugados, peões. Admiro um bom rebelde, um bon vivant, uma pessoa sem meias medidas nem paninhos quentes. Admiro um bom conversador, que conta historias, algumas mentiras, mas que não se gaba delas e que vive para um objectivo leal. Admiro as pessoas de bem com a vida, com uma voz critica mas coerente, com ideias próprias, alternativas mas com um sentimento democrático e de respeito pelos outros, sabendo bem onde acabam as fronteiras do admissível. Admiro a sinceridade das coisas, da natureza e das pessoas... mas também sei odiar...




Fantasma desconhecido...

Quem és tu fantasma? Quem és tu que me atormentas os sentidos, que me provoca calafrios, gemidos, que me faz sentir dor ao respirar? Quem és tu, demónio? Enviado do além, enviado do inferno bem eu sei, a tua ira cai sobre mim, e a tua voz, ecoa na minha mente, altera-me o pensamento, dá-me vontade de negro invés de luz, dá-me medo as ideias que produz a dor desse teu lamento. Fantasma quem és tu?




Terça-feira, 29 de Março de 2005
Home Sweet Home..

Vivemos num mundo imundo de hipocrisia, e o Homem não se redime, não se desculpa nem pede perdão. Acredito realmente na destruição total do mundo por parte do Homem, mas no fim, e como já podemos constatar, a natureza irá vingar-se e infelizes daqueles que estiverem cá nessa altura, podem crer...


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Segunda-feira, 28 de Março de 2005
Hoje eu quero que vivas...

Viva a Páscoa e as amêndoas, o coelhinho e os ovos Kinder gran surpresa, e ainda o espírito Pascal, e o Ben-Hur e os Dez Mandamentos, mas sinceramente, embora tudo isso seja fascinante, era mesmo necessário obrigarem o senhor Papa a viver ?! È que realmente já não se trata de uma situação de deixar morrer, mas sim de obrigar a viver, o que sinceramente, aparenta ser uma decisão contra a vontade do próprio Deus. Mas embora pareça estranho, não é único, parece que agora virou moda certas pessoas no Mundo terem privilégios de vida eterna, embora ninguém tenha duvida de que somos mortais... ou não somos ?! O Arafat morreu seis vezes, embora certas pessoas ainda duvidem, e morreu porque de certeza a máquina de desfribilação queimou de tanto ser usada, agora, outra novela, temos o Papa na TV, preso por arames, só mexe um bracinho e o resto treme, é a paixão de Cristo televisiva, cada dia um episódio, e ou muito me engane, isto é para continuar, nao faltará muito para ter mais personagens num ecrã perto de si. Acho que realmente já é hora de fazerem um favor à humanidade e deixar as pessoas morrerem em paz e sossego... digo eu.


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Sexta-feira, 25 de Março de 2005
A Viagem

Por vezes paramos, por vezes a vida, a nossa vida força-nos a isso, e nós deixamo-nos ser possuídos por esse sentimento de inépcia, apatia, deixamos tudo de lado e entramos num estado catatónico. Ficamos assim por um tempo, indefinido, mas um dia voltamos, regressamos de novo a casa, mais frescos, mais leves, com uma nova realidade perante nós. E assim flui o rio da vida, percorrendo o seu longo caminho até ao mar da eternidade... será ?




Segunda-feira, 7 de Março de 2005
Pensamento para a vida...

Na vida tens 2 opções: podes escolher ser bom a algo ou medíocre a tudo...




Sábado, 19 de Fevereiro de 2005
Pensamento do Dia

As ideias são como os flocos de neve, caiem do céu e se não as guardamos depressa, morrem no chão...




Domingo, 19 de Dezembro de 2004
Thats the real deal...

Ralo.jpg

 

Live fast but don't die slowly

 




Segunda-feira, 15 de Novembro de 2004
Eu prometo mas não cumpro

Não acredito no Primeiro-Ministro, não acredito na oposição, para mim e tudo uma questão de cor, uns gostam de uma, outros de outra, mas no fundo nunca deixam de ser tinta. Ai Portugal Portugal, és cada vez mais triste e pequenino, venha um novo Euro para nos alimentar a carcaça mirrada pela fome.




Quinta-feira, 19 de Agosto de 2004
O presente diluído das entranhas do futuro...

Hoje é o dia em que deixei de sonhar. Apenas hoje me apercebi como a vida nos engana, ou por outras palavras, como nós nos enganamos a nós próprios. Vivemos de peito aberto e sonhamos durante algum tempo, num tempo onde tudo parece ser sempre longe demais. Chegamos a pensar que um dia, o nosso futuro vai ser aquele com que sonhamos e nada nos irá impedir que assim seja, pois a nossa ilusão, disfarçada de vontade, é maior que tudo. A vida é difícil, andamos por aí a vaguear uns anos, indefinidos no tempo, imaturos, pouco racionais e demasiado emocionais, depois, de um momento para o outro, abrimos os olhos e somos confrontados com a nossa verdade, a vida que temos, o nosso presente, e somos esmagados pela frustração do que somos, tão distantes do futuro outrora sonhado, e esperado... Lentamente deixo cair a cabeça na almofada, sem pressas, sem espaço para mágoas ou arrependimentos. Amanhã é outro dia... pode ser que esteja vivo, pois sou um homem sem futuro, que vive num labirinto de emoções do passado, resignado e completamente dependente do presente que tenho, aquele que nunca quis, que nunca escolhi, mas que no final de tudo mereci ter, pois tudo fiz para que assim fosse.




Segunda-feira, 7 de Junho de 2004
O Protector de Animais...

Habito um 5º andar, partilho de forma mais ou menos democrática o meu espaço diminuto com um cão pastor alemão que me ofereceram pelos anos, que rica prenda. O meu T1 cheira a cão, e não importa as vezes que o lave, tanto o cão como o apartamento, é inútil. Partilho o meu T1 com um animal que outrora já foi selvagem, meti-o dentro do meu lar, no meu último reduto, no meu refúgio, um animal que por qualquer meio se tornou "domesticado", seja lá o que isso signifique, e do qual eu próprio me intitulei de dono, bastante egocêntrico e perverso não ? já vos falei do cheiro ? O meu sofá tem pêlos de cão, aliás, toda a casa tem pêlos de cão, eu próprio já pareço um, cheiro a um. Adoro o meu cão, e adoro a maneira como ele todos os dias de manhã ladra de sofrimento por um pedaço de liberdade, e aí, eu faço-lhe a vontade, as 18:30 quando chego do trabalho, desço com ele por um bocado, e não imaginam como ele fica contente por pisar a rua, e correr livremente pelos 2 metros de trela que eu lhe dou. Eu adoro o meu cão e ele respeita-me, vejo isso nos seus olhos, quando ele mete o rabo entre as pernas e treme, ouve um dia que ele ate se mijou todo de medo, quando ainda era pequenito, coitadinho. O meu cão nunca me mordeu, pelo menos a sério, também teve uma boa educação, só uma vez é que a brincar me deu uma mordiscadela, mas apanhou logo de seguida, nunca mais teve brincadeiras estúpidas. Odeio todos aqueles que não gostam de animais, acho isso uma barbaridade, mas enfim, há pessoas para tudo... Para estarmos certos ou errados apenas temos de estar vivos, por vezes viver pelo padrão não nos torna menos culpados...




Quarta-feira, 2 de Junho de 2004
10 segundos de vida..

Vieste na minha direcção, algo estava errado, os teus olhos bem abertos, não sabia o que esperar. Disseste 3 palavras, não pestanejaste, não sorriste mas também não choraste, não te entendi, perdi-me, Voltei a encontrar-me 3 segundos mais tarde, questionei os meus sentidos, teria ouvido bem ? Claro que tinha ouvido bem, senão não teria tido dúvidas. Entrei em negação, mas por quanto tempo? Não sei, O tempo agora passava devagar e dentro da minha cabeça os frenéticos ponteiros do relógio não se esqueciam de me lembrar disso. A minha boca abriu-se, engoli em seco e forcei um sorriso cínico. Falei sem hesitações ou receios, apesar de tudo sentia-me confiante.

 

"- Anda, vamos conversar, e pelo menos dá-me a honra de um último café.. "




Segunda-feira, 10 de Maio de 2004
Atendedor de Chamadas - Ninguém em casa...

" De momento não estou em casa, deixe a sua mensagem e o seu contacto depois do sinal, mais tarde entrarei em contacto consigo... BIIIIIP !!"

 

"...Pedi-te para me deixares entrar no teu Mundo, que parecia tão perfeito, pelo menos era o que eu pensava, e de fora era isso que parecia, mas apesar de nem sequer saber bem ao que ia, fui... e como fui ingénuo..

 

Talvez a culpa não tenha sido minha, é que por vezes somos induzidos em erro, vendem-nos utopias baratas, lembras-te ? Inundam-nos os ouvidos de frases feitas: " quem não arrisca não petisca", "é claro que consegues, força, estou contigo", arrisquei, não petisquei nada, e sinceramente, se estavas comigo não te vi, devias estar no teu estado invisível, ou então foste comprar tabaco, por isso não estavas por perto para me ajudar.

 

Pelo menos sonhei e tentei, foi o que pensei depois, com mais calma, sozinho, mas pergunto a mim mesmo se terei pelo menos chegado a bater na porta certa, penso que sim, mas o mais provável é que não, se calhar nem a rua era aquela, é bem possível... de qualquer maneira, quem souber que se acuse, escreva uma carta, mande uma mensagem, telefone ou passe cá por casa, tenho sacos do lixo á porta e uns restos do que anteriormente se chamava de comida no frigorifico, se quiseres vir, serás bem-vinda, é o que importa não é ? Não faz mal se não vieres, não fico chateado, já me conformei com quase tudo...

 

 Era bom que pelo menos desta vez estivesse no bom caminho, com um pouco de sorte, talvez as coisas até tenham corrido bem, mas mesmo assim, será que cheguei a algum lado ? O que consegui ? Por enquanto nada, se algo de bom está para chegar, ainda não chegou, e por isso ainda me sinto assim, entre 2 Mundos, numa prisão que eu próprio construí, sem ter paredes, grades ou alguém preocupado em ver se eu fujo (porque toda a gente sabe que eu não fujo), parece que estou destinado a este fim, este é o meu propósito e o meu lar, pelo menos até agora tem sido, infelizmente...

 

A noite promete ainda ser longa, por isso vou ligar a televisão e ver Tv-Shop, vou ficar ali desfalecido no sofá a ver alguém mentir-me deliberadamente nos olhos, a enganar-me, se ainda não me tiverem cortado o telefone, pode ser que encomende algo, e encontre uma voz, do outro lado, de alguém vivo, presente, delicado, espero eu... e pelo menos, desta vez sou eu que escolho ser enganado... eu estou bem, desculpa o incómodo, adeus..."




Sexta-feira, 30 de Abril de 2004
Exclusão - O Senhor dos Medos

Todos nós, seres vivos, racionais, humanos, acabamos mais tarde ou mais cedo por sentir o sabor que nos irá mudar a vida, provavelmente mesmo antes de sabermos o que ele realmente significa, mas teremos muito tempo, pois a exclusão será uma constante até á nossa morte. Todos nos gostávamos de ser primeira escolha, Nº1 de tudo o que se possa imaginar, mesmo o mais modesto dos Homens sente prazer em se sentir destacado, em ser melhor que os outros todos em alguma coisa, nem que seja, ser o mais bonzinho de todos, tal como JC quis ser, e pelos vistos foi.. A dor da exclusão é forte, deixa marcas, deixa traumas, é difícil não conseguir atingir metas, não ser capaz, isso deixa-nos de rastos, por isso fugimos, viramos a cara, não vamos á luta, não deixamos ser o Mundo a dizer-nos o que realmente valemos, porque temos medo da realidade, da derrota, da dor da exclusão, e deixamos isso para a nossa cabeça, para o nosso Mundo, onde aí somos soberanos, os melhores em tudo o que quisermos, aí não existe exclusão, nem críticas devastadoras, mas por outro lado, o retorno, a satisfação é tão falsa como a masturbação, não passa tudo de um falso orgasmo... Culpamos o bode expiatório perfeito, a preguiça, que serve de escudo para tudo o que é receios. Para quê lutar por algo, ir em frente e depois ver os outros a destruir e a desmoronar tudo em que acreditávamos... esse é o grande problema, e por causa desses medos, passamos toda a nossa vida a engolir os mesmos sapos, todos os dias, todas as horas, a todo o momento... será melhor assim ?




Amizade - Procura-se ?

Quantas vezes já vimos por detrás de um sorriso amigo o reflexo afiado de uma faca apontada bem ao centro das nossas costas ? Mais tarde ou mais cedo todos nós compreendemos e chegamos á conclusão que os amigos são como as putas de rua, ou para ser mais modesto, como as acompanhantes finas do Leste, pois existe sempre uma razão, um motivo, um interesse por detrás do sentimento, nem que seja o facto de não quererem estar sozinhos no Mundo... Mas como tudo na vida, todas as regras têm excepção, e esta apesar de nem ser regra (por enquanto), também as tem. Um bom exercício é pegarmos na nossa lista telefónica, nos nossos endereços de E-mail, no nosso grupo de amigos de rua, de escola, de trabalho, de copos, de infância, enfim, todos os que possamos arranjar, e depois de todos bem juntinhos, é só peneirar, e observar que no fim de uma gigantesca lista de amigões apenas sobram 2 ou 3 grãozitos de verdadeira amizade... se muito. Quase sempre, esses, os verdadeiros amigos, são aqueles de quem mais temos saudades, aqueles de quem perdemos o rasto numa determinada altura da vida ou aqueles que nós não vemos tão frequentemente como gostaríamos. Sinceramente, dou mais valor a um inimigo que me diga na cara que me odeia do que a um falso amigo que me abraça e diz aquilo que eu quero ouvir, e que lentamente me crava um punhal nas costas, afinal quem será mais perigoso ? Aquele que sei que me pode fazer mal ou a doninha que nos oferece um abraço fraterno, para depois nos morder à traição ?




Terça-feira, 20 de Abril de 2004
Razão de ser - Quem eu sou

Sou bafiento e contagioso, transporto em mim a doença, a miséria, as rejeições, sou o mal de todos vós, mas no fundo quem sou eu ?

 

Sinto ironia no destino, vejo lágrimas num rosto que não é meu, oiço o contraste desfocado de uma gargalhada histérica, mesmo ao meu ouvido, todos são loucos, mas no fundo quem sou eu ?

 

Tudo o que tenho não é meu, sou um dependente, um prisioneiro, sou a esponja que vos limpa a alma, usado vezes sem conta, sou objecto, substituível e sem valor, sou aquilo que me deixam ser, triste, é o que sou.

 

Pisaram, vincaram os dedos, deixaram marcas de propósito, havia necessidade ? Matei-vos os sonhos ? Nunca vos neguei vida, segui sempre a vossa estrada, agora chega, serão culpa sem perdão, adeus sem despedida.

 

Os mares, sete, bem definidos, traçados num mapa a cores de azul, já não importa, pois para mim não já não há rota, já não pertenço a nada, respiro liberdade, vôo alto com os pés bem assentes no chão.

 

A vossa dor já não me aflige, já vos conheço, são podres, não prestam, agora eu sei, e nem sequer vou desviar o olhar, quero que sintam o que eu sentia, agora já estão felizes ? Depois de tanto tempo já não vos interessa ?!

 

Agora aproveitem, dou-vos aquilo que mais queriam, e se não aguentarem, pois morram, não me interessa, já não sou de simpatias, têm aquilo que eu vos dou, mas jamais serão razão, motivo, necessidade, para mim são indiferença, não me importa quem eu sou, sou o que sou, o que quiser ser.

 




Domingo, 18 de Abril de 2004
Nada de novo, o costume...

Uns morrem, outros vivem, uns sonham e mais uns tantos acreditam. Uns gostam de opinar, outros gostam apenas de ouvir, uns gostam de fazer o mal, outros o bem, muitos pensam ser diferentes, todos são únicos mas no fundo iguais. Muitos são narcisistas, quase todos sedentos de algo, fama, dinheiro, saúde, amor, as velhas coisas de sempre, mas será isto que nos mata a sede ?! Talvez. Uns traçam planos, definem objectivos, uns atingem metas, outros ficam pelo caminho, morrem na praia, uns sentem tristeza pela desilusão que a vida lhes dá, outros sentem alegria por puderem estar vivos, uns têm medo da morte, outros preferem morrer a estar vivos. Uns matam, outros fogem, alguns escapam, muitos têm fobias, quase todos gostam ou amam algo ou alguém. Uns gostam de se socializar, outros gostam de se isolar, será que são amotinados ou escorraçados daquilo a que fogem ?! Uns acreditam no Homem, outros acreditam em Deus, uns sentem-se injustiçados, mas será que realmente alguém se preocupa com isso ? Uns pensam na vida, outros vivem a vida, outros vivem a vida a pensar nela, mas também, nada disto é novidade...




Sexta-feira, 9 de Abril de 2004
Novo Jogo

Se eu tivesse mais coragem, ia até à praia mais próxima, nadava pelo mar dentro, até ficar sem pé, e criava um novo tipo de jogo, dava-lhe o nome de "Âncora Humana".




Terça-feira, 16 de Março de 2004
Sorte e Azar, façam as vossas apostas...

Sempre ouvi dizer que por vezes somos bafejados pela sorte, outras vezes parece ser o azar que nos persegue, mas afinal do que se trata ?! Seremos realmente vítimas de um qualquer vil plano da natureza, para nos reduzir a insignificância de nem sequer podermos organizar e traçar o nosso próprio destino sem ter de prestar contas dos nossos actos a algum tipo de entidade superior, que nos atribui recompensas através da sorte ou punições através do azar, ou seremos nós capazes, através das nossas decisões traçar situações de sorte ou azar, embora estas por vezes sejam complexas e inexplicáveis... Eu não sei, mas acredito que todos temos aquilo que merecemos, sempre....




Sexta-feira, 12 de Março de 2004
GAME OVER !

O mundo parece louco, eu pareço louco, vivemos uma vida de escassez desde o dia que nascemos, tudo na vida se resume a isso mesmo, escassez... O Homem tem escolhas infinitas todas elas limitadas, mesmo as mais ilimitadas, irão acabar por ser vencidas nem que seja pelo tempo, o eterno assassino dos sonhos, da vida e das coisas, pois nada é eterno, nem mesmo os diamantes... Se virmos as coisas por este prisma reductor, que nos coloca numa posição orgânica e simplista, quase que apetece pensar, para quê então tanta preocupação com o futuro, nada prevalecerá, tudo será temporário, irrelevante, descartável... Ok tudo certo, mas por isso mesmo é que se diz que a vida é um jogo, porque tem um fim e um objectivo, e todos sabemos que os jogos, passo a redondância, jogam-se, conhecem-se as regras iniciais, vamos aprendendo algumas pelo caminho, seguimos pistas, aprendemos truques, e sabemos que um dia acabaremos por ver "Game Over" no nosso visor... mas para isso é preciso jogar, e sinceramente, acho preferível chegarmos ao fim, atingirmos esse objectivo seja ele qual fôr, do que permanecermos infinitamente um jogo inacabado... pois mesmo os jogos inacabados têm o seu espaço temporal, e senão jogados a tempo, outros virão e ditarão o seu fim..




Sábado, 6 de Março de 2004
Today's Quote

You can hate me forever but my love will always crush you down




Quarta-feira, 3 de Março de 2004
Bêbado

Não sei quem sou, sei que sou bêbado.. sim, BÊBADO, não me ofendam com coisas disparatadas, não me chamem de alcoólico, não me chamem de doente, eu sou bêbado da cabeça aos pés, só assim quero ser chamado e lembrado. Alcoólico, essa tem graça, até parece um elogio, eu bebo e caio, caio no lodo, rebolo-me no chão, rastejo-me até onde consigo, adormeço bêbado e acordo cansado, moribundo, sóbrio mas triste, triste e sozinho. Não sou o que pareço, não bebo por gostar ninguém gosta de beber, mas sou aquilo que ninguém admite ser, onde todos se esquecem, onde todos falham é nesse apontar do dedo, eu não sou alcoólico, eu bebo para viver, sou bêbado de alto abaixo, mas não vivo para beber, Eu estou morto, meio enterrado, vivo preso a uma ilusão, com passos entorpecidos e olhos vidrados, mas não me chamem de coitado, não sou nenhum abandonado, gosto é de viver na solidão. Sou um bêbado alucinado, vejo tudo ou talvez não, vejo-te a ti transfigurado, gozando por me veres no chão, de ti só vejo os sapatos, sujos imundos como o teu coração, mas eu não, eu sou um bêbado, um farrapo, de ti não quero piedade, guarda-a leva-a para o teu caixão, eu sou um bêbado, cansado, talvez esperando uma salvação, mas tu serás sempre um culpado, um relógio meio acertado, um pedaço de podridão.




Terça-feira, 2 de Março de 2004
Can i have your attention please ?!

" I'm going to be just like you: the job, the family, the fucking big television, the washing machine, the car, the compact disc and electrical tin opener, good health, low cholesterol, dental insurance, mortgage, starter home, leisurewear, luggage, three-piece suite, DIY, game shows, junk food, children, walks in the park, nine to five, good at golf, washing the car, choice of sweaters, family Christmas, indexed pension, tax exemption, clearing the gutters, getting by, looking ahead, to the day you die." In "Trainspotting"




Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2004
Olhando para dentro de nós, estaremos sós ?!

Será que quando olhamos para o céu estrelado, alguém do outro lado do Universo, nesse mesmo instante, estará também a olhar para nós?! Deve ser a dúvida mais velha e mais vezes questionada pelo Homem... Mas o que será que existe para lá dos nossos olhos ?! Nessa altura percebemos um pouco da nossa dimensão, de como somos pequenos, minúsculos, somos tão insignificantes que só a ideia de pensar nisso deixa-nos com dores de cabeça e o nosso cérebro é bombardeado por dezenas de dezenas de dúvidas existenciais todas elas sem resposta, afinal, talvez seja por isso, que quando olhamos para o céu, ficamos hipnotizados, com aquela sensação de vertigem, como se acabados de sair de um carrossel, embriagados pela nossa própria ignorância, mas também fascinados e reconfortados, pois as respostas estão ali, mesmo por cima das nossas cabeças... ou não?! Será que a origem de tudo estará no céu ? Ou seremos nós essa origem?!. A verdade indiscutível é que por cima das nossas cabeças, naquele vasto negro cintilante, ninguém neste Mundo pode dizer o que se passa, talvez nem nunca venhamos a saber, talvez não seja esse o nosso papel, poderá até nem existir nada, mas se existir, tudo o que se sabe e se diz até hoje cairá por terra, e será na origem de tudo que encontraremos as nossas respostas, resta-nos a nós, pequenos sonhadores, acreditar que amanhã de manhã o Sol irá aparecer outra vez no horizonte...




Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2004
Hello, anybody out there ?!

 

A vida, a morte, a incerteza do futuro e a expectativa que algo melhor nos irá acontecer, deixa-nos nervosos, impacientes, sentimo-nos fracos, comidos por dentro, o nosso corpo quer dormir, quer sonhar, mas não, isso seria fácil demais, afinal acabaríamos com o nosso sofrimento, mas não, o Homem gosta de sofrer, não o admite, mas sente isso, afinal tudo se resume a sensações, as vezes tão difíceis de distinguir, será dor, será prazer, a fronteira que as separa é invisível, e nós passamos a vida inteira a pular de um lado para o outro, como se estivéssemos em busca da nossa insanidade.... Está lá escrito, vezes sem conta no nosso código genético " Nós gostámos de sofrer" e o nosso corpo todo vibra com isso, as nossas glândulas sudoríferas libertam-se, o nosso pézinho irrequieto quase que fura o chão com o seu treme-treme, pois bem, assim seja... seremos então ansiosos e expectantes... mas quanto tempo mais teremos de viver assim, encolhidos de dor e de medo na falsa imagem de auto-estima de um sorriso... Eu sabia que um dia alguém haveria de vir aqui... Obrigado ;) Mr Anger




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